quarta-feira, junho 10

: Quando me tornei mais eu.


Acho que sempre tive um feitio peculiar. Talvez tenha nascido comigo; Talvez tenha sido a forma de ser dos meus pais que me influenciou. Nunca permiti, nem em criança, que me fizessem mudar de ideias. Nunca permiti que me vissem os pontos fracos. Mas também não exaltava os pontos positivos que sabia ter. Cresci, tenho que confessar, sem perceber porque não conseguia fazer amigos para a vida, como os outros que me rodeavam faziam. Hoje percebo. Eu não era daquelas pessoas que se deitava no chão para os outros pisarem. Ainda hoje não sou dessas pessoas. Digo o que tenho a dizer e só sei ser assim.

Fui crescendo, praticamente sozinha, e os macaquinhos na minha cabeça foram aparecendo. Ou porque eu não era suficientemente boa para alguma coisa; Ou porque os rapazes não olhavam para mim; Ou porque tinha demasiados pêlos nos braços. Sim... uma coisa tão simples como pêlos nos braços servia para me incomodar. Não que alguém me dissesse alguma coisa em relação a isso mas para mim, que poucos amigos tinha, era um motivo de vergonha. Escondia-me. Escondia tudo o que tinha a ver comigo. Sem perceber que fechar-me na minha concha era o que realmente estava a afastar as hipóteses de alguém gostar de mim. Poucos eram os que consigam atravessar as minhas paredes. Em parte porque eu não os queria do meu lado. 

Até ao dia em que tudo isso mudou. E sei bem que dia foi esse. Foi no dia em que entrei na faculdade. Calei todos os macaquinhos e expulsei-os da minha mente. Aquele primeiro dia, em que enfrentei todos os meus medos num só momento, fez-me abrir ao mundo. Tornou-me na pessoa que sou hoje. Fiz amizades, perdi receios, permiti que as pessoas me conhecessem. Desiludi-me mas, ainda assim, só me permito recordar o que foi bom. As viagens de comboio, as conversas, os trabalhos que nos deram dores de cabeça, as partilhas, os apoios constantes nos momentos difíceis, os abraços. Principalmente os abraços. Dados sem ser preciso trocar uma palavra. Dados nos momentos em que eram mais necessários.

É verdade, sempre tive um feitio peculiar. Sou complicada, perfeccionista e chata. Mas também sou bem resolvida, amiga de quem merece e tenho uma paciência infinita. Sou, acima de tudo, orgulhosa na minha pessoa. Estas palavras podem até soar vaidosas e se é essa mensagem que estão a receber então estou a fazer um bom trabalho. Porque, agarrando num cliché, a primeira pessoa que nos deve amar somos nós mesmos. E eu amo-me. Só assim os outros poderão atravessar o meu muro e aprender a amar-me, com todos os meus defeitos. Que são muitos...!

Podem não acreditar... mas agora até os pêlos dos braços me deixaram de incomodar!!

9 comentários:

  1. Vamos criando barreiras para nos protegermos e a nossa cabeça nunca para. Há pormenores que as pessoas nem reparam, mas nós achamos que sim e incomodam-nos imenso. A partir daí é como se fosse uma bola de neve. É bom quando sentimos que a quebramos, que crescemos e que já damos espaço para que as pessoas cheguem e fiquem.
    Só tens motivos para estar orgulhosa de ti!

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  2. AInda bem que deixaram, os meus também já me incomodaram, neste momento, quero lá saber deles xD ahahah

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  3. Tão bom Cláudia :) amor próprio acima de tudo, se não gostarmos de nós, quem gostará, não é ? E faz-nos tão bem sentirmo-nos assim, bem connosco ;)

    Beijinhos*

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  4. Não acho que estas palavras sejam vaidosas, temos de aprender a gostar de nos, e entender que os defeitos são apenas feitio. Cada um tem os seus. E com estas palavras podes inspirar muita gente que ainda não tenha tomado esse passo.
    Eu também aprendi a gostar de mim, de uma maneira mas gradual, e foi através da experiências com palavras como as tuas que consegui encontrar ajuda em alguns aspetos.

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  5. E é simplesmente algo maravilhoso o facto de te aceitares tal e qual como és, porque apesar de ser dito de cliché isso de sermos os primeiros a amar-nos é verdade (:

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  6. O mais importante de tudo é que nos sintamos bem connosco mesmos porque senão nunca nos vamos sentir bem com os outros. Eu acredito plenamente nisso, por isso, ainda bem que mudaste para melhor e que agora não dessas pequenas coisas te incomodam.

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  7. Palavras sábias! =)
    Cliché ou não é a mais pura das verdades!

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  8. Sempre fui extrovertida embora com mau feitio (lol) e sempre me aproximei de pessoas como tu, gostava do desafio de conseguir que alguém muito "metido" em si fosse meu amigo =) Tenho amigos de todas as fases da minha vida, desde escola até trabalho! Mas tenho que concordar contigo que a faculdade muda muito as pessoas!

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  9. Revi-me nestas tuas palavras querida, com a excepção de que eu foi ao contrário: antes permitia às pessoas aproximarem-se mas conforme fui sendo magoada vez atrás de vez agora é muito difícil alguém se aproximar o suficiente para me conhecer bem

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