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terça-feira, janeiro 9

: Ter um cão não é só alegrias...

Sim, eu sou das que dão beijos ao cão!

Antes de irmos buscar o Floki o David pôs-me logo a par de todas as particularidades de se ter um cão - ele já tinha tido uma cadela - por isso não me meti nesta aventura sem saber ao que ia. Ainda assim ninguém nos pode preparar para as coisas mirabolantes que os patudos conseguem inventar! Deixo-vos uma lista de alguns pormenores que já vivi nestes últimos meses. Vou desde a coisa mais simples até aquelas pelas quais nem todos passam:

segunda-feira, janeiro 1

: Primeira página.


Não faço promessas no ano novo. Não me comprometo com metas que sei que vou esquecer ao fim de um mês. Vivo os dias calmamente e vou construindo as minhas metas conforme o ano avança. Luto pela minha felicidade, seja qual for o caminho que precise percorrer. Luto pela felicidade daqueles que gosto, mesmo que tenha de desviar-me um pouco do meu caminho. Gosto de incluir as pessoas importantes em tudo o que alcanço porque, verdade seja dita, sem eles nunca faria sentido. 

Este ano terminou na praia, novamente. Estar ali deu-me calma, ajudou-me a criar energias positivas. Com o cachorro ao colo e de mão dada com o David, vi o fogo de artifício que me deixa sempre maravilhada. Abraçados, sem palavras. Não são precisas. Somos unidos e a vida só faz sentido todos juntos. E é assim que pretendemos estar, nos próximos meses. Antecipo um ano feliz. Antecipo um ano com momentos para recordar. Estarei pronta para qualquer contratempo e cá estarei, de cabeça erguida, para enfrentar as intempéries. Cá estarei para tomar todas as decisões necessárias. 

2017 acabou e guarda nele algumas das melhores memórias. Alguns dos momentos que espero nunca esquecer. Que este novo ano consiga ser ainda melhor! 

Em 2018 façam acontecer ♡

quinta-feira, dezembro 28

: Afinal para onde foi o espírito de Natal?


Trabalhar com crianças é sinónimo de saber que a época natalícia é pura magia para eles. Andam todo o mês de Dezembro a sonhar com a noite de abrir os presentes e todos os dias nos perguntam se falta muito para chegar o dia tão especial. E eu, que adoro esta altura do ano, alimento-lhes o imaginário com histórias, conversas e cartas ao Pai Natal. Vivo a magia com eles e mostro-lhes que a solidariedade que tanto se vive no Natal deve prolongar-se por todo o ano.

No primeiro dia de escola após o Natal perguntei-lhes, como sempre, o que tinham feito nos dias de férias. Perguntei-lhes o que tinham recebido e o que mais tinham gostado. Enquanto a maioria das crianças destacou coisas simples - um conjunto de plasticinas, uma cozinha de brincar, roupas... - houve duas crianças que me deixaram a pensar com as suas respostas. Uma delas recebeu uma ps4 e fez questão de constatar que tinha tido uma prenda melhor que a dos amigos. Outro disse - antes de qualquer outra coisa - que tinha tido mais presentes do que os adultos. Perante estas afirmações o que lhes disse foi que não interessa o que recebemos ou a quantidade do que nos dão, visto que há imensas crianças que não conseguem ter um brinquedo. Eles mal reagiram.

Fiquei abismada pelo facto de duas crianças, de cinco anos, já terem este olhar tão consumista do Natal. Numa altura em que tanto se fala de famílias endividadas, por culpa dos presentes, é urgente sensibilizar famílias para o real fundamento da quadra natalícia. É também urgente encontrar estratégias para que os mais pequenos percebam que o importante não é o número de prendas ou receber a última consola que saiu. Talvez começar por não dar largas dezenas de brinquedos, aos quais eles não irão realmente ligar e os quais irão esquecer ao fim de dois ou três dias. Quem sabe sensibilizá-los para se desfazerem de brinquedos antigos que já não usem, para darem a crianças que não tenham as mesmas possibilidades. Acima de tudo... adequar os presentes à idade. Crianças pequenas não precisam de consolas, tablets, telemóveis.

