: Ter um cão?! Dicas para futuros donos.

Os meus dois amores!

Quando se decide ter um cão há muitos factores a ponderar. A escolha deve ser feita, acima de tudo, depois de muita pesquisa. Deixo-vos alguns tópicos que poderão ajudar-vos a perceber se acrescentar um cão à vossa família é, sem dúvida, a melhor escolha.

1. Tenham atenção à raça que escolhem. Seja num canil ou diretamente a um criador escolham um cão que se adapte a vocês. Se, por exemplo, têm uma vida muito preenchida e gostam de passar o vosso tempo livre a descansar não escolham um cão que precise de muito exercício físico. Ou não escolham um cão por ser fofo sem se preocuparem se ele vai ficar do tamanho de um pónei, caso não tenham um espaço adequado para ele. Há raças que se adaptam bem a um apartamento, outras nem tanto. Não sejam precipitados.

2. Se pretenderem uma raça em especial estudem-na! Se tiverem uma raça em mente informem-se. Saibam quais as particularidades dela e todos os cuidados a terem, de modo a preparem-se. O truque é não ser apanhado desprevenido. Quando decidimos que iríamos querer um bouledogue francês estudámos tudo ao mais ínfimo pormenor. Posso dizer-vos que demorei mais de um ano até ir buscar o Floki e foi a nossa melhor decisão. Se forem buscar um cão sem raça definida tentem saber quais eram as raças dos pais, visto que desse modo conseguem saber um pouco mais do tipo de comportamento que podem esperar. A genética conta muito nestes casos!

3. Informem-se bem em relação aos criadores. Na maioria dos casos as pessoas preferem ir adotar a canis - algo que pretendo fazer no futuro - mas há quem recorra a criadores. Foi o que eu fiz. E porquê? Primeiro porque queria uma raça em específico que muito dificilmente se encontra em canis. Segundo - e sendo mais "egoísta" - porque nunca tinha tido um cão e queria a experiência de criar um desde bebé. Sendo assim pesquisei imensos criadores e começámos a perceber as diferenças entre eles. Acabei por ir buscar o meu patudo a uma criadora que ama cães em geral e que faz apenas uma ou duas ninhadas por ano. É uma criadora que está sempre disponível para nos receber e que nos atende a qualquer hora, sempre que temos alguma dúvida. 

A todos os que quiserem ir buscar um cão a criadores atenção à forma como eles lidam convosco. Se não vos quiserem receber no local onde têm os cães é uma alerta vermelho! Peçam para ver os pais dos cachorros e, acima de tudo, analisem bem as condições em que são criados. E, por favor, ponderem a saída do vosso cachorro antes dos três meses. Sei que a ânsia de o ter em casa é muita mas se saírem mais cedo do que essa idade não vão poder ir logo à rua e estão a restringi-lo num mau momento: na altura em que eles devem conviver com os irmãos para aprenderem mais do comportamento canino. Eles aprendem a ser cães com outros cães!!

Acima de tudo, não se deixem levar pelos preços mais baratos. Na maioria dos casos acaba por vos sair mais caro depois!

4. Preparem-se para o dinheiro que vão gastar. Veterinário. Vacinação. Desparasitantes internos. Desparasitantes externos. Ração. Biscoitos. Trelas. Coleiras/Peitorais. Brinquedos. Camas. Toda uma infinidade de pormenores que eu nem imaginava. Felizmente já existem muitas lojas online como, por exemplo, a Tienda Animal e a Loja do Cão que facilitam as compras e que nos poupam dinheiro! Se em alguns destes pontos dá para poupar, como nos brinquedos, há outros em que devemos ter atenção. Eu, pessoalmente, não compro ração de marca branca. Mas também não gasto rios de dinheiro. Procurei uma ração boa, para esta raça em específico, dentro de um bom preço. Ainda assim prefiro gastar um pouco mais e saber que não estou a arranjar problemas de pêlo ou de estômago ao meu cão. Nem todas as raças são iguais e, por exemplo, o cão dos meus pais come ração de marca branca. Daí ser de extrema importância informarem-se dos cuidados a ter com o vosso cão em específico!

