terça-feira, janeiro 16

: A importância de dar um bom exemplo.


Há uns tempos atrás - estava eu com as crianças da minha sala e da sala do lado - uma senhora parou junto a mim e perguntou-me se eu era a educadora daquelas crianças. Eu respondi que sim e ela prontamente me disse «Então, por favor, eduque primeiro os pais». O motivo pelo qual ela disse isso foi muito simples: os pais estacionam em segunda fila para irem deixar as crianças à creche, às vezes tapando lugares que estavam vagos. Não tem lógica, eu sei... 

Não é que eu possa fazer algo em relação a isso, visto que seriam precisas bastantes aulas de civismo, mas as palavras da senhora deixaram-me a pensar. Quantas não são as vezes em que nós, professores/educadores, sentimos que a educação é deixada apenas e só nos nossos ombros? Pais que em casa os deixam fazer tudo e que esperam que a escola lhes ensine os limites. Crianças que não dizem se faz favor ou obrigado. Regras básicas da convivência em sociedade. Quantas vezes não somos questionados por termos tido a ousadia de sentarmos a criança para um tempo de descanso? A educação começa em casa. Sim, em casa. É em casa que os pais devem, desde sempre, ensinar as regras de uma boa convicência. É em casa que os pais devem ensinar os limites, mostrando que na vida não podemos ter sempre aquilo que queremos. 

Acreditem, não há nada melhor do que uma criança estar em sala e percebermos que os pais se preocuparam em dar-lhe as bases mais importantes. Depois aí entramos nós para continuar o trabalho, numa parceria constante. E, para isso, temos que dar o exemplo. Quando lhes peço alguma coisa adiciono o se faz favor e depois agradeço-lhes. Quando erro para com as crianças peço-lhes desculpa. Há quem ache que isso não é necessário, mas é super importante. Como faremos uma criança entender que tem que pedir desculpa a um amigo que magoou - ainda que sem querer - se nós adultos não o fazemos? Não tenho vergonha de admitir que errei e, dessa forma, arranjo espaço para eles serem sinceros comigo também. Aconteceu no verão um menino da minha sala mentir às minhas colegas sobre um determinado acontecimento mas assim que eu lhe perguntava ele admitia. Gosto deste ponto em que não há segredos e eles se sentem à vontade para dizer sempre a verdade. Sabem que eu até me posso chatear um pouco mas que depois fica tudo bem e que estarei lá para eles.

A boa educação começa nos adultos. E somos nós que temos que dar o exemplo. Neste momento tenho uma sala exemplar. Se me pedem alguma coisa e não usam as palavras mágicas basta-me dizer não percebi. E eles adicionam logo a palavra. Agradecem. Pedem desculpa. Se deu trabalho? Claro. Foi preciso um trabalho conjunto de casa/escola. Mas vale a pena por sentirmos que estamos a criar futuros adultos que saberão viver em comunidade, da melhor forma possível.

E vocês... também dão um bom exemplo?

domingo, janeiro 14

: « Dias de Chuva » - parte 11


Há dias em que não me sinto suficientemente boa em nada. Mas depois lembro-me de ti, das tuas palavras de encorajamento e do teu sorriso. Lembro-me da tua insistência para que eu não desistisse de nada, mesmo quando o futuro não se afigurava risonho. Agarro-me, como se não existisse mais nada, a essas memórias e sigo em frente. Talvez não seja realmente a melhor em algo, mas sou a melhor versão de mim mesma. Faço as coisas com coração e não me deixo levar pelas mil e uma vozes que se tentam sobrepôr às minhas crenças. Acredito na persistência, nos sonhos que não podemos deixar morrer. Acredito na força que guardamos dentro de nós e que surge quando não achamos possível dar mais um passo. Acredito no poder que todos encerramos nas nossas decisões. Nós fazemos o nosso caminho, dizias-me naqueles momentos em que me vias confusa e desanimada. E é verdade, realmente verdade. Fiz o meu caminho contigo e agora tive de aprender a fazer o meu caminho sozinha. Caminhos diferentes mas que guardam memórias que me deixam igualmente feliz. Uma felicidade que assume diferentes formas; diferentes sentidos. Momentos que nunca esquecerei.

A palavra usada foi insistência e foi-me dada pela i. do Lei da Inércia