A mudança começa em cada um de nós, adultos, individualmente. Enquanto educadora começarei a organizar recolhas de brinquedos para entregar em instituições. Quem sabe trocar cartas com essas mesmas instituições para eles estarem em contacto com outras realidades. O Natal não é - nem deve começar a ser - consumista. Não o tornemos então naquilo que não é. Façamos a diferença.

sexta-feira, dezembro 8

: Tempo... Preciso de tempo.


O meu maior medo sempre foi esquecer o som da tua voz. Esquecer a forma do teu abraço ou a forma discreta como me mimavas. Agarrei-me às fotos, aos vídeos, a todas as recordações que me pudessem ajudar. Agarrei-me a tudo o que sinto por ti. Quase sete anos passaram... Diziam-me que o tempo curava tudo mas ainda sinto a tua falta, ainda espero ver-te, ainda anseio ouvir-te. Ainda tenho saudades de almoçar contigo. Já lá vão sete anos e ainda parece que foi ontem que te dei o último beijo. Que me despedi, contigo adormecida. O tempo não cura tudo, sei agora. Só ameniza a dor. E, passe o tempo que passar, continuarei a sentir saudades. Continuarei a lembrar-me de ti. Continuarei a ouvir-te, a ver o teu sorriso. Assim nunca irás desaparecer. Que o tempo esteja do meu lado. 

sexta-feira, novembro 17

: ode às semanas complicadas.


Quando tudo complicar, respira. Nem tudo terá solução e tens que aceitar isso. Aceita as perdas e não peças desculpas pelas lágrimas. Não te obrigues a sorrir, se não for essa a tua vontade. Vive os dias como preferires e procura uma réstia de esperança para te ergueres. Vão existir dias esgotantes mas só depende de ti dares a volta por cima. Só depende de ti olhares em frente, para seguir caminho. Vão existir dias tristes, cinzentos, frios. Terás que ser sol, calor, felicidade. Procura aconchego nos abraços. Rodeia-te de almas luminosas. Até a semana mais complicada acaba. E, no fim, poderás sorrir. Com vontade. 

terça-feira, outubro 31

: Mas, no final, a perfeição existirá?


Sou aquele tipo de pessoa que nunca acredita que sabe fazer algo na perfeição. Tenho sempre dúvidas, receios, macaquinhos no sótão. Quem priva comigo até pode dizer que eu sou boa em algo mas, muito provavelmente, eu não vou acreditar. Sempre fui assim e talvez tenha sido essa minha forma de ser que me fez chegar longe, em determinadas áreas da minha vida. Que me fez querer procurar sempre o melhor de mim. Não sou perfeita, isso assumo logo à partida, mas gosto de fazer as coisas o melhor possível. Para mim há sempre algo que posso melhorar.

A música não é um caso à parte. Apesar de ser a área onde me sinto mais à vontade - e onde sei que até sou boa - não consigo sentir-me completamente convencida. Quando estudava piano era tudo simples para mim e em meia dúzia de dias tocava uma música sem erros. Agora com o violino sinto que tenho que me esforçar muito mais para conseguir fazer bem o mínimo dos mínimos. Quando comecei a tocar avisaram-me que era um instrumento difícil e para mim, que estava habituada a teclas, custa-me nem sempre conseguir tirar um som bonito quando toco. Sei que ainda só estou a aprendê-lo desde Fevereiro, mas há dias em que fico frustrada e há músicas que me fazem querer arrancar os cabelos. Por norma erro sempre nas partes fáceis o que, devem calcular, deixa qualquer um frustrado...

aqui vos falei sobre o desafio que o meu professor me deu e que eu aceitei, por saber que me iria fazer sair da minha zona de conforto. Hoje posso dizer-vos que estou a dar em maluca. Apesar de saber praticamente a partitura toda de cor, há lá dois ou três pedaços que me fazem querer dar um grito. Continuo a falhar sempre nessas partes e, infelizmente, não tenho muito tempo livre para poder dedicar-me ao seu treino. Durante a semana passada, farta de tocar sem ouvir realmente a música, decidi arriscar-me e pus a música original no tablet. Liguei os fones para pôr nos ouvidos e toquei no violino ao mesmo tempo que ouvia a música. O facto desta ser mais rápida do que a forma como treinava fez-me trocar alguns dedos ao início, mas ao fim de algumas repetições já estava mais relaxada. Fez-me bem este choque com a realidade de ter que estar à altura de uma música magnífica. Continuo sem estar à vontade com algumas partes e continuo a sentir que devia ter ficado quieta. Mas, ainda assim, acho que me fará bem superar este momento. Não serei perfeita - disso tenho a certeza - mas irei procurar ser a melhor versão possível. Mesmo que demore mais um mês a lá chegar. 

