sábado, março 18

: Casais divorciados: E as crianças, como ficam?!


Ao longo do meu crescimento foram raras as vezes que tive contato direto com casais divorciados. Tive um colega cujos pais se tinham divorciado mas a relação entre eles era super leve e davam-se bem. Nunca presenciei dramas, discussões. Nunca vi a criança ser moeda de troca. Até há uns anos atrás. Desde que comecei a trabalhar diretamente com crianças comecei a contactar com vários tipos de casais divorciados. E há três casos em especial que trago hoje, num género de reflexão para que possamos perceber que ser-se um casal divorciado com filhos não é uma moeda só com uma face. 



Caso A - O pai só se lembra que tem filha de quinze em quinze dias, quando é "obrigado" a ir buscá-la. Não paga a pensão de alimentos e apressa-se a pôr a filha nos avós paternos, apesar de saber bem o quanto a menina gosta dele e o quanto ela anseia pelos fins-de-semana, estando sempre a perguntar-me quando chega o pai. Infelizmente ela começa a perceber que não é a primeira opção do homem que a devia amar acima de tudo e todos. E por isso nem sempre quer ir com ele. Parte-me o coração ter que ser eu a dizer-lhe que o pai vai adorar vê-la. Quando, no fundo, sei que ele está quase sempre ausente. Ainda assim a mãe e os avós maternos são os primeiros a incentivar o contacto com o pai, por saberem o quão bem faz à pequena. As guerras que possam existir entre adultos ficam só entre eles, deixando a menina de parte.

Caso B - Os pais separaram-se mas têm uma relação de amizade de tal forma "aberta" que são eles próprios que se organizam com os dias em que cada um fica com o menino. Neste caso a mãe queixa-se que o pai às vezes se mete demasiado em certas coisas. Não sei em pormenor a razão da sua "queixa" mas sei que o comportamento da criança em questão muda - para pior - quando passa alguns dias com o pai. Ainda assim acho que muitas mulheres davam tudo para que o pai se preocupasse tanto que aproveita todas as folgas para ficar com o filho!

Caso C - Neste último caso ficou estipulado pelo tribunal que os pequenos ficariam semanas intercaladas com cada progenitor. O pai é super presente, tal como o do caso B, mas a mãe sofre com o facto dos filhos poderem achar que a namorada do pai também é sua mãe. Ela falou comigo sobre isso uma vez e eu disse-lhe a mais pura das verdades: Eles sabem quem é a sua mãe. Mas que ela devia ficar descansada por saber que a outra mulher, que no fundo não tem culpa nenhuma da separação, também trata bem os pequenos. Decerto não quer ser a mãe deles - visto que eles têem uma e bastante preocupada, por sinal - mas isso não invalida que os trate com o maior carinho possível. É até positivo que o faça! Este é um casal que foi conseguindo melhorar a relação ao longo dos meses e agora fazem cedências para que os dois lados possam presenciar o crescimento dos filhos.

O que une todos estes casos?! O facto de termos que procurar o que é melhor para as crianças. Para que se sintam protegias. Para que sintam que os seus pais, apesar de estarem separados, os continuam a amar da mesma forma. O que une todos estes casos é as preocupações que as mães exprimem e as angústias que as consomem. Porque, clichés à parte, nós mulheres sofremos muito mais com os mil e um pensamentos que nos surgem na mente. Sofrem, principalmente, quando os filhos estão longe. O que une todos estes casos é o facto das famílias terem que procurar uma sintonia no meio de toda a dor e luto necessários a uma separação. Há que pôr guerras para trás das costas e manter a criança em território neutro. Os mais pequenos não têm culpa e não devem ser utilizados como ameaça. Há que ser adulto e resolver os assuntos em off

Ainda não sou mãe mas não estou livre de um dia mais tarde ter um filho e acabar por me separar do David. Já lhe pedi - lá está a minha mania de antecipar o que pode até nem acontecer - para que caso isso realmente se concretize nós não deixemos a raiva ou a tristeza toldar-nos o discernimento. Em primeiro lugar estará, sempre, um possível filho. Em primeiro lugar o bem-estar dele. Mesmo que o amor se vá embora terá que ficar a amizade, por um bem maior.


Em vésperas do Dia do Pai resta-me desejar que todos os pais sejam mais presentes. Que sejam mais disponíveis para as pequenas coisas. Que peguem ao colo. Que protejam. Que se preocupem. Que não achem que as crianças só querem a mãe. Que sejam mais pais e mereçam esse nome. Neste Dia do Pai desejo que mais crianças possam abraçar os seus heróis e que só haja alegria nessa relação!

6 comentários:

  1. O bem-estar dos filhos deve estar em primeiro lugar. O casal pode não funcionar entre si, mas a criança não tem culpa disso, portanto os danos têm que ser minimizados. É preciso deixar guerras de parte e tentar criar uma relação cordial, pelo menos o suficiente para que o crescimento dos filhos seja saudável e não num ambiente sufocante.

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  2. Infelizmente já tive contacto com vários casos em várias dessas situações. Felizmente não foram os meus pais e espero que nunca aconteça comigo mas o dia de amanhã só Deus sabe. Beijinhos*

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  3. A mais violenta das constatações é a de que não podemos escolher os nossos pais biológicos. A mais esperançosa das crenças é a de que se formos afortunados teremos figuras paternais e maternais refractadas em várias pessoas, sejam avós, tios, padrinhos, ou até irmãos mais velhos. Pois mesmo quando surge um clima sombrio na vida de um inocente, é inspirador surgir algures uma candeia que o alumie... mesmo quando essa luz brote "indirectamente" em gente com trabalhos e acções como a tua.

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  4. O bem estar dos filhos deve ser sempre uma prioridade. Infelizmente são muitos os casos em que isso não acontece .

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  5. Concordo com tudo o que disseste! É preciso pensar no bem estar do filho independentemente da relação ter corrido bem ou mal. Foram eles os responsáveis por trazer aquela criança ao mundo, por isso é da responsabilidade deles darem-lhe a melhor educação, amor e estabilidade emocional :)

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  6. Também já fizemos esse acordo entre nós: se um dia tivermos filhos e nos separarmos, as crianças serão sempre a prioridade e nunca as havemos de meter no meio dos nossos possíveis problemas. Mais do que achar que escolhi bem o namorado, acho que escolhi bem o futuro pai dos meus filhos e não tenho dúvidas de que os filhos serão sempre prioridade.

    Claro que são cenários hipotéticos e que espero que nunca se concretizem. Mas conhecendo-nos como conheço e sendo nós amigos ha tantos anos (muito antes de sermos namorados), tenho plena confiança nas pessoas corretas e com bom senso que somos e na nossa capacidade de sermos, acima de tudo, amigos para o que der e vier.

    O problema é que as pessoas têm filhos muitas vezes só porque sim, sem contarem com o outro ou sem pensarem como seria se a coisa desse para o torto. Eu acho importante falar destas coisas de antemão, para depois não correr atrás do prejuízo e não haver arrependimentos.

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?