sexta-feira, setembro 4

: Ao teu ritmo.


Fui arrastada pelas minhas amigas até um qualquer bar que eu não conhecia. Ignoravam-me sempre que eu dizia que ficava muito melhor em casa, deitada no aconchego dos meus lençóis. Era sexta-feira e elas proibiram-me de ficar fechada entre quatro paredes, lamentando-me pela relação que não tinha resultado. Apesar de lhes agradecer por me arrancarem da minha letargia sentimental a última coisa que me apetecia era passar a noite a impedi-las de cometer uma loucura, provocada pelo álcool que iam ingerir. O que eu não contava era que assim que lá entrasse o ritmo da música me fizesse sorrir. Vi, pelo canto do olho, que elas sorriam. Sabem bem como me animar. Pedi a minha bebida de sempre - coca-cola para poder conduzir o carro no final da noite - e encostei-me à parede para ver os pares dançarem a kizomba lenta que tinha começado a tocar. Foi nesse momento que te vi, do outro lado da sala. Na tua mão estava uma caipirinha e fiquei com a sensação que me já me observavas à bastante tempo, pela posição que o teu corpo adquirira e pela profundeza do teu olhar. Sorriste-me e ergueste o copo, como quem me saúda. Sorri-te e esse foi o sinal que precisavas para te aproximares. Estavas já à minha frente quando te reconheci: eras aquele tímido amigo do rapaz que um dia amei. A conversa deu-se sem qualquer problema, como se sempre tivéssemos falado. Perguntei-me, mil vezes, porque só agora estava a falar contigo. Com as bebidas terminadas convidaste-me para dançar. Nesta altura já não me lembrava que tinha ido acompanhada até ali e aceitei-a, sem pensar duas vezes. Embrulhaste a minha mão com a tua e eu senti o calor que o teu corpo emanava. Acertámos os passos e dançámos até as nossas pernas doerem. Fluíamos pelo espaço e não pensei uma única vez em tudo aquilo que ainda me magoava. Acordei para a realidade quando senti a mão de uma amiga no ombro. Não dera pelo passar das horas e estava na altura de ir embora. Soltei a tua mão e sorri-te uma última vez, deixando a promessa de que continuaríamos a falar. Afastei-me e, talvez por respeito, ninguém me fez perguntas. Também não precisavam: o meu sorriso denunciava-me. Aquela que começou como uma noite indesejável terminou como uma cura para a tristeza. 

#Fictício

12 comentários:

  1. Escreves muito bem, já te tinha dito? :) Vai ter continuação?

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  2. "Se eu voltasse atrás repetia tudo e ainda gritava mais alto." Sim!!! É tão isto! Também deixei de ser tão tímida graças a isto, embora respeite quem diga que a praxe é isto e aquilo, (se estiverem numa faculdade com boa praxe) não compreendo.. Mas são opiniões e nada me deixa mais orgulhosa que trajar com o sentimento de "dever" cumprido na praxe :)

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  3. Sempre ouvi dizer que os ciganos não gostam de ver bons princípios aos filhos. eheh
    Uma noite que tinha tudo para ser de nostalgia, acabou (suponho), numa relação duradoira ou, quiçá, num grande amor. :)))
    Espero que a última esteja certa. lol

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  4. Muitas vezes só precisamos de dar uma oportunidade às situações que nos acontecem. Podem surpreender-nos bastante pela positiva.

    r: Só com sementes ou só com fruta também é uma excelente opção :)

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  5. Adorei! Sou tão tímida que não sei se seria capaz do mesmo...
    r: Muito obrigada! :D

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  6. E depois, o que é que aconteceu? Dá vontade de saber mais.

    R.: Já deixei no blogue um post sobre o cesto de corda, para responder à tua questão.
    http://ondeascoisassaofeitas.blogspot.pt/2015/09/buy-or-diy-cesto-de-cordas-como-fazer.html

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  7. tu escreves isto à toa ou é para alguma coisa? :o

    r: uma passagem para os eua é quase o rendimento anual bruto dos meus pais... xD

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  8. Adorei! I'm a sucker por este tipo de textos :D

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?