: O poder de me reinventar.


Há já alguns anos atrás, na minha primeira espécie de estágio, uma criança disse não compreender os adultos. Antes que eu pudesse responder logo uma outra se sobrepôs: e achas que eles se entendem a eles mesmos? Não é que ela, do alto dos seus cinco anos, tinha toda a razão? Ora há dias em que fazemos tudo para o lado direito. Mas depois, de repente, passamos a querer fazer tudo para o lado esquerdo. E as crianças, por muito que não acreditem, apercebem-se de tudo isso.

Já fui, por várias vezes, agarrada na teia das regras que criámos para a sala. Se na maioria dos dias lhes digo para comerem com calma - visto que não vamos apanhar o comboio - há outros em que preciso que se despachem um pouquinho mais rápido. E eles olham para mim, confusos, sem perceber o que pretendo afinal. Outro exemplo, normalmente tento que eles acabem aquilo a que se propõe: seja um trabalho, uma brincadeira ou um jogo. Mas já aconteceu eu querer passar para outra atividade e quando lhes pedi para arrumarem um puzzle eles olharem para mim e dizerem-me: Não Cláudia, tens que nos deixar acabar. E eu deixei. Porque afinal de contas eles têem razão. Criei as regras e agora, por capricho meu, acho que devem ser contornadas?! Que tipo de adulta seria se passasse essa mensagem aos mais pequenos?!

Orgulho-me, todos os dias, por ver que posso confiar neles. Que eles são responsáveis. Que gostam de cooperar comigo. Orgulho-me sempre que eles me mostram as minhas falhas, para que eu possa continuar a crescer. Sim, há dias em que nem eu própria me compreendo. Mas nesses dias normalmente os meus pequenos mostram-me o caminho...

Comentários

  1. Que essa âncora jamais cesse de te escorar...
    Adorável!

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  2. As crianças vêem as coisas de uma forma bem mais simples que nós. E têm toda a razão quando dizem que nós, adultos, não nos entendemos uns aos outros. Como é que eles nos podem entender, quando temos atitudes tão estranhas? Que pequenos amorosos e espertos =)
    ****

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