Os meus receios só atenuaram quando na última aula o meu professor disse que já não estava nada mal e que as outras raparigas se deviam preocupar tanto com a música como eu. Talvez tenha dito isso para me dar ânimo, não sei. A verdade é que saí da aula mais leve e até sinto que o ensaio correu melhor. Às vezes basta só uma palavra de incentivo. 

Sei que vou conseguir. Tenho que conseguir.

sexta-feira, outubro 27

: O quanto custa mudar de hábitos.


Este mês comprometi-me em comer de forma mais saudável. Não encarei este desafio como uma dieta - até porque estou tranquila em relação ao meu corpo - mas sim como um respeito pela minha saúde e pelo meu bem-estar. Confesso que pensava que seria uma tarefa fácil, uma vez que eu gosto bastante de bons alimentos e até já fui acompanhada por uma nutricionista, há uns anos atrás. Na minha cabeça tinha tudo para correr bem.

Mas enganei-me. Aliás... fui traída pela minha dependência pelos doces. Um vício, atrevo-me a dizer. O alerta vermelho foi quando percebi que comia cinco ou seis vezes por dia porcarias. Claro está que nunca poderia cortar tudo radicalmente. Já consegui, numa primeira fase, diminuir a ingestão de doces para uma vez diária. E já consigo ir às compras sozinha sem cair em tentações. Tenho estado a reeducar o meu paladar e não é tarefa fácil. Tenho usado e abusado da fruta para repôr os açúcares que o meu corpo julga precisar. Tenho incluído coisas nas minhas refeições que há uns tempos atrás nem olhava. 

Há dias que não são nada fáceis, confesso. Os desejos nem sempre são fáceis de ignorar. É um processo longo mas que não estou disposta a abandonar. A minha saúde agradece. 

quarta-feira, outubro 25

: É um amor para sempre!

F a m í l i a

Uma das coisas que mais me vinha à cabeça, antes de ir buscar o Floki, era o quanto me iria doer quando um dia ele morresse. Sei que é mórbido pensar nisso - quando ainda nem o tinha comigo - mas eu sou aquela rapariga que chorou quando o canário morreu. Quando o primeiro coelho morreu. Até quando morreu uma tartaruga que tive meia dúzia de meses. A esta última até um enterro fiz. Conseguem então imaginar a ansiedade que eu sentia só de pensar no futuro... Questionei-me muitas vezes se seria capaz de educar um cão. Se estaria à altura do desafio. Ao contrário do que muita gente acha, é preciso dar ao cão mais do que apenas comida e uma cama para dormir.

As primeiras semanas foram complicadas - quem teve/tem cães pequenos sabe bem o que custa - e cheguei a chorar de cansaço. Insistimos, persistimos e acabámos por conseguir atingir o nosso objetivo. Temos um cão amoroso e bem educado, que nos dá muitas alegrias. Também faz as suas malandrices mas sem isso não iria meter tanta piada. Quando tudo acalmou agradeci por nunca termos atirado a toalha ao chão. Por termos tido coragem de acrescentar um patudo à nossa família, a 100%.

Ainda penso algumas vezes como será o dia em que ele já não esteja cá - infelizmente nos últimos meses assisti a muita gente perder o seu animal e até me vêm as lágrimas aos olhos - mas não me deixo consumir pela ansiedade. Aproveito todos os minutos com ele e tentamos ser os melhores donos possíveis. Agradeço por todos os dias que temos juntos e sinto-me grata por toda esta experiência. A vida não é eterna, todos sabemos, mas há que aproveitar ao máximo enquanto cá estamos. 

E nós estamos a fazer valer todos os dias!

segunda-feira, outubro 16

: A esperança que se vai.


