terça-feira, outubro 10

: Terei aprendido a gostar - realmente - de mim?


Nunca fui de grandes complexos. Sempre fui a rapariga que era feliz com os seus cabelos naturais, que não ansiava ter outro corpo, que não se importava por não ter coisas de marca. Sou o tipo de mulher que nem sequer repara se alguém repetir a roupa dois dias seguidos! Não me maquilho, não uso sapatos altos, às vezes não tenho a depilação em dia. Tento descomplicar. 

Claro que passei uma fase em que me incomodavam, por exemplo, os pêlos que tinha nos braços. A minha mãe ainda mos descolorou dois ou três verões até eu perceber que estava a ser parva, visto que ter pêlos não quer dizer nada. A partir daí deixei de ligar a esses pormenores. Se alguém caía no erro de me dizer "Ai, tens tantos pêlos nos braços" recebia logo em resposta "E tu, não tens?". Cheguei ao ponto de pôr os meus braços ao lado do das crianças para vermos que todos tínhamos pêlos e as diferenças entre eles. Sempre a desconstruir preconceitos!

A única coisa que sempre me acompanhou foi o meu stress. Ficava nervosa com testes, com apresentações, quando sabia que ia estar fora da minha zona de conforto. E, por culpa disso, roía as unhas. Ou então comia doces para afagar a alma. Era uma espiral destrutiva e só me apercebi disso quando o meu corpo se queixou. Falta de ar, dores nos joelhos, falta de ânimo até para o que eu gosto. 

Decidi mudar aos poucos. Deixei de roer as unhas no verão. Há uns bons meses que elas estão bonitas. Mais recentemente comecei a cortar nos doces. Não os tirei radicalmente porque senão seria pior e iria cair em tentação. Comprei "doces" saudáveis e ainda estou a educar o meu paladar. Não tenciono ir para um ginásio - não é para mim - mas gostava de fazer pilates ou yoga. Fortalecer a mente e o corpo. Ou, quem sabe, hidroginástica por causa dos meus joelhos. Seja como for aos poucos estou a olhar para mim com outros olhos e isso já é um começo.

Não preciso de andar boneca para cuidar de mim. Basta saber respeitar o meu corpo e querer o melhor para ele. Aos poucos tenho aprendido a gostar verdadeiramente de mim! 

14 comentários:

  1. A última frase é a mais verdadeira de todas e a lição que devemos retirar deste post. Acho que as pessoas ainda associam "cuidar de si" a andar toda embonecada. Para algumas de nós pode ser mesmo isso, se gostarmos dessas coisas, e para outras poderá ser outra coisa qualquer. Cuidar de nós é sabermos respeitar o nosso corpo, os nossos ritmos, aceitar as nossas falhas, desculparmo-nos e não nos martirizarmos com pequenas falhas sem importância. É tirar tempo para fazermos o que gostamos, seja pintar as unhas ou ler um livro. É saber quando devemos parar. É estarmos atentas aos sinais que o corpo nos manda e dar-lhe o que ele pede, seja fazer mais exercício ou sentar mais vezes o rabinho no sofá.

    Gostei muito deste post!

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  2. Este texto fez com que eu te admirasse imenso; numa sociedade que pressiona tanto as mulheres e leva-as a ter tantos complexos, é positivo encontrar alguém que conseguiu aceitar-se e rejeitar os padrões impostos. Se me permites a partilha, fui totalmente o teu oposto: andava sempre neurótica por dizerem que eu mais parecia um rapaz por não me maquilhar, não usar salto alto e por não ter seios. Actualmente já estou a aprender a gostar de mim, mas às vezes é difícil. Ainda bem que te valorizas e que estás a cuidar de ti: é o mais importante e, infelizmente, algo bastante esquecido.

    Beijinho*

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  3. «Não preciso de andar boneca para cuidar de mim. Basta saber respeitar o meu corpo e querer o melhor para ele», acho que esta parte define tudo! Precisamos de nos conhecer, de perceber o que funciona connosco e de aprendermos a aceitar aquilo que somos. Quando conseguimos isso, tudo se torna mais descomplicado, porque olhamos para as coisas com menos ansiedade.

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  4. Também sofro imenso com a ansiedade. Penso sempre no pior dos cenários (drama queen 😂😂) o importante é sabermos dar a volta a esses problemas que nos incomodam 😊

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  5. r: Está muito bem conseguida, na minha opinião

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  6. A sociedade habituou-se a criar estereótipos do que é feio e do que é bonito. Felizmente, estamos a atravessar uma fase em que quem opta por ser diferente faz uso dos seus argumentos para defender o direito à diferença e desarma quem vem de lá com uma mala de preconceitos bacocos e insensíveis.

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  7. O mais importante é que estejas bem no teu corpo e sejas feliz! Há muita gente que, à primeira vista, estão perfeitas e nunca se sentem realizadas. O mínimo que podemos fazer é tratar bem de nós e isso passa por fazer opções mais saudáveis e já estás a fazer isso! Parabéns.

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  8. Identifiquei-me bastante com o texto! Principalmente com a parte do pêlos, porque eu também tenho imensos ahaha

    Beijinhos,
    Dezassete | WHAT'S ON MY PHONE

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  9. O que interessa é como te sentes, as opiniões dos outros são as opiniões deles. Eles que vivam com elas

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  10. Já eu sou o oposto, sempre tive complexos, mas este ano decidi cuidar de mim, fazer de mim prioridade, muito por causa da ansiedade que sofro e também não sou dessas coisas de ginásios, mas passei a fazer caminhadas de 1h/5km e adoro, é tempo para mim próprio, tempo para pensar, para arejar a cabeça. =)

    MRS. MARGOT

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  11. Também ando a tentar mudar alguns hábitos alimentares e queria muito deixar de roer as unhas.
    É muito importante que gostemos de nós, isso implica cuidarmos de nós da forma que acharmos melhor :)

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  12. Devemos gostar de nós, mas não acho que isso seja motivo para deixar de gostar de outras coisas.
    Afinal, o que é a vida sem um pecadilho aqui, outro ali?
    Tenho pena de não ter começado a fazer um pouco de exercício quando era mais novo. Talvez hoje tivesse melhores joelhos. Mas se dantes só me apetecia ficar na cama até ao meio dia, ia fazer caminhadas a dormir?
    Acho que fazes bem olhar para ti do modo que hoje gostas de olhar. Mas não te deixes cair na tentação das dietas malucas e do apetite mórbido pelo exercício físico, só para teres o prazer de um dia morreres saudável eheheh.
    Temos de procurar o ponto de equilíbrio. O radicalismo é mau em todas as vertentes da vida.

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  13. Revejo-me tanto no primeiro parágrafo :) gosto dessa tua atitude!

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?