segunda-feira, abril 18

: Liberdade para brincar!


A coisa que sempre mais me fascinou em trabalhar com crianças foi observar as suas brincadeiras. Sempre me foi dito que devíamos intervir o mínimo possível, para não condicionar as suas escolhas. E, acreditem, é interessante assistir à interacção entre pares. À forma como, quase automaticamente, raparigas se unem às raparigas e os rapazes aos rapazes. É como vermos um reflexo da socidade, mas em miniatura. É ver reflectido nas crianças aquelas ideias pré-concebidas do século passado. Mas depois há aquelas crianças que vêem o mundo do avesso e decidem que querem ser diferentes de todos os outros. E eu só posso dar força a estas decisões, a estas saudáveis "misturas". 

Ao contrário de algumas pessoas com que já me cruzei, não gosto de direccionar as crianças para um género de brincadeiras. Deixo os brinquedos à sua disposição e cada um é livre de pegar naquilo que quiser. Já vi rapazes a brincar com bonecas e raparigas a brincarem com carros. E que mal tem? Nenhum. Eu própria brinquei com carros e joguei à bola. Isso fez de mim menos rapariga? Nem por isso. Gosto dessa liberdade de podermos escolher aquilo que nos faz mais feliz e que condiz por completo connosco. Gosto que não haja recriminações por uma criança pegar num brinquedo que não é "tipicamente" para o seu género. Acho que já ultrapássamos a época em que os rapazes tinham todos de ser muito "machos" e as raparigas muito "delicadas".

A próxima vez que tiverem a oportunidade de observar um grupo de crianças a brincarem percam-se nos seus diálogos. Nas suas expressões. Talvez se revejam um pouco nelas... Afinal de contas os mais pequenos trazem muito daquilo que vêem e ouvem para as suas brincadeiras. E que nunca esqueçamos que a brincadeira não é uma coisa de menina ou de menino. É uma - importante - coisa de se ser criança. E é delicioso assistir!

6 comentários:

  1. Excelente reflexão..não sei se és professora ou educadora ou outra profissão ligada à educação...mas lendo o teu texto até me fizeste lembrar uma terapeuta! :)

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  2. Ouvi dizer que o Paulo Portas gostava de brincar com bonecas e no entanto chegou a vice primeiro-ministro. ahahah

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  3. «E é delicioso assistir», não diria melhor! De segunda a quarta, por causa do estágio, tenho a oportunidade de observar aquilo que mencionaste aqui e é mesmo interessante ver como eles reagem uns com os outros, as escolhas que fazem, os diálogos que estabelecem. Também acredito que devemos intervir o menos possível, para não condicionarmos as crianças, acho que esta atitude é muito mais benéfica para elas.

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  4. Gostei tanto desse texto! Tirei um mestrado numa área completamente diferente na tua mas a educação das crianças foi brevemente abordada e lembro-me de ter chegado à conclusão que criar esse tipo de limitações às crianças pode fazer com que no futuro tenham comportamentos discriminatórios, por exemplo. E na idade delas devem brincar com o que querem e lhes apetece, nem os pais nem ninguém lhes deve impor esses limites! :)

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  5. É mesmo delicioso de assistir ;) Concordo contigo, as brincadeiras não devem ser limitadas ao género. Eu brinquei tanto com rapazes, joguei ao berlinde, à bola, mas também adorava os meus barriguitas e os meus pequenos póneis. :)

    Beijinhos

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?