sábado, setembro 22

: Música para os meus ouvidos | Bella Ciao


Ainda não me rendi à série "Casa de Papel", que tornou esta música tão especial mundialmente conhecida, mas surgiu-me esta cover nas recomendações do YouTube e eu rendi-me de imediato. Gosto de versões assim, minimalistas.

quinta-feira, setembro 20

: Isto de ser mulher...


Eu adoro ser mulher, mesmo não tendo propriamente termo de comparação visto que nunca experimentei ser homem. Ainda assim adoro estar na minha pele e sinto-me bem com quem sou. Gosto da ideia de poder sentir um filho a crescer dentro de mim. Gosto do facto de poder demonstrar os meus sentimentos sem ter aquela vergonha que normalmente os homens mostram. Gosto da liberdade que vivo. De poder tomar as melhores decisões para mim, sejam elas quais forem. Mas também sei que devo muito às mulheres que vieram antes de mim. Sei que somos nós, mulheres, que temos que lutar constantemente pelos nossos direitos. Que temos de enfrentar comentários azedos e sair por cima, sempre de sorriso no rosto. Temos que fincar o pé e não desistir. Por nós e por todas as mulheres que ainda virão a viver nesta sociedade.

Porque, pode parecer incrível, mas neste século ainda há quem veja as mulheres como seres inferiores, sem direito a opiniões ou decisões. Há quem insista que somos apenas um objeto para ser usado a bel prazer de quem queira. Há quem insista que a mulher se deve anular perante o marido e perante os filhos, metendo os desejos destes em primeiro lugar. Que deve deixar de ser mulher para ser esposa, dona de casa e mãe. A mim nenhum desses papéis me assenta na perfeição. Não porque eu tenha algo contra mas porque, no fundo, sou um pouco de todas essas versões e não irei anular nenhuma delas em prol de uma em especial. Quero simplesmente ser a Cláudia, com tudo o que isso englobar.

Já ouvi, a título de exemplo, que terei que deixar de ter aulas de música quando for mãe. Isto foi dito por uma mulher e, atenção, que não é uma mulher assim tão velha para ter esta mentalidade. Como se as duas coisas não se pudessem complementar. Como se uma mulher que, por acaso, também é mãe não pudesse ter um hobbie. Algo para aliviar a mente e o stress. Eu cá tenciono continuar com as aulas por muitos anos. Não só porque me faz bem mas porque me sinto em casa. Sinto-me acarinhada por todas aquelas pessoas e sinto-me logo outra depois daquelas horinhas ali. Tenciono continuar as aulas mesmo quando engravidar e quando o meu filho nascer sou bem capaz de o levar comigo. Agora o que não quero fazer é anular-me e voltar a sentir-me presa, como me sentia há dois anos atrás. Não quero voltar a sentir que só me levanto da cama porque sou obrigada pelas responsabilidades que assumo todos os dias.

Não é fácil ser mulher mas os desafios foram feitos para serem superados. Cada uma de nós terá a sua própria luta e aos poucos vamos desbravando esta sociedade, mostrando que o sexo fraco chega longe. Que somos fortes o suficiente para só dependermos de nós mesmas. Que não deixemos ninguém esmagar os nossos desejos, vontades ou conquistas. Que ser mulher é a melhor coisa que nos podia ter acontecido.