: Das minhas mãos para as vossas estantes.


Nunca fui de ter muitos sonhos. Pelo menos não sonhos que no fundo eu saberia que nunca conseguiria cumprir. Pode não fazer sentido para vocês mas eu sempre sonhei com os pés bem assentes no chão. Tinha sonhos realistas: Ir a Paris; Ter a minha casa; Ser mãe; Ter um livro meu editado. 

Um deles, algo que muitos de vocês já sabe, já consegui cumprir. Escrevi, já há três anos, um livro e tive a felicidade de ver o meu livro - Sintonia - editado pela Chiado Editora. Pulei de felicidade quando descobri. Adorei todo o processo de edição. Sorri no dia do lançamento ao ver amigos e familiares a apoiarem-me. Seria de prever que eu quisesse essa vida para sempre. Mas não. 

Muitas pessoas ficam em choque quando eu digo que se voltasse atrás não voltaria a editar o livro. Não porque eu tenha vergonha daquilo que escrevi - muito pelo contrário - mas porque depois percebi que eu não fui feita para ser escritora. Não fui feita para ter de satisfazer os desejos das pessoas que pagam para me ler. Gosto de escrever pelo prazer de formar bonitos textos, não pela obrigação de completar um capítulo. E nem todas as críticas positivas me fizeram mudar de ideias. Adorei ouvi-las, claro, mas não me senti tão realizada quanto esperava. 

Muitas vezes me fazem a pergunta «para quando é o próximo?» e a minha resposta é sempre a mesma - para nunca. Adoro escrever e faço-o com toda a minha paixão mas não fui feita para todo o stress que envolve a edição e venda de um livro. Fui feita para o contacto directo com quem me lê. Fui feita para escrever para todos e não apenas para aqueles que comprem o meu livro.

Apesar de tudo acho mesmo que o Sintonia tem uma leitura agradável e tenho o maior orgulho nesta minha conquista. É, como eu costumo dizer, um romance nada romântico. É o romance que retrata partes da minha vida. Deu-me prazer escrevê-lo e, até agora, deu prazer a todos os que o leram. Se quiserem lê-lo também basta entrarem em contacto comigo e eu farei chegar até vocês um livro com uma dedicatória.


Sinopse: Paris, cidade das luzes e do amor. Lengfeld, um município campestre alemão. Paros, uma bela ilha grega. Barletta, uma cidade italiana à beira-mar. Locais na Europa que Jolene Gail, uma jovem de vinte e quatro anos, decide explorar em busca da inspiração certa para o seu novo livro. Fugindo do fantasma de um amor condenado ao fracasso e da solidão que sente, encontra conforto nas pessoas que vai conhecendo e lhe abrem os corações, partilhando as suas histórias. Começa então a entender que o futuro poderá vir a ser melhor do que imaginava e que as coisas verdadeiramente importantes espreitam de todos os cantos. Até mesmo daqueles pelos quais muitas vezes passou sem reparar. É neles que ela se procurará finalmente encontrar. Mas estará pronta para abraçar as mudanças e viver com as suas descobertas? 

Comentários

  1. Acho que é também por gostar de escrever para mim mesma que não consigo tirar a história que escrevi da gaveta. Não foi escrita para o público, foi para mim. Por isso, compreendo-te bem.

    R.: Sim, as palavras têm um forte sentimento. O complica as coisas mais do que devia.

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  2. Parece ser um livro óptimo e vou andar à procura dele (:
    Se te sentes mais realizada a escrever para público com quem contactas, como o blog, então é algo que deves fazer porque devemos é fazer aquilo que nos faz bem

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  3. Gostava de o ler!! O meu maior prazer na vida é escrever. Imagino-me a fazer isto para a minha vida. A dedicá-la a todos que me lêem através de livros. Um dia quem sabe.
    Não sabia que tinhas escrito. E se é assim, agora, que te sentes bem é que deves permanecer.

    Um beijinho grande

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  4. Não sabia! :D Também gostava de editar um livro mas confesso que depois de ler a tua situação, fiquei a pensar se não me sentiria assim... Mas o que interessa é que estás bem com isso, estás feliz por ter editado um livro e sabes que é algo a não repetir. Fico muito feliz por te poder ler no blog! :)

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  5. r: Muito obrigada mas eu gostava mesmo de o comprar, sabes se posso encontrá-lo numa loja ou na feira do livro de lisboa?

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  6. Compreendo bem o porquê de este teu livro ter sido o único que alguma vez vais publicar. Gostava muito de o ler! :)

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  7. Escrever um livro sempre foi um sonho, como sabes, mas tenho-o adiado porque quero algo que me faça sentido; quero chegar ao fim do processo e sentir que aquela sou eu, tal como idealizei, e não apenas editá-lo por editar. Quando era pequenina dizia que queria ser escritora e educadora de infância, só que hoje também não quero fazer da escrita a minha vida. Gosto de escrever com liberdade, sem ter a pressão de datas e de patamares. Claro que quando escrevo procuro evoluir, crescer, mudar, mas esta pressão que me imponho tem outros contornos. Imagino-me a fazer isto a minha vida toda, mas não fazer disto a minha vida toda. Faz sentido? Gosto da liberdade de escrever textos cursos ou textos longos que terminam sem sequência. Agora que penso, talvez nunca tenha chegado a acabar a história O meu querido mês de agosto porque aquela não sou eu; fascinam-me os textos soltos e é por aí que quero seguir.
    Um dia, que já esteve mais longe, irei cumprir este sonho, mas sem pressa, porque o segredo é mesmo não perder o encanto.

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  8. Muito sucesso...e que venham mais livros.


    Isabel Sá
    https://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  9. Não concordo nada que ser escritor seja escrever para satisfazer os desejos das pessoas que pagam para ler. Isso é escrever por encomenda.
    Na minha modesta opinião, se um escritor não tirar prazer daquilo que escreve e se limitar a "encher chouriços" para satisfazer uma clientela, não é escritor. Escritor é quem escreve por prazer e consegue transmitir esse prazer a quem lê. :)

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  10. compreendo perfeitamente o que queres dizer.
    Não sabia que tinhas editado um livro, desde já parabéns!
    e só por essa sinopse, e por ser teu, dá uma vontade enorme de o ler!!! :)

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  11. Não fazia ideia! Agora fiquei curiosa, gostava de ler.
    Também me sinto muito assim, ninguém deve escrever por obrigação.

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  12. Sabes o que o Ondjaki me disse, certo? Se calhar para ti também não estava na altura certa, se calhar, se esperasses mais um tempo, seria diferente. Não sei. Sei que ainda bem que publicaste o livro, adoro-o, adoro a história, sabes bem que não é (só) por ser teu.
    É pena que não queiras escrever mais, ia adorar ler, mas se sentes que não foste feita para isso, então acho que não deves forçar. :)

    I wuv u

    (R.: por este andar só acabo de ler o Sintonia daqui a um mês, ou seja, só lá para Setembro é que há texto de opinião xD)

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  13. Que maravilha escreveste um livro :) Adorava fazer um dia, mas acho que não o editava. Sem dúvida uma experiência fantástica! Fiquei curiosa em ler o teu livro...podes enviar para França? Beijinhos :)

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