terça-feira, setembro 5

: Vida de borboleta.


Ninguém dura para sempre, já todos sabemos isso. Nascemos com data de validade e temos apenas que aproveitar a vida para voar o mais longe possível. Para ver o maior número de coisas. Para viver tudo aquilo que o coração pedir. Sabemos que um dia tudo irá acabar e seremos apenas recordações, nas palavras e pensamentos de quem era especial. Perder a minha avó fez-me começar a encarar esse momento da vida como algo natural, pelo qual todos iremos passar um dia. Foi a minha forma de amenizar as saudades. Poucos meses depois o David perdeu o avô. E eu tive a sensação que de que a vida passava sem darmos por ela. Que vivíamos como borboletas - de forma demasiado rápida para aproveitar tudo o que a vida tem de melhor. Esse pensamento solidificou-se em mim assim que fiquei a saber que uma pessoa especial, quase família, estava no hospital. Que tinha tido um AVC. Que nunca mais seria o mesmo. O meu primeiro professor de música  - que me viu crescer durante dez anos - sempre tão independente apesar da idade avançada está doente. A vida é efémera e eu sinto que há tantas coisas que não chegamos a viver. Sinto que ficam tantas palavras por dizer. Não sei o que o futuro lhe reserva mas não pretendo perder tempo em vão. Não pretendo ficar com remorsos. Assim que puder vou aproveitar mais uma tarde de muita conversa com ele, que tanto me ensinou -  muito para além da música. Assim que puder vou agradecer-lhe por tudo o que fez, sem esperar nada em retorno. De outra forma não poderia fazer sentido.

6 comentários:

  1. A vida é demasiado curta, é a maior verdade de sempre. Temos de aproveitar, sempre.

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  2. De facto a vida é curta e rápida demais, certamente ficará muita coisa por ver, saber e viver, mas temos de viver um dia de cada vez, viver intensamente todos os pequenos momentos que nos são proporcionados e não pensar no que ficará por fazer.
    Perdi um amigo há quatro anos, tinha 18 anos, sem dúvida que foi das coisas que mais me marcou até hoje e me fez dar ainda mais valor à vida, ao que somos e ao que temos neste momento sem pensar muito no amanhã.

    Acho que fazes muito bem em aproveitar mais uma tarde de conversa com ele, devemos aproveitar todo o tempo que temos, perto dos nossos. Um beijinho.

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  3. A vida passa demasiado rápido para que percamos tempo com coisas supérfluas. Aprendi cedo, com a morte do meu avô, que as pessoas não duram para sempre, que tão depressa estamos bem, como no minuto seguinte damos uma volta de 360º. E se há coisas que controlámos, isto não é uma delas.

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  4. A vida é um segundo e acima de tudo é um intervalo entre dois silêncios eternos. A morte só é vivida por quem fica, é de facto dolorosa mas temos que começar a descomplica-la, aproveitando tudo, sem medos nem ses e acima de tudo nunca deixar nada por dizer

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  5. Devemos aproveitar os dias, os momentos, os cheiros, os sabores, os sentimentos. Tudo, tudo ao máximo. A minha vida mudou totalmente de um momento para o outro e agora dava tudo para voltar a trás. Gostei muito deste texto, identifiquei-me muito com a tua escrita.
    r: óbvio que eu teria feito a mesma escolha que tu! É um dinheiro investido numa coisa que diariamente usufruis. Enquanto que o casamento é só um papel e dinheiro perdido num dia só.

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?