Não consigo escrever palavras de esperança quando Portugal está a arder. O nosso país - o nosso belo país - está a ficar negro. Na paisagem, na alma de todos nós. Tantas vidas que são perdidas. Pessoas que perdem tudo. Um pinhal com 700 anos de história que desaparece, quase por completo, num dia. O meu coração está apertado, por ter um incêndio relativamente perto da aldeia que me acolhe todos os verões e onde o David tem família. Sinto-me impotente, aqui tão longe. Sinto-me sufocada, sem conseguir imaginar como estarão as coisas por lá. Portugal, o país que eu tanto amo, está reduzido a cinzas. Está reduzido a lágrimas, tristeza, luto. É urgente reunir especialistas para estipular estratégias, para tentar prevenir novas catástrofes. É essencial dar a mão a quem luta contra as chamas; A quem com nada ficou. Está na altura de deixarmos os problemas menores de lado e unir forças, para fazer a diferença. Por Portugal, juntos. Por Portugal, sempre.

sexta-feira, outubro 13

: Tempo frio, onde andas?!


Confesso que apesar de gostar de um bom dia de sol tenho saudades dos dias mais frescos. Tenho saudades dos meus casacos quentes, dos meus mil gorros e cachecóis. Tenho saudades de beber um chá morno com a manta em cima das pernas. Tenho saudades dos dias que começam com nevoeiro. Até do som da chuva tenho saudades. Talvez daqui a uns meses esteja a sentir falta do sol mas, neste momento, preciso mesmo que o frio venha e se instale. Já chega de calor!

terça-feira, outubro 10

: Terei aprendido a gostar - realmente - de mim?


Nunca fui de grandes complexos. Sempre fui a rapariga que era feliz com os seus cabelos naturais, que não ansiava ter outro corpo, que não se importava por não ter coisas de marca. Sou o tipo de mulher que nem sequer repara se alguém repetir a roupa dois dias seguidos! Não me maquilho, não uso sapatos altos, às vezes não tenho a depilação em dia. Tento descomplicar. 

Claro que passei uma fase em que me incomodavam, por exemplo, os pêlos que tinha nos braços. A minha mãe ainda mos descolorou dois ou três verões até eu perceber que estava a ser parva, visto que ter pêlos não quer dizer nada. A partir daí deixei de ligar a esses pormenores. Se alguém caía no erro de me dizer "Ai, tens tantos pêlos nos braços" recebia logo em resposta "E tu, não tens?". Cheguei ao ponto de pôr os meus braços ao lado do das crianças para vermos que todos tínhamos pêlos e as diferenças entre eles. Sempre a desconstruir preconceitos!

A única coisa que sempre me acompanhou foi o meu stress. Ficava nervosa com testes, com apresentações, quando sabia que ia estar fora da minha zona de conforto. E, por culpa disso, roía as unhas. Ou então comia doces para afagar a alma. Era uma espiral destrutiva e só me apercebi disso quando o meu corpo se queixou. Falta de ar, dores nos joelhos, falta de ânimo até para o que eu gosto. 

Decidi mudar aos poucos. Deixei de roer as unhas no verão. Há uns bons meses que elas estão bonitas. Mais recentemente comecei a cortar nos doces. Não os tirei radicalmente porque senão seria pior e iria cair em tentação. Comprei "doces" saudáveis e ainda estou a educar o meu paladar. Não tenciono ir para um ginásio - não é para mim - mas gostava de fazer pilates ou yoga. Fortalecer a mente e o corpo. Ou, quem sabe, hidroginástica por causa dos meus joelhos. Seja como for aos poucos estou a olhar para mim com outros olhos e isso já é um começo.

Não preciso de andar boneca para cuidar de mim. Basta saber respeitar o meu corpo e querer o melhor para ele. Aos poucos tenho aprendido a gostar verdadeiramente de mim! 

quarta-feira, outubro 4

: Ouvir para além da voz.


O tema da minha tese de mestrado foi "Dar voz às vozes das crianças". Defendo com unhas e dentes que devemos ouvir os mais pequenos e construir o modelo educativo a partir deles, com eles, para eles. De que vale impormos a nossa ideia se depois ela não tem resultados benéficos?! Durante os três anos de ATL desliguei-me um pouco do trabalho por projectos e o ano passado - o primeiro enquanto educadora - foi um regressar a rotinas às quais já não estava acostumada. Claro está que algumas coisas estavam enferrujadas.

