: A vida não é (nada) fácil.


De todas as minhas turmas eu devo ter sido a única pessoa que nunca teve pressa de crescer. Não tive pressa de fazer dezoito anos; Não tive pressa de tirar a carta; Não tive pressa de arranjar um namorado. Aproveitava os meus dias, lia, tocava piano, escrevia, jogava computador. E a vida era fácil assim. Não tinha chatices, não tinha preocupações, não tinha problemas para me atormentarem. Lá acabei por ter que crescer. Tive que deixar a segurança do meu casulo e conheci o mundo. Trabalhei nas férias, fiz voluntariado, descobri tudo aquilo que eu poderia ser. Porque sim, podemos ser muitas coisas ao mesmo tempo. E eu sei tudo aquilo que amo. Mas, no meio de tudo isto, eu não tinha pressa em crescer. Comecei a trabalhar, à séria, e comecei a sentir saudades da faculdade. Cada ano que passa sinto mais. Vejo as pessoas à minha volta, mais novas que eu, entrarem nessa aventura e sinto vontade de voltar atrás. Afinal de contas eu nem queria sair de lá. Há dias em que me pergunto porque raio saí da faculdade. Porque raio me sujeito, diariamente, a colegas que não o sabem ser. Há dias em que chego a casa e me apetece mandar tudo para as urtigas. Mas depois os pequenos dão-me beijinhos de manhã, dão-me abraços e dão-me forças. Há dias em que levantar-me da cama vem acompanhado de lágrimas. Mas depois há pais que me fazem rir. Eu não queria crescer mas, ao mesmo tempo, há tantas coisas boas em ser adulto. Tudo traz responsabilidades, principalmente quando não temos medo de assumir os nossos erros, mas tudo se minimiza quando partilhamos o caminho com quem vale a pena. Se ainda assim me custa ir trabalhar todos os dias? Tenho que assumir que sim. Mas há que erguer a cabeça e focar o olhar naquilo que importa. O resto? Passa-me ao lado...

Comentários

  1. Revi-me em algumas coisas. Também nunca tive pressa de crescer e até gostar disso, parece que agora deixei de gostar tanto, principalmente no que diz respeito ao trabalho. Também tenho esses dias em que me apetece mandar tudo para as urtigas e outros em que nem apetece sair da cama (não tanto por mim, mais pelas pessoas que comigo trabalham)

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  2. É isso mesmo Claúdia :) Deixa que o resto te passe ao lado ;)

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  3. Ora nem mais: o importante é focar naquilo e naqueles que importam e valem a pena. Não é fácil, nada fácil, tens toda a razão mas se não tentarmos mais vale desistirmos logo porque uma vida diferente é que não faria mesmo sentido nenhum. Força. Beijinhos

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  4. Xi como eu te entendo eu também era e ainda sou assim, mas as minhas colegas olhavam para mim como se eu fosse um OVNI!

    Bjxxx

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  5. Nunca nos passa totalmente ao lado, mas se soubermos relativizar, a vida torna-se mais agradável.
    Cada época tem os seus atrativos e as suas desventuras. É pena que hoje os miúdos cresçam à força, como os frangos de aviário. Quando chegam a adultos, não têm sabor nenhum...
    Um ensinamento que tirei das caminhadas na montanha, é que cada caminhante tem um ritmo próprio, que não deve ser forçado pelos companheiros. Quem chegar primeiro lá acima, espera pelos outros. Hoje obrigam-nos a viver todos ao mesmo ritmo e o resultado é muitos ficarmos pelo caminho, infelizes e incompreendidos. :)

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  6. Revi-me em quase tudo. Também nunca tive pressa de crescer, lembro-me de todos ansiar pelos 18 e eu nem querer vê-los, todos desejavam a carta e eu nunca pensava nisso até inscrever (mais porque tinha de ser). E sim ser adulto é complicado em muitas coisas, somos muito complicados, mas também tem o seu lado positivo. Ninguém disse que a vida era fácil, por isso cá estamos para lutar e tornar tudo melhor :)

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  7. Também nunca tive pressa de crescer.
    Força, minha querida! A atitude é mesmo essa, o resto não passa disso mesmo, resto*

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  8. Se amas aquilo que fazes e te faz feliz mesmo nos dias em que custa sair da cama então vale a pena. Porque nada como os pequeninos que te dão forças e sorrisos em troca da dedicação que tens para com eles

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  9. Também nunca tive pressa em crescer no entanto quando damos por ela já namoramos, já temos 18 anos, já vamos para a faculdade. E apesar de estar farta de estudar e só querer despachar o mestrado sinto uma certa saudade quando vejo os alunos de primeiro ano na minha faculdade.

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