quinta-feira, março 23

: Carta à Cláudia que ainda serei.

Ericeira. 1998/1999

Calhou encontrar fotos minhas de há muitos anos atrás. De quando ainda não sorria abertamente porque tinha aquele dente de vampiro que me envergonhava. Quando ainda era insegura e achava que não era capaz de ser alguém. Encontrei fotos de tempos tristes onde o meu olhar era vazio, apesar de eu sorrir. Encontrei fotos da época em que percebi que eu importava. Da época em que conheci o David e o meu olhar se encheu de esperança. E de amor. Relembrei quem eu era e sorri. Sem apertos no coração. Já fui tão frágil, tão fácil de partir. Já fui ingénua, tão fácil de enganar. Já fui tão pouco, tão calada, tão parada. E agora sou tanto. Sou extrovertida, mexida, sem pudores. Abraço os momentos constragedores e brinco com situações que antes me iriam deixar corada. Aprendi a respeitar o meu corpo e a aceitar-me, com todas as minhas imperfeições. Não tenho saudades de ser a menina com cintura de vespa. Não tenho saudades de vestir números pequenos. Não tenho saudades da minha necessidade de encontrar um grupo onde me incluísse. Percebi que não sou eu que tenho que encontrar um grupo, o meu grupo irá formar-se sem ser preciso lutar por isso. Percebi que não é um número de roupa que me define, mas sim a minha personalidade. Percebi que não é por ter uma perna grossa que sou menos do que alguém magro: chegamos todas ao mesmo sítio! No meio disto tudo só tenho saudades de uma coisa: do tempo livre que tinha!!

A ti, Cláudia do futuro, nunca te esqueças de quem foste. Nunca te esqueças daquela menina calada que lutou sozinha contra os seus fantasmas. Nunca te esqueças daquela menina que passava tardes a ler, porque os livros sempre foram os seus melhores amigos. Nunca te esqueças daquela menina que aprendeu a ser furacão e que aprendeu a nunca depender de ninguém, para nada. Nunca te esqueças da menina que superou um grande desgosto de amor e que aprendeu que afinal um amor para sempre pode existir, com a pessoa certa. Sejas tu quem fores nunca te esqueças da pessoa que és no hoje e que foste no passado. Avança, sempre para melhor. Desafia-te. Descobre-te. Sê sempre mais. Sei que não me irás desiludir.


Pode até não parecer mas nestas fotografias estão diversos anos representados. Desde 2005, no secundário que odiei e onde tive uma primeira relação desastrosa. O parque de campismo que me ajudava a escapar à tristeza. Passando por 2009, ano em que entrei na faculdade e aprendi a soltar-me (na foto do traje falta a capa porque esta foi a primeira foto que a minha mãe me tirou e eu ainda nem fazia ideia das mil regras!!). Até passar por 2010 quando comecei a namorar com o David e onde o meu sorriso passou a ser outro. Mudei tanto psicologiamente mas a caparaça velha continua igual! Ou quase igual!!

7 comentários:

  1. Serás uma mulher ainda Maior, com M grande ;) Orgulha-te todos os dias :) Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. É incrível como a imagem que temos de nós vai mudando! Crescemos e passamos a valorizar o que fomos. E é mesmo importante não nos esquecermos, porque é isso que nos motiva, nos mantém humildes e nos ajuda a superar.

    ResponderEliminar
  3. A ti, Cláudia do futuro que sorrias sempre cada mais mais feliz e em paz. O passado muito vezes é uma introspectiva do que fomos, do que somos e do iremos ser... Uma ajuda fundamental, por mais que tenho custado.

    Um beijinho :)

    ResponderEliminar

À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?