5. Vão ter que apanhar o cocó do vosso cão! Se não estão disponíveis para manter a rua limpa então o melhor é nem terem um cão. Não há nada pior do que sairmos da nossa casa e termos xixi ou cocó mesmo à porta. Por duas vezes o meu cão não aguentou até à relva onde costumamos ir e fez xixi pelo caminho. Mas, por norma, ele só faz ou em casa ou no relvado. E, mesmo assim, apanho todo e qualquer cocó que ele faça. Para além de manter o espaço limpo - espaço esse que não sou a única a usar - é uma questão de civismo. Infelizmente a maioria dos donos de cães nem se preocupam em levar sacos quando vão passear. Isso diz muito de uma pessoa!

6. Ponham regras desde o início. Se, por exemplo, não querem que o cão suba para o sofá então nunca o deixem subir. Estabeleçam limites e sejam consistentes. Os cães, principalmente se forem bebés ainda, vão esticar a corda e testar-vos. Vão tentar ver até onde vocês dobram e irão fazer muitas patetices. Há que ter paciência e, acima de tudo, ser coerente. Eles agradecem porque assim saberão, ao certo, o que fazer e como se comportar.

7. O cão vai pertencer à vossa família. Adoptar um cão é um compromisso para a vida. Se não estão preparados para assumir isso então é melhor não darem esse passo. Têm que estar preparados para o melhor e para o pior! Acrescentar um cão à família é assumir que estaremos presentes mesmo se ele adoecer. Em contrapartida ele vai amar-vos sem segundas intenções. E é o melhor amor que poderão sentir.

8. Podem chegar a casa e terem coisas destruídas. Ainda antes de irmos buscar o Floki tomámos a decisão de que iríamos comprar um parque próprio para cães onde ele ficaria enquanto fôssemos trabalhar. Provavelmente ele até não iria estragar nada, tendo em conta o comportamento dele quando estamos em casa, mas preferimos não arriscar. Se a vossa decisão for deixar o vosso cão solto pela casa, quando não estão lá, então preparem-se porque poderão encontrar algumas surpresas. Ou até mesmo convosco em casa. Se o vosso cão for destruidor tentem arranjar brinquedos que o estimulem intelectualmente. Hoje em dia existem imensos brinquedos nos quais se podem pôr comida e que os mantêm entretidos durante muito tempo. Enquanto eles estiverem distraídos as vossas coisas estarão a salvo!!

9. A vossa casa nunca mais vai estar imaculada. Neste momento não tenho tapetes na sala, na cozinha e no corredor. Não só porque de vez em quando o Floki ainda se distrai em relação aos xixis - também ainda só tem seis meses - mas porque quando ele começa a correr durante as brincadeiras os tapetes ficam todos enrolados. Tenho jornais num espaço da cozinha para qualquer eventualidade. Tenho brinquedos espalhados pelo chão. O meu quarto foi adaptado para ele dormir junto à nossa cama. Se me importo? Nem por isso. Eu bem arrumo a casa, varro, aspiro, lavo o chão. Cinco minutos depois já tenho o chão patinhado ou pêlos no chão. Foi algo a que tive que me habituar e que teve que deixar de me fazer confusão. Mas nem todas as pessoas se adaptam a esta realidade. Ponderem bem este ponto!

10. Terão que dedicar tempo ao vosso cão. Não é só dar comida e levá-lo à rua. Há que dedicar tempo à relação humano/cão. Brincar com ele, dar-lhe carinho, escová-lo, limpar-lhe os ouvidos, ensinar-lhe truques, dar um passeio mais longo do que o normal. Os cães vão adorar-vos e irão fazer uma festa sempre que regressarem a casa, mesmo que só tenham saído por meia hora. Retribuam esse amor mostrando-lhes que também são especiais para vocês. A intensidade de um amor canino não dá para explicar. Se realmente quiserem adicionar um patudo à família estejam cientes de que o vosso cão irá precisar de muitos bens materiais mas a melhor coisa que lhe poderão dar é o vosso tempo; a vossa dedicação. Se assim for terão um melhor amigo para toda a vida!


