: Perto, mas longe.


Começou timidamente, como que ameaçando discretamente. A cabeça começou a andar a mil até ao dia em que chegou a um ponto sem retorno. Afundei-me em mim mesma e não vejo forma de regressar ao ar fresco, que sempre me caracterizou. As preocupações já não me abandonam e vivo com o medo sempre à perna. Arranjo problemas onde não existem e preocupo-me com uma antecedência doentia. Ainda assim tento respirar fundo e preocupar-me menos. Tento, aos poucos, recuperar desta pressão que se abateu sobre mim. Tento compreender-me. Perco tanto tempo a falar comigo mesma. Talvez esteja a ficar maluca, não sei. Talvez esteja a aguentar demasiadas coisas, sozinha. Talvez não seja assim tão saudável mentalmente como pensava. A única coisa que sei é que voltei à época em que apenas o isolamento me deixava feliz. Onde perdi o interesse por tudo o que antes me completava. Onde o meu tempo de concentração se tornou quase nulo e a minha vontade de fazer algo não existe. Acordo a pensar que o que eu mais quero é que chegue a noite para me voltar a deitar. Passo o dia a contar as horas para voltar a fechar-me na minha concha. Aquela concha que sempre me protegeu e que, em certos dias, me culpo por ter abandonado. 

Que isto seja só uma fase, é o que mais desejo. Que os sonhos estranhos deixem de existir. Que este vazio sufocante desapareça, para que eu possa novamente respirar. E eu preciso tanto de respirar...

Sei que tenho andado ausente. Sinto que vos devo um pedido de desculpa mas, no fundo, estou a fazer o que sinto ser melhor para mim. Pus em pausa certas partes da minha vida para poder ter forças para aguentar o que me empurra para baixo. Vou voltando assim, de vez em quando. Sempre que sentir que o blogue me irá acalmar a cabeça e o coração. Obrigada a todos os que não desistirem de mim. Hei-de voltar.

Comentários

  1. Força, querida Cláudia. Vai tudo ficar bem.

    Um beijinho muito grande para ti

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  2. Força, minha querida! Qualquer coisa que precises, estou aqui.

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  3. Muita força, Cláudia! Que esse sentimento triste se afaste do teu ser e que (re)encontres a alegria que te lança na aventura!

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?