Por um lado sentia que estava a fazer um bom trabalho mas, por outro, sentia que faltava alguma coisa. Que ainda não se tinha feito o click como havia feito no meu último estágio. Até hoje. Estávamos a falar sobre animais (a propósito do Dia do Animal) e a brincar com fantoches de animais quando um dos pequenos me perguntou "Cláudia podemos fazer um teatro para depois mostrarmos aos amigos?". Acedi de imediato. Depressa o teatro se transformou numa apresentação dos animais aos meninos da sala ao lado (2/3 anos). Cada um escolheu um fantoche e falou desse animal. Os mais pequenos adoraram e tomaram atenção do início ao fim. Ainda tivemos tempo de partilhar os fantoches com a outra sala e de brincarmos ao faz de conta. Tenho a sorte de ter uma colega super acessível que alinha em todas as "loucuras". Ainda que em salas diferentes fazemos um trabalho conjunto e tentamos ao máximo que os dois grupos interajam.

Todos ganhámos com esta atividade, que nem sequer estava planeada. Os mais pequenos, pela partilha de conhecimentos que ouviram e pela brincadeira. Os "meus" traquinas porque se sentiram importantes e úteis, ao ensinar aquilo que sabem. Nós, educadoras, porque confirmámos que os dois grupos juntos é uma mais valia. 

Se era mais fácil ter tudo estruturado e seguir à risca o plano? Talvez. Mas que graça isso teria se nenhuma das crianças tiver interesse? Posso ter que adaptar o dia todo mas não tem mal. Saio de lá de coração cheio!

segunda-feira, outubro 2

: A triste realidade.


Aviso já: não percebo nada de política. Mas isso não me impediu de ontem exercer o meu direito ao voto. Venho de uma família que nada liga à política e que muitas vezes se baldou a votações. Eu não consigo ser assim. Não consigo ignorar a importância que pode ter um voto. Este ano tomei uma posição e até li os cadernos eleitorais. O que percebi? Que todos dizem o mesmo, ainda que usando palavras diferentes. Todos prometem coisas que sabemos bem não serem exequíveis. E a maioria das pessoas escolhe continuar a acreditar nas mentiras que enchem os ouvidos - vejamos o caso de Oeiras e do Isaltino Morais.

Há um único partido que partilha alguns valores comigo: o PAN. Não me revejo nos seus fundamentalismos mas não podemos negar que, pelo menos, tentam alcançar algumas mudanças efectivas. Dão voz aos que não falam e, ainda que ignorados, não desistem. Se vão longe demais? Por vezes sim. Mas sem isso o mundo não avança. Aqui no município onde vivo é impensável eles ganharem uma vez que, infelizmente, por aqui há uma grande tradição tauromáquica (algo que abomino e que me rende muitas discussões). Talvez por isso tenha tido uma grande surpresa quando vi que vai haver um deputado do PAN aqui no município. Talvez seja desta que o Floki tenha um simples parque para cães onde brincar à vontade!

Desta vez tive curiosidade em ver os resultados e percebi que o povo se queixa mas nada faz para mudar. Votam nos mesmos - quando vão votar sequer - sofrendo de amnésia temporária. E depois passam quatro anos a queixarem-se que está tudo igual. Enquanto as pessoas não perceberem que a diferença começa em cada um de nós continuaremos neste fim do mundo, sem evolução à vista. Eu exerci o meu dever de voto e estou de consciência tranquila. Talvez daqui a quatro anos as coisas mudem. Ou não...

sábado, setembro 30

: Colorir a vida.

Foto da minha autoria 

Sou contida e discreta em muitas coisas, principalmente na minha forma de viver. Mas há uma coisa em que não me importo de marcar a diferença: nos sapatos. Tenho desde ténis às flores até estas sandálias maravilhosas que respiram boas vibrações. Andei a namorá-las o verão inteiro, numa loja local. Aproveitei que a loja finalmente entrou em saldos e trouxe-as. São coloridas, divertidas, confortáveis. São o meu lado irreverente, que nem sempre mostro. Por medo, talvez. Enquanto não encher o peito de coragem vou marcando a minha posição através de pormenores. Uns sapatos. Uma mala. Um acessório. São partes de mim. Da minha forma de ser. E como eu gosto de colorir os dias, mesmo quando eles são cinzentos.

quinta-feira, setembro 28

: O que realmente importa.