Leitores que tenham cães... Mudariam alguma destas dicas? Acrescentariam alguma?

Comentários

  1. Já tive dois e acho que estas dicas são super adequadas! É mesmo importante ponderarmos vários aspetos antes de tomarmos a decisão definitiva de termos um cão, porque, inevitavelmente, a nossa vida muda com a sua chegada e há cuidados que não podem ser descurados. Se as pessoas se encontram numa fase em que sabem que não têm disponibilidade (seja emocional, seja temporal), mas vale não avançarem com essa decisão, caso contrário a experiência não será positiva não só vão condicionar o crescimento saudável do cão, como também vão perder a paciência com muita facilidade.

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  2. Falaste de algo fundamental que pouca gente refere: tem que haver tempo para estar com o cão, a brincar com ele e a criar laços, não é só alimentá-lo e levá-lo à rua para fazer as necessidades. Acho mesmo que quem passa quase todos os dias mais de 12h fora de casa deve repensar se realmente quer sujeitar o animal a esta "solidão".
    De resto, só queria fazer a adenda que na verdade os cachorros podem sair de ao pé da mãe a partir das 8 semanas, quando já não mamam e aprenderam com a mãe e os irmãos que morder "é mau e dói". Até é melhor porque até às 12 semanas de vida é uma fase fundamental para o cachorro conhecer o ambiente em que vai viver e ter novas experiências de maneira a não criar fobias no futuro. Claro que se tem de ter cuidado, devido às doenças para a qual ainda não completaram o protocolo vacinal até aos 4 meses. Mas podemos levá-lo ao colo na rua para se habituar aos ruídos do trânsito e outras pessoas ou até levá-lo a "puppy classes" para sociabilizarem com outros cães e gastarem energias :)
    Ah e a genética conta qualquer coisa para o comportamento (cães de raça de caça precisam de gastar muito mais energia, por exemplo) mas a maior parte do comportamento de um cão ele adquire com a experiência e educação :)
    Beijinhos para o Floki e os "papás "!

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    1. Obrigada pelas tuas adendas, já aprendi mais umas coisas ;) Eu continuo a ser da opinião que aos 2 meses, por exemplo, é cedo demais. A maioria das pessoas não tira os cães de casa e eles acabam por ficar "anti-sociais". Foi o caso do cão dos meus pais. O meu saiu da criadora com 3 meses e 1 semana já com todas as vacinas necessárias para ir à rua. E assim tive a certeza de que ele sociabilizou com outros cães, não só com os irmãos mas também com cães adultos. Mas não condeno quem os tem em casa antes, são escolhas.
      A educação é tudo. E para isso é preciso dedicação educação e tempo. É tal e qual uma criança!

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  3. Eu cá tenho um miau e nem tudo é igual à tua lista, mas muitas coisas sim!! Primeiro que tudo, tem que ser uma decisão conscienciosa, perceber que implica mudanças e se é isso que realmente se quer. É a primeira vez que tenho um gato, um animal que seja próximo de nós (os peixes não contam para esta equação) e é uma sensação tão gratificante, mas tive plena consciência que ia mudar as minhas rotinas, que teria que ter de lhe dispensar tempo e atenção, para brincar, para mimar e para educar. Claro que também teria os gastos com comida e vet, mas queria e quero que o meu amiguinho seja bem tratado e tenha cuidados de saúde básicos. A casa virou um pandemónio, com ele a saltitar por todo o lado enquanto for "adolescente", com os brinquedos por todo o lado e o pêlo... o pêlo!! Parece praga do Egipto!
    Mas ainda assim, adoro aquele patinhas. Fui uma decisão com a cabeça e não apenas com o coração, e sabia tudo o que iam implicar acolher aquele pestinha em casa quando o resgatamos da rua. É, sem dúvida, e como dizes, parte da família!
    *****

