terça-feira, outubro 18

: Cresço com eles; Para eles.


Lembro-me que quando era estagiária pensava demasiado nas coisas. Tentava arranjar uma justificação sustentada para tudo. Lia mil textos e tinha que ter tudo controlado. Até ao dia em que a minha orientadora me disse "Cláudia, abranda. Deixa-os ser crianças e faz menos atividades". Eu estava tão preocupada em mostrar trabalho que, sem me aperceber, os estava a condicionar negativamente. A inexperiência de alguém que ainda temia cada novo dia.

Agora?! Agora deixo o dia fluir. Agora não me preocupo em justificar teoricamente cada palavra, passo ou decisão. Deixo-me ser eu e deixo-os ser eles. Se antes eu iria para casa a pensar em tudo o que poderia fazer para inovar, agora deixo que os dias se construam a si próprios. É óbvio que planeio determinadas coisas - não sou assim tão desleixada - mas acabei por encaminhá-los para outros locais da sala (como a biblioteca ou os jogos) sem ser preciso escrever uma tese sobre isso. Sem ser preciso perder dias a pensar sobre o porquê de eles só quererem estar na área da casa ou na da garagem. Lembrei-me simplesmente, um dia da semana passada, de lhes dizer para se sentarem a ver uns livros. Desde aí a biblioteca tornou-se o sítio preferido de alguns deles. Desde aí que os jogos os têm desafiado e me têm mostrado quais são as suas fragilidades a serem trabalhadas.

Sim, as crianças precisam ser direccionadas. Sim, é minha função encaminhá-las por determinados caminhos. Mas aprendi, com a minha ainda pouca experiência, que com calma e tempo tudo se alcança. Estou com este grupo desde Maio e já noto diferenças exponenciais em todos eles. E é aí que sinto que o meu trabalho está a ser feito. Quando chegam de manhã e me sorriem. Quando me vêm dar um abraço. Quando me procuram porque precisam de algo ou quando me querem simplesmente mostrar algo. Quando transmitem aos outros adultos ou a outras crianças as regras da sala. É aí que eu sei que fiz bem em tomar esta decisão para nós: esta da sala ser um mundo aberto. Todos os dias descobrimos algo novo, juntos.

3 comentários:

  1. Que bom saber que há pessoas que tratam tão bem as nossas crianças ;)

    ResponderEliminar
  2. Precisam que os orientamos, ao mesmo tempo que lhes permitamos levantar voo sozinhos. Com a prática vamos compreendendo isso.

    ResponderEliminar
  3. é o que acontece quando se faz o que se gosta, cláudia :)

    ResponderEliminar

À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?