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: Particularidades à la Cláudia #11

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Nem sempre quis ser Educadora. Para ser sincera, só tive a certeza de que queria ser Educadora depois de já estar no curso. Durante alguns anos - uns sete ou oito - quis seguir música. E já tinha tudo estruturado: iria fazer o conservatório, depois iria para a faculdade de música e o meu destino final seria uma orquestra, que sempre foi o maior sonho da minha vida. A única vez que a minha mãe deu a sua opinião acerca do meu futuro profissional foi mesmo nessa altura. Disse-me que para eu ter mais segurança numa área tão instável (que área não é?) teria que ir logo para a faculdade para ser professora. Depois a partir daí seguiria então o caminho que já tinha planeado, tendo como rede o facto de poder ensinar. Confesso que isso me desmotivou. Se havia algo que eu não queria era ser professora de turmas como aquelas onde tinha estado no 2º e no 3º ciclo; onde os meus colegas gozavam com a disciplina, sem dar o devido valor ao trabalho e à formação dos professores. E também não me via a …

: O dia em que rejeitei o não.

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No início deste ano letivo assumi um compromisso para com o meu grupo: dizer menos que não. Atenção que isso não é sinónimo de deixá-los fazer tudo o que querem... É sinónimo de tentar encontrar outras formas de me expressar para com eles. O não tem um poder muito negativo. Tem uma força muito deprimente. Dei por mim a dizer imensas vezes "não" durante o dia, em diversas situações. Não vás para aí. Não faças isso. Não podes. Não. Não. Não...
Todos sabemos que há momentos em que essa palavra tem mesmo que ser utilizada, mas não haverá melhor forma de contorná-la? Dizer-lhes que faremos aquilo mais tarde. Tentar que eles entendem o nosso motivo. Dei por mim a recriminar-me por dizer-lhes que não podiam fazer as coisas que eu mais gostava de fazer em criança. Sei que o fiz para sua segurança mas que criança não gosta de andar alto no baloiço? Que criança não gosta de trepar a tudo o que esteja no parque? Estava a ser hipócrita. Continuo a alertá-los para os perigos e a aconselhá…

: « Dias de Chuva » - parte 3

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No dia em que me conheceste uma das primeiras coisas em que reparaste - disseste-me largos meses depois - foi na minha tatuagem de um nenúfar. Quiseste perguntar-me logo qual o seu significado, mas decidiste esperar até ao momento em que mostrei ter confiança em ti. E, quando esse dia chegou, partilhar a minha paixão pelos nenúfares foi um prazer. O facto de ter recordado a casa no campo dos meus avós encheu-me o coração. Descrever-te o lago, onde se ouvia o coaxar das rãs e onde os nenúfares balançavam, levou-me ao passado. Parecia ter novamente dez anos, de tranças bem apertadas e roupas sempre manchadas pela terra. Pareceu-me sentir novamente nas mãos o pedo dos barcos de madeira que o meu avô construía e que navegavam no lago. Senti, como que por magia, o cheiro do bolo de canela da minha avó. Viajei enquanto contava que roubava nenúfares da água para oferecer à minha mãe. Sorri por ter oportunidade de espelhar na minha voz a felicidade que foi a minha infância. E tu sorriste-me d…

: ode às semanas complicadas.

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Quando tudo complicar, respira. Nem tudo terá solução e tens que aceitar isso. Aceita as perdas e não peças desculpas pelas lágrimas. Não te obrigues a sorrir, se não for essa a tua vontade. Vive os dias como preferires e procura uma réstia de esperança para te ergueres. Vão existir dias esgotantes mas só depende de ti dares a volta por cima. Só depende de ti olhares em frente, para seguir caminho. Vão existir dias tristes, cinzentos, frios. Terás que ser sol, calor, felicidade. Procura aconchego nos abraços. Rodeia-te de almas luminosas. Até a semana mais complicada acaba. E, no fim, poderás sorrir. Com vontade.

: sem arrependimentos.

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#off the records     #histórias de bolso

Não consigo explicar como chegámos ao ponto onde estamos hoje. Ainda há uns meses eras um completo desconhecido, alguém que cumprimentava e com a qual trocava apenas palavras de cortesia, por necessidade. Essas palavras transformaram-se em conversas mais longas, em risos, em partilhas pessoais. Os fins-de-semana passaram a ser oportunidades para marcar saídas e as brincadeiras começaram a ser entendidas só por nós. Os sorrisos; Os olhares. À nossa volta ninguém se apercebeu de nada, alheios a um sentimento que nenhum de nós parecia aceitar. Um toque de mãos. Um leve arrepio. E de repente voltei a ser adolescente. Voltei a sentir-me voar, mesmo sem tirar os pés do chão. Olho para ti e não sei como explicar o que sinto. Sinto-me longe de tudo isto, mesmo estando cada vez mais perto de ti. E tu, sempre pronto para fazer rir, divertes-te a ouvir o meu riso. Fazes de propósito para me veres corar e não desvias o olhar, mesmo quando tudo parece constr…

: Recados à Macaquinha [28]

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Às vezes tento imaginar que género de mãe vou ser, ainda que seja impossível antecipar sentimentos sem passar pelas situações. Às vezes tento convencer-me que vou ser uma mãe descontraída, fruto da minha experiência profissional. Mas sei, conhecendo o meu feitio, que vou ser uma mãe galinha. Que vou querer afastar-te dos aparelhos tecnológicos. Que vou querer levar-te o máximo de dias possíveis ao parque para que corras, para que sujes, para que faças amizades. Vou querer mostrar-te os filmes infantis que eu e o teu pai vimos quando éramos crianças. Vou querer ouvir-te a brincar, mesmo que isso signifique ter a casa toda desarrumada e mesmo que o meu interior se revolva com coisas fora do sítio. Vou ser uma mãe chata com as coisas que a família te irá oferecer e irei sempre incentivar aos livros e a jogos que te ajudem a aprender. Não te quero habituar a teres mil e um brinquedos aos quais não vais ligar e que se limitam a ficar dentro de uma caixa. Quero acreditar que te irei ensinar…

: « Dias de Chuva » - parte 2

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Quando a chuva finalmente parou, largos minutos depois, arranjei coragem para entrar em casa. O silêncio é avassalador. O vazio parece querer sufocar-me. Nas paredes dezenas de fotografias, que ainda não tive coragem de guardar. Recordações que tanto me magoam como me confortam. O teu olhar, sempre tão profundo, acompanha-me ao longo do corredor e eu tenho que acender todas as luzes. Distraio-me com frivolidades para afastar os fantasmas que teimam em vir, dia após dia. A televisão sempre acesa para me fazer companhia. Suspiro, cansada desta tristeza que não me abandona. Sinto falta da energia que davas aos nossos dias. À forma positiva como encaravas os problemas. Sinto saudades de te ter ao meu lado, quando chegava do trabalho. Essa é a parte mais difícil do meu dia: chegar. E tu não estares.

A palavra usada foi energia e foi-me dada pela Ana Rodrigues da Just Fantasy Bijuteria