: Vou arranjar a bonita...


Tenho que começar este texto por salientar duas coisas. Primeiro, eu juro que não sou protestante nem nada do género. Mas desde há uns tempos para cá deixei de conseguir calar a minha opinião só para ser politicamente correcta. Segundo, não tenho nada contra quem acredita num Deus - seja ele qual for. Até prova em contrário eu não acredito. E é exactamente sobre isso que quero falar...

Há umas semanas atrás acompanhei uma amiga minha ao cabeleireiro onde vamos algumas vezes. Ela ia fazer a manicure e eu aproveitei para meter a conversa em dia com as senhoras de lá, que eu adoro. Mal eu sabia onde me estava a enfiar!! Já nem sei como é que a conversa foi parar a este assunto mas assim que eu disse que não queria casar tudo parou naquele salão. Ninguém acreditou em mim porque todas as mulheres queriam casar. Ahmmm... não! Nunca quis casar e apesar de ter ponderado isso há uns anos atrás - uma altura em que quase todas as pessoas que eu conhecia decidiram casar - acabei por concluir que não era um papel que ia mudar o que quer que fosse. Moramos juntos e daqui a cinco anos é como se tivéssemos assinado qualquer papel que fosse. Ainda me tentaram dissuadir dizendo que ao experimentar vestidos mudava de opinião mas cortei-lhes logo o pio dizendo que já tinha experimentado o vestido da minha mãe e não foi isso que me fez mudar de ideias. Nunca valorizei o casamento, até porque nunca tive o sonho de casar pela igreja. Nunca quis um vestido de princesa ou uma princípe numa carruagem. Sempre fui muito prática e hoje não tenho medo de o demonstrar. Há coisas mais importantes que o casamento. Ter um relacionamento feliz e forte é um deles. 

Mas o pior ainda estava para vir... Começámos a falar de filhos e de baptismos. Eu, como não crente, disse a coisa mais lógica para mim: não quero baptizar um filho meu antes que ele tenha consciência do que está a acontecer. Ficaram todas de queixo caído. Como é que era possível eu não me querer casar e ainda por cima dizer que não ia baptizar um filho meu. Que heresia!! Acusaram-me de ser do contra. Quando lá me consegui explicar disse-lhes:

- O baptismo a mim não diz nada. Fui baptizada e o que mudou isso na minha vida? Nada! Pensando assim claro que poderia baptizar um filho meu, mas irei querer mesmo gastar dinheiro numa festa que envolve algo em que não acredito e para a qual mais de metade das pessoas só vão para comer? Padrinhos não têm que assinar um papel na igreja. Mas atenção... eu não vou privar um filho meu de conhecer a religião, seja ela qual for. E se um dia ele quiser ser baptizado e quiser frequentar a catequese não me irei opôr. Mas lá está, será escolha dele.

Ainda assim não se deixaram convencer e ficaram com a ideia de que eu só as queria chatear, por ser diferente daquilo que elas acreditam. Sei que há excepções à regra e conheço crentes que o são sem terem que ostentar nada. Tal como conheço não crentes que não são capazes de respeitar aqueles que acreditam em algo. Mas será pedir muito que respeitem as minhas opiniões e o meu próprio tipo de crença? Como eu disse há uns anos atrás a uma senhora - testemunha de jeová - não acredito em Deus mas acredito em mim. Porque na verdade só eu posso ser a mudança na minha vida. Ainda hoje é isto que me faz mais sentido.

Agora vá... disparem daí as vossas opiniões.

Comentários

  1. Eu acho que cada um tem a sua fé e este tipo de discussões não leva a lado algum. Só temos que nos respeitar uns aos outros :)

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  2. Eu não acredito em Deus, ponto. Desde muito nova fui limando as minhas opiniões e também não me sinto nada constrangida em as partilhar.
    Acho que as pessoas religiosas, seja de que religião for, são muito mais preconceituosas e inflexíveis do que as que não praticam e acreditam em nenhum dogma religioso.

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  3. Há medida que fui crescendo fui tomando cada vez mais essa posição.. Relativamente à "Igreja" não digo que nunca acreditei, mas hoje sei e acredito que não existe nada mais superior do que nós, a não ser nós mesmos. Pela experiência que fui ganhando com anos de vida e com as ideias que crescem e são minhas não consigo ponderar nem acreditar em algo superior.

    Não aguento pessoas com talas na cabeça... Como essas que te ouviram e logo de seguida te nomearam "do contra", não é fácil realmente. Mas podia.
    Espero que sejas feliz e de certeza que a tua macaquinha será ao puder escolher livremente o que quer para si!!!

