segunda-feira, setembro 25

: Quando o final espreita.

[fictício]

Já não sou feliz. Não há outra forma de começar esta carta, a ti endereçada, sem ser da maneira mais direta. Mal olhamos um para o outro e a paixão, que sempre nos uniu, desapareceu. Os dias são rotineiros, sem o fogo de antigamente. As nossas mãos já não se procuram. Os nossos corações já não batem mais forte quando estamos juntos. Tenho que confessar-te, de alma pesada, que voltar a casa é sempre um sacrifício. Encetar as mesmas conversas de sempre, sem qualquer novidade. Cumprir os mesmos rituais, sem vontade de inovar. Já não sou feliz e não sei em que momento perdi o brilho no olhar. Não me reconheço. Não nos reconheço. Sucumbimos ao passar do tempo e fomos incapazes de nos reinventarmos. Faltou-nos a vontade de sermos mais, juntos. Faltou-nos a força de um amor que afinal não durou para sempre. Já não sou feliz e também não consigo viver assim. Ninguém deveria viver nesta angústia de já não saber quem é. Ninguém se deveria acomodar nas quatro paredes de uma vida que não o satisfaz. Choro enquanto te escrevo estas palavras. Choro porque nunca imaginei este final para nós. Mas aconteceu. Já não somos felizes. Há que aceitar. Aceitar, curar as feridas e avançar. O futuro reserva-nos memórias melhores. Sê feliz. 

8 comentários:

  1. «Faltou-nos a vontade de sermos mais, juntos». Acho que, muitas vezes, é esta a explicação para que as coisas desmoronem. As pessoas entram numa certa rotina e atingem um determinado comodismo que depois as impedem de lutar. Por vezes, talvez nem tenham consciência disso. As coisas vão-se sucedendo e quando se apercebem já é tarde

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  2. Profundo... Infelizmente ou felizmente, este sentimento assoma a muito gente. Mesmo sendo este um texto fictício, quero apenas dizer que, quando este dia chega, é preciso coragem para seguir em frente e lutar por uma nova felicidade.

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  3. Que triste essa carta! Nem sempre tudo é como queremos, um acaba!

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  4. Que texto tão bonito! Por vezes o melhor é colocar o ponto final na história, mesmo que custe ao coração.
    Beijinho, Ana Rita*

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  5. Os finais assim são sempre tristes e, infelizmente, muito comuns.

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?