terça-feira, setembro 6

: Corações murchos, morto amor.


Já ninguem morre de amores, ouvi alguém dizer um dia. Já ninguém rouba flores de jardins alheios para oferecer um bouquet improvisado à janela do quarto. Já ninguém deixa que o coração lhe seja roubado. O amor perdeu a sua vida e nós perdemos o amor, para sempre. Somos rosas murchas sem água que nos salve. Já ninguém morre de amores, é a frase que não me sai da cabeça. Já ninguém se dispõe a amar tanto que lhe doa a alma. Já ninguém se perde nas saudades, deixando-as para os tolos que ainda acreditam que um dia o mundo nos poderá abraçar. Já ninguém morre de amores, mas mesmo assim continuo a amar. Continuo a dar tudo de mim, a ser tudo - ou nada. Continuo a ver todos os gradientes do preto no branco. Sou o meio copo cheio, romântica com coração mole. Talvez devesse ter sentimentos de pedra, como todos os outros. Talvez devesse não ser a única que ainda morre de amor. Mas a verdade é que sou. E não saberia ser de outra forma.

#histórias de bolso
#off the records

3 comentários:

  1. Que texto lindo! Tens toda a razão...

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  2. É pena que muitas pessoas se fechem tanto ao amor quando é ele que nos salva. E não falo apenas no amor entre casais, mas entre amigos e família também. Parece que se fecham numa bolha, por medo, por pouca vontade de arriscar, por falta de capacidade de entrega... talvez as razões sejam muitas e difíceis de enumerar.
    Por muito que me possa magoar, também só sei dar tudo de mim!

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  3. Hoje em dia há pessoas com pedras no lugar do coração, mas graças a Deus ainda há também pessoas que dão "tudo" aquilo que têm quando estão apaixonadas!

    sigo o blog!*

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?