sábado, setembro 26

: Despedidas não são para mim.


Nunca consegui dizer adeus a ninguém. E mesmo que o diga é sempre com um reencontro no pensamento. Não gosto de pensar que nunca mais vou ver aquela pessoa. Imaginam, portanto, a dor que eu sentia sempre que tinha de me despedir das crianças (e dos adultos) dos meus estágios... Chorava, apenas nos dias anteriores. Sofria tudo, por antecipação. E no dia da real despedida sorria e fazia parecer que era forte. Nestes últimos dois anos, já no meu trabalho, consegui não sofrer em demasia. Não só porque ia vendo as crianças na rua mas também porque muitas delas saíram do jardim-de-infância mas continuaram no ATL do 1º ciclo. Pois que este ano lectivo voltei a sofrer, mesmo que este ainda esteja no início. O meu coordenador informou-me que eu ia mudar de local de trabalho e que ia "abandonar" os meninos que acompanho já há quase três anos. Já chorei muito, sempre que me lembrava que não ia acompanhar o último ano deles naquela escola. Mas depois arranjo forças ao pensar que os irei rever nas férias, quando nos reunirmos todos. Se estou triste? Sem dúvida. Fiz questão de dizê-lo ao meu superior. Se vou ser mais útil no outro local? Talvez. Mas isso não apaga a saudade que vou ter. Fiz questão de me despedir dos pais que sempre me foram mais próximos e ver a cara de surpresa deles amarrotou-me o coração. Prometi-lhes visitas - aos pais e aos filhos - e irei cumprir. Que as férias do Natal cheguem rápido para que eu possa matar saudades dos seus abraços!

Agora é pensar positivo e acreditar naquilo que uma das mães me disse: Às vezes faz bem mudar de ares.

8 comentários:

  1. Partilho um pouco da tua dificuldade em dizer "adeus" às crianças. No meu local, aos sábados, lido com crianças dos 6 aos 14, há já um ano.
    Ainda não lhes conheço o nome porque só estou com eles alguns minutos depois das aulas de natação acabarem, mas... no meio de todo estas nova rotinas e pessoas, crianças, que conhecemos -- que eu conheço -- perdi algumas, incluindo os pais com quem podia falar mais. Os miúdos crescem e os pais já não podem entrar.

    Felizmente, tenho-me libertado bastante do medo que tanto partilhei contigo. Dos receios das brincadeiras, das conversas, da postura, das regras e da ordem.
    Fico feliz por hoje, depois de muito "lutar" pela desinibição, a vergonha e o medo de comunicar com uma criança daquelas e outras idades, que te digo "finalmente" que já brinco com elas. Que as agarro e as finjo enfiar nos cacifos se não se portarem bem. Que ligo a mangueira com que andam a brincar e lhes finjo querer molhar.
    MAS, tomo medidas em cada situação que eu veja estar a descarrilar. Tiro-lhes a mangueira da mão, chamo-os à atenção do tempo que perdem no banho ou a vestirem-se. E claro, perco tempo em conversar com eles, em ensinar-lhes a pôr a roupa dentro da mochila ou a atar as sapatilhas.

    Afeiçoei-me àquelas crianças. Aos pais. Tenho uma certa amizade com eles e perder tudo isso... sem fases, de um momento para o outro numa questão de dias... seria difícil. Principalmente para ganhar a confiança dos pais e das crianças. O que é bastante dificil, porque quando se trata de um homem ao pé de crianças pode tornar-se uma situação complicada que pode levar a acusarem-nos de pedofilia ou tentativa de violação só porque tentei dar banho a uma criança ou a ajudei a vestir as meias. Tenho pena disso, pois trato todos eles (crianças) de forma diferente, cada um à sua maneira, e ouço-os, incuto-lhes algumas regras ou civismo. Além de tudo isso, trato-os como se fossem meus irmãos mais novos ou filhos de amigos que conheço muito bem.

    É dificil e tenho pena. Pois cada vez que digo adeus a quem já conheço, outro tipo de medo assola o meu pensamento. Tocar nos filhos dos outros, se for necessário, durante o banho. Aconteceu-me com uma miudita e foi a experiência mais dura que tive até hoje. O pai pediu para lhe pôr shampoo na cabeça e a ajudar a lavar o cabelo. Tentei tornar a experiência mais leve comunicando com ela (a criança) e fazê-la sentir-se em controlo. Sempre a perguntar-lhe se estava bem, se queria mais água, ou a dizer-lhe para esfregar mais a cabeça ou se já estava bom.

    Lidar com crianças vestidas é uma coisa, mas nuas? Para mim, é dificil. Principalmente quando são raparigas.
    Tens alguma dica?

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  2. As despedidas também não são para mim :/

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  3. Há ligações que se criam e é muito difícil quando chega o momento de nos separarmos! Sentia o mesmo quando terminava um estágio, por pouco tempo que este durasse, por isso imagino que agora te magoe ainda mais, porque lidas com os teus meninos todos os dias, há quase três anos.
    Força, minha querida!

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  4. É importante olharmos sempre para o lado positivo e acredita que mudar de ares faz mesmo bem.. por vezes coisas melhores estão para chegar!

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  5. Não é a mesma coisa, mas visitá-los pode ser uma boa opção para matar um bocadinho de saudades.

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  6. Despedidas também não são para mim, sofro horrores :(
    Mas verás que o que uma das mães disse terá alguma razão )

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  7. Oh... que tristeza. Espero mesmo que depois os reencontres e mates saudades.

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?