: Na viagem que é a vida.


Sempre quisemos viver a vida como o coração mandava. Saíamos de casa e percorríamos a estrada, sem destino definido. Sem preocupações. Vivíamos o verão como se fosse a última vez que víssemos os lugares pelos quais passávamos. Olhávamos um para o outro, de sorriso no rosto, deixando que as escolhas repentinas fizessem o nosso futuro. Éramos o maior cliché de amor que já alguém tinha visto. Mas depois a realidade bateu-nos à porta. Deixámos de ser jovens. As responsabilidades fizeram com que os verões se tornassem mais curtos, menos saborosos. Queríamos mais, sempre mais. Mas esse mais fugia sempre. Nós acabámos por fugir um do outro, mesmo que o amor teimasse em grita que ficássemos juntos. Os caminhos afastaram-se e as viagens - que nos pareciam sem fim - terminaram. Agora que revejo fotos de tempos idos tenho saudades. Saudades de ti. Saudades de ser jovem. Saudades do tempo em que a minha única preocupação era que o sol se punha demasiado cedo, para todas as aventuras que queríamos viver. Crescemos e, algures no tempo, deixámos de ser vida em flor. Tornámo-nos árvores, de raízes presas ao chão. O que eu dava, meu amor, por mais um dia de juventude. Ao teu lado. 

#histórias de bolso
#off the records

Comentários

  1. A vida avança sem nos pedir licença e sem nos avisar de todas as mudanças que, um dia, teremos que enfrentar.
    Texto maravilhoso, como sempre!

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  2. Gosto muito! O choque de realidade, às vezes, é triste.

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  3. Aquele choque com a realidade
    http://retromaggie.blogspot.pt/

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  4. R.: Por acaso já pensei em fazer um voluntariado numa creche.
    Acho que tambem tens razão quando dizes que para quem ama o que faz, ha sempre um lugar. É verdade. Há sempre lugar para os melhores! E muitas vezes quando as pessoas nos incentivam a desistir, é porque na maioria das vezes, também não estão satisfeitas com aquilo que fazem na sua vida. Quando uma pessoa é positiva em relação a vida, ela incentiva-te a seguir aquilo que te faz feliz e não aquilo que te faz ganhar mais dinheiro.

    Obrigada pela tua opiniao. Neste ano de caloira, tenho andado menos ativa em relaçao a investir na minha evoluçao enquanto educadora, mas também é porque eu ainda me estou a adaptar a isto tudo. Nova cidade, novas pessoas. O 1º ano tem o que lhe diga! Mas pretendo por maos a obra em breve.
    Quando é que começaste a investir na tua educaçao fora da faculdade? Foi logo no 1º ano?

    Obrigada. Beijinhos*

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  5. Assim que possas vê a série porque está incrível! E que texto! Tão lindo, muitos parabéns! Sem dúvida que não ter determinadas responsabilidades é muito bom, mas a vida obriga-nos a crescer. Beijinho, Ana Rita*

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