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  4. Eu acho que cada um tem o direito de acreditar naquilo que lhe fizer mais sentido, ninguém é obrigado a ser igual aos outros. E só temos é de respeitar isso. Quanto ao casamento, partilho das mesmas ideias que tu. Também não sei até que ponto quero realmente casar um dia

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  5. isto podia tão ter sido escrito por mim! a minha avó e a minha mãe ficam chocadas - CHOCADAS! não há palavra melhor! - quando eu digo que não acredito em deus. e eu sempre fui assim. eu só fui à catequese 3 dias (tanto?) e, nessa altura, a minha mãe foi falar com o padre toda aflita a dizer que eu era contra ir à catequese. graças a deus (looooool), o padre disse para ela não me obrigar a nada. e assim foi. sou batizada porque os meus pais o quiseram antes de eu até perceber que eu própria existia mas não tenho a primeira comunhão nem nada dessas coisas. também não me quero casar. não quero ter filhos. a melhor parte é quando me dizem "com a tua idade já eu tinha filhos!" ou "com a tua idade, já tinha casado!". querem o quê? que desista da minha educação e tenha filhos ou me case? as pessoas mais velhas parecem não entender que ninguém é obrigado a casar ou a ter filhos ou a acreditar em deus. :s

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  6. Eu sou católica, mas não é por isso que me imagino a entrar numa igreja vestida de branco e isso tudo, não digo que isso não possa acontecer, mas também não é uma coisa com que sonhe. É como tu dizes, um papel não muda, nem acrescenta nada. E quanto aos baptismos, gostaria que um filho meu fosse baptizado, mas se calhar a opção mais sensata seria como tu dizes "não quero baptizar um filho meu antes que ele tenha consciência do que está a acontecer." porque eles têm de ter a opção de ser o que querem, de escolher no que querem acreditar...

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  7. A nu és tu que me pões nos teus comentários que nunca nunca são óbvios! E tens a clarividência de me dizer que são saudades e são as saudades realmente grande parte do que me consome por dentro agora. E não são só de mim... não são só saudades de mim mesma! É bom saber que lês com olhos tão atentos! Obrigada!

    Quanto ao teu texto... Paciência, muita paciência porque ainda vivemos num país, numa sociedade, numa europa, num mundo de mentecaptos em questões tão básicas! Não quero casar, não quero ter filhos e vejo escândalo e palavras de dissuasão sempre que o digo... E ainda que tivesse um filho daria formação para que ele escolhesse a religião que quisesse e nunca o baptizaria. O meu pai fez o mesmo comigo. Mas aos 12 anos como agora ele já não era presente e a minha mãe baptizou-me. Não sou católica nem crente ou praticante de qualquer outra religião. Muito mas muito pelo contrário e com certeza a religião católica seria a última religião que eu iria escolher para mim!

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  8. P.S.: "Como eu disse há uns anos atrás a uma senhora - testemunha de jeová - não acredito em Deus mas acredito em mim. Porque na verdade só eu posso ser a mudança na minha vida. Ainda hoje é isto que me faz mais sentido." É exactamente assim que eu penso!

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  9. Sabe-me sempre bem ler-te, não sei porquê! É bom estar atenta a pontos de vista como este teu, isto porque me - ou nos - faz ponderar em certas coisas às quais vou acreditando ou duvidando. Já fui de não querer casar pela igreja, porque achava que não seria necessário aquele "espalhafato" todo, etc. Agora, é algo que quero, ainda com alguns se's. Mas é como tu defendes, "Há coisas mais importantes que o casamento. Ter um relacionamento feliz e forte é um deles."

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  10. A minha é exatamente a tua. Andei na catequese porque era dada na escola, fiz a primeira comunhão porque os outros faziam e casei na igreja por achar que não valia a pena entrar em conflitos numa altura em que nós queríamos era estar juntos. Se isso podia fazer mais alguém feliz, então que fizesse. Mas fi-lo com a mesma falta de convicção com que andei na catequese.
    Quando a minha filha nasceu tinha meia dúzia de potenciais padrinhos à espera do convite, mas eu peguei na papelada da miúda, enquanto a mãe se vestia e fui ao registo que existia na Alfredo da Costa e dei-lhe o nome que ambos tínhamos escolhido sem pedir opinião a ninguém.
    Tenho a noção que ainda hoje há quem tenho algumas "comichões" com isso, ou será a minha sensibilidade de pai que vê melhor aceitação dos filhos de diversos pais que foram aparecendo e desaparecendo sem deixar rasto, do que à minha filha que é filha de um só pai, mas isso não me incomoda nada. Pelo contrário, é um argumento que uso para calar as mentalidades retrógradas.
    Fiz em relação à política, o mesmo que fiz com a religião: nunca privei a minha filha de fazer o que entende e quando fez 18 anos, até a levei a votar, apesar de nós não ligarmos minimamente à política.
    Mas estas atitudes só as podemos ter quando somos independentes noutras áreas. Nunca precisei que me criassem a filha e a minha teoria é que quem dá o pão, dá a educação.
    Como dizia o meu velhote: quem não gostar de mim assim, ponha na borda do prato e ponto final.

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  11. O problema do mundo é que tentam ser sempre iguais uns aos outros. Cada um deve seguir aquilo em que acredita e fazer aquilo que se sente melhor. Senão acabamos por nos aniquilar uns aos outros...

