terça-feira, maio 29

: Agora percebo os meus pais.


Nunca pedi um irmão mas, em contraste, pedi muitas vezes animais de estimação. Começámos por ter pássaros e peixes. Gostava deles mas não lhes ligava muito, principalmente quando era mais pequena. Acabei por começar a dar a entender que gostava de ter um cão ou um gato, não tendo grande preferência. Acabaram por trazer um coelho para casa. Confesso que me apaixonei à primeira vista e ainda hoje me derreto toda com esse roedores, apesar da dor de já ter perdido dois. Sempre que o meu pai falava em trazer um gato ou um cão para casa eu apoiava a cem por cento, sem imaginar tudo o que isso acarretava. Pensava que era tudo arco-íris. No entanto a minha mãe foi-se opondo, argumentando que não tínhamos vida para isso. E ela tinha razão.

Hoje vivo tudo isso na primeira pessoa. Ir buscar o Floki foi uma decisão dos dois mas, ainda assim, não retira todas as responsabilidades que temos. Hoje sei que os meus pais tomaram a decisão certa. Dar-me um cão, por exemplo, só porque eu pedia era o maior erro que poderiam cometer. Eu ainda não tinha maturidade para cuidar dele sozinha e, no final de contas, seria uma responsabilidade deles. O facto de ter tido antes os coelhos, pássaros, peixes, tartarugas (que ainda estão comigo!!) ajudou-me a perceber que tipo de maturidade seria necessária. Vejo muitas famílias que arranjam animais só porque as crianças pedem mas depois arrependem-se, porque percebem que cairá tudo nas suas costas. Já conheci casos de pais que depressa arranjaram nova casa para os cães/gatos/... E isso parte-me o coração. Não só pela irresponsabilidade que os adultos demonstram mas porque os animais merecem, desde o início, uma família que os ame. 

Hoje em dia os meus pais têm um cão e um gato, porque assim o quiseram. Eu tenho o Floki, porque assim eu e o David quisemos. Acrescentar um membro à família deve ser assim: quando todos estão em concordância. Fora isso é receita para o desastre.

8 comentários:

  1. Sem dúvida que a adoção de um animal, sobretudo um animal inteligente e interativo, como os cães, é uma grande responsabilidade. Por isso eu decidi não ter mais nenhum, pois se tu eras imatura enquanto criança, eu acho que já estou a cair de maduro e não sei até quando iria ter condições para dar uma vida digna a um cão. Tudo tem o seu tempo...

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  2. Assino por baixo este ponto de vista!
    Ter um animal de estimação acarreta responsabilidades, por isso é necessário perceber se há condições para o acolher. Tanto a nível de disponibilidade financeira, como física e emocional. Avançar com uma decisão destas sem fazer essa reflexão não me parece o mais correto, até porque, tal como referes, é a receita para o desastre

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  3. Não poderia concordar mais. Também sei de algumas histórias que me deixam tão triste, oferecem os animais por oferecer e depois arranjam-lhes outros destinos, como se eles tivessem culpa.
    As pessoas esquecem-se das responsabilidades, quando dão conta já é tarde e quem sofre são sempre os mesmos.

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  4. r: Curiosamente, comecei a escrevê-la depois de perder a minha avó. Apesar de não ser um relato verídico, tem muitas sensações dessa altura.

    Significa muito para mim ler isso, obrigada <3

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  5. Concordo contigo! Não vale a pena ter só porque sim! Temos que ter a responsabilidade de os sustentar, dar atenção amor e tudo mais! Não é difinitivamente um mar de rosas mas é tão bom acordar e ter a minha menina ao pé de mim :)

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  6. Verdade! É uma responsabilidade enorme! E eles merecem de nós, o nosso melhor :)

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  7. Por aqui temos dois patudos e são o melhor que podámos ter :)

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?