quarta-feira, setembro 16

: Português Suave #4

#1   #2   #3

Deito-me ao lado do meu noivo, noite após noite, mas não é a ele que desejo. Sempre que fecho os olhos vejo-me sentada ao lado de outro, desenhando uma realidade paralela. Nunca me imaginei nesta situação: nesta dualidade de sentimentos; nesta insegurança de não saber que passo dar. Se por um lado gosto das tardes passadas no jardim, por outro gosto da segurança que um amor de anos me traz. Espero o mesmo dos dois, amor e paixão, mas sei que nunca o poderei ter de dois lugares. Não poderei manter duas vidas diferentes, fingindo ser apenas uma. Muita gente diria que eu não me contento com o que tenho. Quem sabe não tenham razão... Talvez eu só esteja bem a desejar aquilo que não deveria querer. Talvez eu esteja fadada a estragar relação após relação. Talvez seja eu a minha pior inimiga. Ou talvez esteja a ser inteligente por, desta vez, dar ouvidos ao meu coração. Todas as noites me sinto sufocar com remorsos, para no dia seguinte desejar viver tudo outra vez. Estou na beira do penhasco e não tarda muito terei que escolher para que lado dar o próximo passo: para a frente, rumo ao desconhecido que me alimenta a alma com paixão; para trás, para os braços do conforto que me acarinha o coração. A loucura apoderou-se do meu corpo e dou por mim a sonhar acordada. Nunca odiei tanto o amor e as loucuras que ele nos faz cometer. Nunca odiei tanto este ser e não ser. Algures no meu caminho o amor deixou de ser a cura para a tristeza, para passar a ser a minha doença. Nenhum remédio me conseguirá curar. No fundo sei bem: já fui longe demais. 

2 comentários:

  1. O desconhecido assusta, enquanto o conforto do que conhecemos há anos nos deixa seguros, talvez por isso seja tão difícil escolher. Mas chega a uma altura em que é inevitável, porque não podemos ser duas pessoas diferentes numa só.

    Incrível!

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?