quinta-feira, novembro 19

: Avó,


lembro-me de ti ao longo de todo o ano mas é sempre nesta altura, em que o Natal se aproxima, que sinto a tua falta com mais força. Talvez porque tenha sido a época em que te perdi. Talvez porque ser a festa que mais prezo e que mais vontade me dá de unir novamente a família, deitando o passado para trás das costas. Quando partiste pareceu quebrar-se o elo que nos uniu, mais do que nunca, naquele ano de preocupações constantes. Nunca mais fomos os mesmos e os caminhos separaram-se. Sei que irias odiar ver-nos assim, mas há momentos da vida em que temos que saber escolher o que é melhor para nós. Espero que consigas entender...

Sei que te prometo visitas na minha mente, mas depois faltam-me as forças. Faltam-me as forças para não desabar quando pouso as flores na tua campa. Faltam-me as forças sempre que te imagino debaixo dos meus pés, sem que te possa abraçar. Avó, não imaginas o quanto queria poder novamente sentar-me contigo à mesa. Falar-te de tudo, mostrar-te quem sou. Não consegues imaginar a vontade que tenho de te contar as novidades, de receber um sorriso como só tu sabias dar. Fecho os olhos e vejo os teus traços perfeitamente. Consigo contar-te as rugas. Sabes... temia esquecer a tua face com o passar dos anos. Mas, muito pelo contrário, recordo-te com mais força. Faço-te viver através das minhas recordações, para que a saudade não seja tão sufocante. Parece-me quase impossível mas já passaram quase cinco anos desde o dia em que me despedi de ti. Muitos anos ainda irão passar mas um dia, se tudo o que nos contam for real, irei rever-te. Nesse dia só espero que me digas que tens orgulho naquilo que fiz, naquilo em que me tornei. Estou a esforçar-me por isso, prometo!

3 comentários:

À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?