sábado, setembro 9

: Brincar não tem género.


Eu brinquei muito em criança. Sozinha, com amigos, com primos. Brincava com as mais variadas coisas: desde nenucos até carrinhos. Os meus pais nunca me negaram um brinquedo mesmo que fosse de menino. Sempre tendi para brincadeiras tipicamente categorizadas como de meninas mas também jogava à bola com os rapazes e eles nem se importavam. Nunca me senti pressionada pelos meus pais para escolher um caminho. Fui livre de crescer com diversos gostos, fossem eles quais fossem.

Como Educadora sinto-me na obrigação de ter a mesma atitude perante as crianças: a da liberdade para a escolha. Tenho meninas que preferem brincar na garagem. Como também tenho meninos que gostam de brincar na cozinha. Numa época em que tanto se fala de igualdade de género são estas pequenas atitudes que demonstram que as crianças não nascem formatadas. Não nascem com preconceitos e ideias pré-feitas. E somos nós - adultos em geral - que devemos ter o cuidado de as deixar construir o seu caminho. Elas irão ter as suas preferências e, espantem-se, talvez gostem de coisas que a antiga sociedade diria que não é para o seu género. O que realmente importa isso? Que importa se uma menina gosta de vestir roupa de menino e brincar com carros? O que importa se um menino gosta de fios, coroas e adora tomar conta de bebés? 

Nunca irei dizer a nenhuma criança para escolher outra brincadeira. Não as irei condicionar. Porque a verdade é que o meu papel é mostrar-lhes como seguir o seu caminho da melhor forma. O meu papel é orientá-los - o melhor que sei - para viverem com os seus pares. O meu papel é mostrar-lhes que somos livres. Que podemos fazer as nossas escolhas. Nem que seja numa mera brincadeira. Que brinquem, sem pensar em mais nada. E brincar faz tão bem!!

8 comentários:

  1. E fazes tu muito bem, brincar é brincar, seja com bolas, carrinhos ou bonecas, sejam meninos ou meninas. Os meus pais também nunca me negaram nenhum brinquedo, brinquei muito e sempre brinquei com o que quis.
    As crianças devem, tal com dizes, serem livres de brincar e escolher o que quiserem.

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  2. as crianças têm de ser livres de brincarem como que querem e da forma que querem ! A sociedade tem ideias pré-concebidas que só lembram a idade da pedra, está na altura de mudar mentalidades .

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  3. Foi bastante agradável ler isto. Era muito bom que mais pessoas pensassem como tu! Para as crianças é tudo brincadeira! :)

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  4. «Nunca me senti pressionada pelos meus pais para escolher um caminho. Fui livre de crescer com diversos gostos, fossem eles quais fossem», não podia deixar de começar por destacar esta parte, porque passei exatamente pelo mesmo. No meu caso, sempre tendi mais para as ditas brincadeiras de menino, preferia jogar à bola e brincar com carrinhos e os meus pais nunca tentaram que eu brincasse com bonecas, por exemplo. Deram-me liberdade para fazer as minhas escolhas.
    Temos que deixar as crianças serem crianças; deixá-las brincar naquilo que se sentem mais confortáveis. Não faz qualquer sentido limitá-las só porque na nossa cabeça há brincadeiras para rapazes e brincadeiras para rapariga. Porque não há! Há brincadeiras.

    r: Isso é tão giro :)

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  5. Olha já eu ignorava as bonecas por completo ainda tinha a pouca vergonha de reclamar quando recebia uma barbie pelo Natal ou pelos anos "Se fosse um trator..." :P Tenho um primo em 2º grau que me dava os meus brinquedos preferidos... uma mota de policia telecomandada, um carro telecomandado... cheguei a ter tratores e bondosas para brincar nos montes de terra... Nunca tive jeito para as delicadezas de vestir e despir bonecas, no entanto havia um nenuco que eu adorava e ainda hoje o tenho. Chamava-se Daniel e era o irmão que nunca tive xD
    Também adorava andar de bicicleta, de jogar à bola, de pintar... como cresci no campo tive mais liberdade e só ficava em casa se estivesse mesmo muito mau tempo.

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  6. Não podia concordar mais. Não se pode perder a essência de brincar porque isto ou aquilo é para meninos ou meninas! Há que aproveitar ser criança e, mais importante ainda, ser livre de escolha.

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  7. Tens toda a razão! Eu em criança era uma autêntica "maria-rapaz". Adorava jogar futebol! E não é por isso que hoje em dia sou mais ou menos feminina...

    R: Claramente não deixa de ser uma escolha pessoal, mas que não faz sentido lá isso não... As duas coisas não tem relação!

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  8. Eu também brincava com tudo, nunca me foi negado. Também não o nego ao meu filho. Ele sempre gostou de brincar na pequena cozinha que era da minha irmã, por exemplo. Mas também adora jogar à bola e brincar com carrinhos. São crianças, deixem-nos sê-lo sem os condicionarem. Aplaudo essa tua atitude :) completamente de acordo.

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