sábado, novembro 10

: O que a madrugada traz.


Acordei sobressaltada. Sentei-me na cama e demorei largos minutos a sossegar a mente. Apareceste-me em sonhos, trazendo ao de cima tudo aquilo que tenho tentado esquecer. Um sonho tão real que ainda posso sentir o teu toque. Um sonho tão real que podia jurar já termos vivido momentos assim. O meu coração palpita, sem demonstrar vontade de me deixar dormir. Há já vários meses que não pensava em ti. Não assim, de forma tão profunda. E, sem nada fazer prever, tomaste conta do meu subconsciente e brincaste novamente com o meu coração. Quase pareço sentir o calor do teu abraço, a química do nosso olhar. Fecho os olhos e vejo o teu sorriso. Estico os braços e tenho-te ali, mesmo à minha frente. Esta noite voltaste a monopolizar os meus pensamentos. E de cada vez que abro os olhos e não estás fico desiludida. Talvez um dia ganhe coragem de lutar por tudo aquilo que podemos ser. Mas hoje, nesta noite fria de Outono, vai ser difícil voltar a adormecer. Faltas-me tu.


#históriasdebolso
#offtherecords 

quarta-feira, novembro 7

: Há quem me ache estranha.


Não consigo deixar de gostar daquilo que faço, mesmo nos dias mais complicados. E não consigo ser Educadora sem me dar por completo. Fico desprotegida, completamente à mercê das mudanças que a vida traz. Ser assim traz-me muita felicidade e, por vezes, algumas amarguras. Mesmo sabendo tudo isso a verdade é que encaro todos aqueles pequenos como membros da minha família e tornam-se pessoas importantes na minha vida. Conheço-os pelo choro, pelos risos, pelo cheiro. Conheço-lhes as particularidades e não desisto até saber lidar com eles de olhos fechados. Claro que afeiçoar-me de forma tão profunda traz, no momento em que os tenho que deixar voar, um vazio que não consigo explicar. É algo que nem sequer consigo esconder, por muito que tente. Há quem não me compreenda e que prefira ser o mais profissional possível, sem se apegar verdadeiramente. Há quem olhe para as crianças e veja apenas mais uma no grupo. Que espere o mesmo de todas, ao mesmo tempo. Felizmente não sou assim e vejo cada criança como única, respeitando a sua individualidade. Mesmo que isso me traga preocupações ou alguns momentos mais tristes. Dedico tempo a conhecer as famílias e toda a preocupação que demonstro é genuína. Como digo a todos os pais, trato os filhos deles como gostaria que tratassem um filho meu. E fará sentido de outra forma?

Só espero que um dia, daqui a muitos anos, quando um filho meu conhecer a sua Educadora ela o veja da mesma forma como eu vejo todos os meus pequenos. Só espero que também o conheça como a palma da sua mão. Que compreenda as suas manias e respeite os seus tempos. Que seja tão amado por ela como é por nós. Porque todas as crianças merecem ser especiais.