terça-feira, junho 20

: Sobre os incêndios...


Durante a minha juventude sempre estive relativamente longe de incêndios preocupantes. Aquele que esteve mais perto foi nuns terrenos nas traseiras do parque de campismo onde estava e foi rapidamente controlado. Tanto que nem sequer saí da piscina. Lembro-me também de estar numa das praias da Serra da Arrábida e de ver um helicóptero a passar com água. Nesse dia perguntei à minha mãe o que faríamos se o fogo viesse para o nosso lado. Foi nesse dia que percebi que, de um momento para o outro, tudo pode mudar. Quando há cinco anos comecei a ir ao Norte no verão o meu coração começou a preocupar-se. Logo nessa primeira ida houve um incêndio enorme e, infelizmente, vi as chamas da janela do quarto onde estava - ainda que estivessem bastante longe. Agora sempre que lá vou ao mínimo cheiro de queimado fico alerta. Por mim e pelos meus familiares. Fico em sobressalto por estar numa aldeia com uma única estrada que serve de entrada e saída. 

O que aconteceu no distrito de Leiria poderia acontecer em Viseu. Poderia ser eu a tentar fugir e a ficar refém das chamas, num pânico que ninguém consegue imaginar. Poderiam ser familiares meus a nunca regressarem aos seus lares. Poderiam ser conhecidos a perder o trabalho de uma vida. E foram estes pensamentos que me deixaram o coração apertado e de lágrimas nos olhos. Todas aquelas pessoas só queriam escapar. Só queriam viver. Os bombeiros, esses heróis tantas vezes esquecidos, tentam nestes momentos de aflição salvar o máximo possível de pessoas, bens e natureza. Mas como poderão eles fazer mais se tantas vezes os caminhos são praticamente inacessíveis? Ou se as autoridades competentes só se lembram de limpar as matas e florestas quando já o fogo começou a atacar? A preservação do nosso país não pode ser uma preocupação apenas nestes meses infernais. Há que se fazer um trabalho anual. Há que encontrar métodos de prevenir tragédias como esta que atacou Pedrogão Grande, Castanheira de Pêra e tantas outras aldeias que nunca pensámos conhecer o nome.

Agora é tempo de ajudar quem precisa, de dar um ombro amigo a quem perdeu tudo. É tempo de delinear estratégias para que nunca mais aconteça algo assim. O nosso país é lindo. Vamos fazer o melhor por ele e para quem vive nele. Sejamos, todos, mais responsáveis. 

11 comentários:

  1. Há muito trabalho de bastidores que o nosso governo se tem "esquecido" de preparar. O que aconteceu em Pedrogão podia ter acontecido em qualquer lado sobretudo se foi causado pelos raios mas se as matas estivessem minimamente limpas poderia evitar-se alguma coisa. Podem me atirar pedras mas sou 100% a favor se colocassem os presos (que estarem numa cela é como se estivessem de férias) e outras pessoas que por ai andam a receber subsídios quando podiam bem fazer alguma coisa minimamente útil.
    Nenhum de nós está imune a tragédias destas, ainda mais quando menos esperamos, mas acho que há muitas mesmo muitas falhas por parte do governo a vários níveis deste assunto que todos os Verões nos atinge :(

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  2. O problema é que só nos lembramos destas coisas quando o mal já está feito. Andamos sempre a remediar porque não queremos prevenir. É uma tristeza isto tudo. Pessoas que nunca mais vão ser iguais, cuja vida perdeu sentido. Não consigo imaginar ficar sem tudo aquilo que se vai construindo ao longo de uma vida.

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  3. Estas coisas nunca trazem nada de bom. A perda de vidas, de casas, de memórias... tudo fica resumido a cinzas.
    É como tu dizes, as preocupações relacionadas com este assunto não deveriam apenas acontecer nestes meses mais críticos, mas sempre. Há coisas que se podem fazer, talvez não para evitar, mas para estes estragos não serem tão grandes!

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  4. o principal problema é que só começam a prevenir as situações depois de estar o caos instalado :(

    r: hmmm... vou pesquisar sobre esse livro! obrigada! :D

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  5. Estes incêndios fizeram-me pensar mesmo nisso: como tudo, de um momento para o outro, pode mudar e, por vezes, numa questão de minutos, perdemos a nossa vida. Faz-me dar graças a Deus por ainda estar viva, saudável e rodeada de quem amo. Infelizmente, muitos não tiveram a mesma sorte, à conta destes incêndios.

    Apoio o apelo do último parágrafo, vamos ajudar o nosso país a ser melhor e a ultrapassar isto :).
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  6. Tem que ser uma preocupação constantes. Infelizmente, situações assim podem acontecer na mesma, mas acredito que se o cuidado for regular podem minimizar-se muitas consequências.
    É um momento absolutamente desolador :(

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  7. Tenho muito medo dessas coisas. E quando isto acontece, arrepio-me toda ao olhar para qualquer extensão de mato perto de mim. Eu moro perto de Setúbal e essas praias da Serra deixam-me um bocadinho em pânico. Se aquilo dá em arder com uma dimensão destas, meu deus. Nem é bom pensar. Portugal só se preocupa em combater, não prevenir :(

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  8. r: Uma parte de mim acredita que o pior já passou, mas outra parte fica ali um bocado reticente, precisamente por ser bastante envergonhada. Ainda há uns dias estava a falar com uns amigos e comentamos que ficamos extremamente nervosos, mas que nos esquecemos que a parte oral tem um valor mínimo na nota. É impressionante, mas nem mesmo assim uma pessoa fica completamente descansada.
    Tendo em conta o que escrevi, já me questionei sobre possíveis perguntas que me possam fazer e vou respondendo mentalmente, para me ir preparando. Como optei por ir à segunda fase, aproveitei a primeira para ir ver as defesas. Já tinha feito isso quando estava na licenciatura e no primeiro ano de mestrado, e achei que agora fazia ainda mais sentido. Porque acho que é bom irmos com uma ideia de como é que as coisas funcionam, mesmo que todas as defesas sejam distintas.
    Muito, muito obrigada, minha querida <3

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  9. Estas situações também me fazem ficar a pensar, em como tudo mudo de um momento para o outro...
    É tão triste, mas o importante é mesmo isso: o prevenir, preparar as pessoas para este tipo de situações, há mesmo pouca informação ...

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?