: O tempo que não existiu.


Hoje o vento fez-me lembrar o dia em que te conheci. Fez-me lembrar aquela luta inglória que eu travava para apanhar os papéis que me tinham voado da mão. Parecia uma tola a correr de um lado para o outro. Até que apareceste tu e sem nada ser preciso dizeres te tornaste cavaleiro andante, salvador não da pátria mas do pouco orgulho que ainda me restava. Recolheste as folhas que pareciam estar a deleitar-se com a minha corrida e vieste ter comigo, com um passo certo e decidido. Lembro-me que corei, envergonhada com as figuras que poderias ter visto. Sorriste-me, de forma amigável e eu fiquei sem palavras. Talvez nunca vás saber mas não estou habituada a ter alguém a estender-me uma mão amiga. Sempre dependi apenas de mim, acreditando que esperar algo de terceiros é meio caminho andado para nunca chegarmos a lugar algum. E agora vejo que talvez estivesse errada. Talvez não faça mal confiar um pouco em sorrisos de estranhos, em ajudas sem segundas intenções. Mas agora é tarde... Deixei-te ir sem trocarmos palavras, nomes. Deixei-te ir no vento e nem fiz o mínimo esforço para te apanhar. Espero que o vento te traga até mim, novamente. Estou à espera no tempo que não passou. No tempo que ainda não vivemos.

#histórias de bolso
#off the records

Comentários

  1. R.Não doi tanto como pensamos, acredita. Doi menos que arrancar um dente, mas claro depende do tatuador. No meu caso, este rapaz foi super simpático e com condições de higiene, o que é o mais importante nestas coisas.

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  2. Volta a deixar cair as folhas, pode ser que ele apareça. :)

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  3. Quando temos as pessoas certas ao nosso lado podemos ir longe. Adorei, como sempre!

    r: Sim, concordo. Nem sempre um caminho a direito é o que mais nos beneficia :)

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?