quarta-feira, outubro 4

: Ouvir para além da voz.


O tema da minha tese de mestrado foi "Dar voz às vozes das crianças". Defendo com unhas e dentes que devemos ouvir os mais pequenos e construir o modelo educativo a partir deles, com eles, para eles. De que vale impormos a nossa ideia se depois ela não tem resultados benéficos?! Durante os três anos de ATL desliguei-me um pouco do trabalho por projectos e o ano passado - o primeiro enquanto educadora - foi um regressar a rotinas às quais já não estava acostumada. Claro está que algumas coisas estavam enferrujadas.

Por um lado sentia que estava a fazer um bom trabalho mas, por outro, sentia que faltava alguma coisa. Que ainda não se tinha feito o click como havia feito no meu último estágio. Até hoje. Estávamos a falar sobre animais (a propósito do Dia do Animal) e a brincar com fantoches de animais quando um dos pequenos me perguntou "Cláudia podemos fazer um teatro para depois mostrarmos aos amigos?". Acedi de imediato. Depressa o teatro se transformou numa apresentação dos animais aos meninos da sala ao lado (2/3 anos). Cada um escolheu um fantoche e falou desse animal. Os mais pequenos adoraram e tomaram atenção do início ao fim. Ainda tivemos tempo de partilhar os fantoches com a outra sala e de brincarmos ao faz de conta. Tenho a sorte de ter uma colega super acessível que alinha em todas as "loucuras". Ainda que em salas diferentes fazemos um trabalho conjunto e tentamos ao máximo que os dois grupos interajam.

Todos ganhámos com esta atividade, que nem sequer estava planeada. Os mais pequenos, pela partilha de conhecimentos que ouviram e pela brincadeira. Os "meus" traquinas porque se sentiram importantes e úteis, ao ensinar aquilo que sabem. Nós, educadoras, porque confirmámos que os dois grupos juntos é uma mais valia. 

Se era mais fácil ter tudo estruturado e seguir à risca o plano? Talvez. Mas que graça isso teria se nenhuma das crianças tiver interesse? Posso ter que adaptar o dia todo mas não tem mal. Saio de lá de coração cheio!

12 comentários:

  1. Aqui está um exemplo de uma adaptação à realidade bem feita ;)

    ResponderEliminar
  2. Partilho a tua opinião na integra! Temos uma responsabilidade muito séria com as crianças com quem estamos a trabalhar, e uma das nossas obrigações é ouvi-las e perceber aquilo que resulta melhor. É como tu dizes, de que adianta ter tudo estruturado se depois isso não tem interesse para elas? Não faz sentido. E acabará por não ser benéfico para nenhuma das partes. Envolvê-las em algo que gostam e que parte delas é ótimo para as motivar. E, consequentemente, também lhes incute um certo sentido de responsabilidade.
    É importante que as pessoas percebam que as crianças não são marionetas, que podemos movimentar consoante nos dá jeito.

    ResponderEliminar
  3. Quando estudava não gostava da forma de ensino, mas agora com um filho pior ainda. Faz-me muita impressão uma criança pequena ter que fazer trabalhos, estar horas fechados e afins enquanto devem estar a brincar e a divertir. Também conseguimos aprender fora das salas de aulas e de forma bem mais divertida

    Beijinhos,
    Dezassete | Novo Unboxing no canal

    ResponderEliminar
  4. E as crianças têm sempre ideias geniais, é pena é que muita gente lhes ponha travões... É bom saber que há quem não o faça, essa ideia foi muito engraçada :)

    ResponderEliminar
  5. Concordo, temos de dar voz às crianças.

    Estou a ver que todos acabaram por se divertir, que óptima ideia, deve ter sido mesmo gratificante :)

    ResponderEliminar
  6. que todas as educadoras fossem como tu! :)

    r: tens meeesmo!

    ResponderEliminar
  7. Tão bom! Por mais ideias como essa :)

    ResponderEliminar
  8. Se todas as educadoras pensassem como tu, as crianças ficavam muito mais felizes!

    Bom fim-de-semana! :)

    ResponderEliminar
  9. r: Acredito *.* nunca cheguei a ter. A minha mãe, sim, mas já não apanhei essa fase, com muita pena minha.

    ResponderEliminar
  10. Gosto dessa tua forma de encarar a educação, que, a meu ver, é a mais correcta :) quer-se tudo tão estruturado e planeado e, por vezes, isso não ajuda em nada as crianças, que devia ser o primeiro obejctivo!

    ResponderEliminar

À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?