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  4. Acho que adoptar qualquer animal de estimação tem de ser uma decisão extremamente consciente. Textos destes ajudam a alertar para isso mesmo, muito bem (;

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  5. Ótimas dicas! Quando comprei o meu cão (comprar aqui é uma palavra feia, mas é a realidade) ponderei muitas das coisas que falas aqui. Escolhi uma raça pequena (pincher miniatura), adequado para um primeiro andar e para estar muito tempo dentro de casa. Felizmente, temos uma boa varanda, onde ele se consola a apanhar sol xD quando o levo à rua, vou sempre com lenços e até sacos de plástico para poder apanhar os cocos, e quanto à ração fui variando até encontrar uma que ele adora, nunca comeu ração tão bem como agora! E quanto aos criadores, eu fui buscá-lo com cerca de dois meses e meio, e nós fomos mesmo ao local onde estava toda a ninhada, e vimos o pai da ninhada... a mãe não vimos, porque os criadores disseram que se a levassem para ali ia ser muito complicado tirar a ninhada da beira dela e seria um caos xD e é engraçado porque o pai tinha uma forma peculiar de andar, e o meu Faísca anda de forma parecida xD e quanto à relação humano/animal, acho que o Faísca adora estar cá em casa, e sinto que ele me vê como sendo A dona dele, que tem de proteger de tudo e todos, e sempre que pode lá vem ele enroscar-se ao meu lado ou no meu colo xD faz parte da família, completamente *.*

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  6. Tenho um gato, que apesar de serem bastante diferentes, igualam-se nos cuidados e das dicas que aqui apresentas.
    Amo cães, mas vivo num apartamento e é impossível ter um. Acho-os incríveis, acima de tudo pela maneira como nos amam. Parecendo que não, temos muito a aprender com eles.

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  7. Concordo plenamente! Sinto que às vezes há pessoas que querem muito ter animais como cães ou gatos, mas depois não têm noção dos cuidados que devem ter, nem daquilo que vai mudar depois de terem o «patudo» na família :)

    Estive muito tempo sem escrever, mas de vez em quando ainda dava uma espreitadela nos blogues que seguia. E... finalmente voltei de vez:
    https://o-bem-me-quer.blogspot.pt/
    Um grande beijinho *

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  8. Belas dicas. Sempre quis um pequenino, mas vivo num apartamento e os meus pais não querem, para além do mais tenho o meu Tico (um gato). Vou-me divertindo com os cães do meu namorado, que é quase como se fossem meus :)

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  9. Dantes queria um labrador, mas disseram logo que se tornam enormes, comem muito e fazem cocos em igual medida já para não falar dos buracos no jardim. Adoro os beagles, são mais pequenos mas enquanto viver em casa dos pais, esquece...tenho duas gatas e um cão ao pé delas...coitado não durava 1 dia.
    R:Olha uma saída a 4? será que os homens aguentam andar de balão? :P

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  10. Tens um pug??
    Adoro!!
    É preciso tempo e dedicação, eu devido ao local onde vivo não posso ter um, e sei que mesmo que pudesse não teria condições para tal...

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  11. falaste tão bem agora! uma das coisas que mais me irrita é as pessoas escolherem uma raça só porque querem muito mais nem param para pensar se têm condições para essa casa!

    r: owww! obrigada <3

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  12. Concordo plenamente com estas dicas! Tenho duas cadelas e acho que apesar de dar o meu melhor para as fazer felizes, tento sempre pensar naquilo que ainda não fiz para que as suas vidas sejam fantásticas. :)

    Estranha Forma de Ser Jornalista
    http://estranhaformadeserjornalista.blogspot.pt/

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