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  12. A questão principal é mesmo essa: o respeito. Eu posso acreditar muito em algo (seja o que for), mas isso não quer dizer que eu é que estou certa. Tenho é que saber ouvir a opinião dos outros e tentar entender o lado deles, posso chegar ao fim e continuar a dizer que não me enquadro naquele ponto de vista, mas não posso impor o meu.
    O problema é que fomos "educados" dentro de certos parâmetros e tudo o que saia deles é olhado de lado, o que não faz qualquer sentido.

    r: O contraste entre os estilos músicas resultou muito bem, na minha opinião :) sem dúvida!

    Apoio :D

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  13. É perfeitamente compreensível :P É tudo uma questão de hábito e de prioridade :P

    A meu ver, o cerne da questão encontra-se no facto de as pessoas quererem ser/parecer o que realmente não são. Para isso, limitam-se a pensar como o grupo no qual se inserem e passam a ser como que mentes mecanizadas. Ou seja, sem qualquer tipo de opinião própria!


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  14. Não sou batizado, porque o meu pai não deixou.
    Nunca fui à igreja, porque nunca liguei a nada disso e a minha mãe nunca me obrigou.
    Nunca acreditei em Deus, porque o meu pai sempre nos ensinou a questionar o mundo; O porquê das coisas.
    Não tenho padrinhos nem madrinhas.
    A única pessoa "religiosa" aqui em casa é a minha Mãe, e ela só o é até ao ponto de compreender o "universo". Existe algo grande, mas não é um Deus.

    Posto isto, eu quero ter filhos. Casado ou não. Não os vou batizar, porque não foi assim que cresci e me foi ensinado.
    Estou um pouco como tu (Claudia) e algumas das raparigas nos comentários. O ponto mais importante para mim em termos de educação dos meus filhos, é poder dar-lhes a capacidade de se conhecerem, de auto-introspecção, de fazerem perguntas sem medo, de aprender, ingerir e digerir, de analisarem e estudarem.
    O meu pai foi um ser incrível até aos meus 18 anos. (Ainda está vivo, calma.) Incrível porque nunca nos deu a cana e o peixe. Ensinou-nos a montá-la! Deu-nos a sede pelo conhecimento através de centenas de livros que vão da filosofia à biologia e astrologia (Carl Sagan).
    Ensinou-nos sem tabus, de onde vinham os bebés, e as mulheres com quem a minha mãe trabalhava (30-40 anos) ficavam chocadas por lhe explicarmos o "sexo" que o pai e a mãe faziam para ter um bebé, com a maior tranquilidade do mundo, porque... as coisas eram assim mesmo.

    Por isso, na minha educação, talvez falhe um bocadinho ao incutir-lhe a ciência e não uma religião.
    Tanto eu como o meu irmão temos livros que 80% dos jovens da nossa idade achariam uma seca de ler, porque são muito técnicos ou muito históricos, mas... foi essa a semente que o meu pai plantou. Principalmente porque, se nós não sabíamos o porquê, fazia-nos procurar uma resposta.

    Eu não sou batizado, não acredito em deus e não tive uma educação religiosa. Fui criança. MAS, aceito a religião dos outros e para mim não é um entrave em termos de amizade ou outro tipo de relações.

    (Desculpa o texto longo Cláudia)

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  15. O que é preciso neste mundo não é Deus, mas sim RESPEITO: o que as senhoras não tiveram para ti. É preciso saber respeitar a opinião dos outros.
    kiss na cheek

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  16. Vai com calma ou ainda provocas um ataque cardíaco a alguém! :)

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  17. Se há coisa que eu mais odeio é gente que generaliza, não estou a dizer que o fazes, estou a dizê-lo porque até parece ser isso que as senhoras fazem frequentemente.
    Mas como nos ateus, há vários tipos de católicos e outros crentes.
    Não somos todos iguais, eu sou católica, faço parte de um grupo de jovens e muita gente fica espantada quando vê o que a gente faz e quando vamos a outras terras diz "quem me dera que por cá tivéssemos jovens como vocês", há certas experiências que nos fazem mudar de opinião. Digo isto porque participei nos convívios fraternos e comigo outras tantas pessoas participaram, e umas quantas deixaram de acreditar por alguma razão e explicavam muito bem o seu ponto de vista, como tu.
    A verdade, e para tu veres a dimensão desta experiência, é que saíram de lá com uma maneira diferente de ver as coisas e a acreditar mais.
    Com isto tudo eu quero dizer que há diferentes opiniões e diferentes lados em tudo, e temos de os aceitar.
    Eu, também ainda não me imagino a casar e olha!

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  18. Mais uma vez não podia deixar de concordar contigo! Ah e não é daqui a 5 anos mas sim 2 (se é que te referes ao que eu penso, que após 2 anos em comunhão se pode considerar marido e mulher), mas quanto a esse assunto já sabes a minha opinião. O mais importante é mesmo o amor e felicidade!

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