Já lá vai o tempo em que me preocupava com o facto de não ter um grande grupo de amigos. Tenho meia dúzia de pessoas importantes e basta-me. Cheguei a uma fase da minha vida em que me limito a retribuir aquilo que os outros me dão. Deixei-me de rótulos e vivo, sem grandes preocupações. Vivo de bem com a vida e com aqueles que me trazem positivismo. Afasto-me das pessoas tóxicas e de todas aquelas que não mostram interesse. Cansei-me. De lutar, de ir atrás, de ser a totó de serviço. Já não sou uma miúda que precisa de validação de um grupo de amigos. Sou sim uma mulher que gosta de se rodear de quem lhe faz bem, sem grandes obrigações. Tenho comigo pessoas com quem posso até não falar durante um mês mas, ainda assim, tudo é igual. E isso, para mim, são verdadeiros amigos. 

segunda-feira, setembro 18

: O meu grito do Ipiranga.

Fotografia presente no meu instagram

Eu sou uma pessoa independente. Talvez por ser filha única. Talvez porque seja mesmo do meu feitio. O certo é que, regra geral, gosto de me desenrascar sozinha. Gosto de fazer o meu caminho. 

Isso só mudava quando dizia respeito a ir a algum sítio sozinha, deixando o David (e agora o cachorro) em casa. Não me sentia bem em fazê-lo porque parecia estar a perder momentos com ele. Tudo mudou nestas férias. O David não é o maior fã de praia e eu sou o oposto: até no inverno gosto de lá ir. Numa das manhãs perguntei-lhe se íamos à praia e ele torceu o nariz. Mas disse-me: "Então, mas vai tu!". E eu fui. Peguei na trouxa e pus os pés ao caminho. Li, fui à beira mar, ouvi as ondas, senti a areia. Senti-me bem. Lembrei-me deles, claro. Preferia tê-los comigo. Mas, ainda assim, aproveitei. Depois dessa seguiram-se mais três manhãs sozinha na praia. Ele descansou, o cão dormiu, eu cresci. Descobri que o mundo não explode se eu os deixar sozinhos. Descobri que não perco nada, só ganho. Tempo para mim, para as minhas coisas. 

E tão bem que me fez!

quinta-feira, setembro 7

: Boas recordações.


Sempre que podia jogava tetris na consola que pertencia à minha mãe. Já era velhinha e tinha fita-cola na tampa das pilhas mas, ainda assim, eu era apaixonada e conseguia ficar horas a jogar nela. Os tempos mudaram e agora jogo tetris no tablet ou até no telemóvel. Perdeu-se a magia de carregar apressadamente nas teclas e de ver as peças a passarem pelos nossos olhos, a preto e branco. Perdi a magia de jogar, sentada ao lado da minha avó - também ela super apaixonada pelo tetris. Tive uma infância feliz. E esta imagem relembrou-me isso. Está na altura de ir procurar a máquina velhinha e pô-la a funcionar novamente.

terça-feira, setembro 5

: Vida de borboleta.


Ninguém dura para sempre, já todos sabemos isso. Nascemos com data de validade e temos apenas que aproveitar a vida para voar o mais longe possível. Para ver o maior número de coisas. Para viver tudo aquilo que o coração pedir. Sabemos que um dia tudo irá acabar e seremos apenas recordações, nas palavras e pensamentos de quem era especial. Perder a minha avó fez-me começar a encarar esse momento da vida como algo natural, pelo qual todos iremos passar um dia. Foi a minha forma de amenizar as saudades. Poucos meses depois o David perdeu o avô. E eu tive a sensação que de que a vida passava sem darmos por ela. Que vivíamos como borboletas - de forma demasiado rápida para aproveitar tudo o que a vida tem de melhor. Esse pensamento solidificou-se em mim assim que fiquei a saber que uma pessoa especial, quase família, estava no hospital. Que tinha tido um AVC. Que nunca mais seria o mesmo. O meu primeiro professor de música  - que me viu crescer durante dez anos - sempre tão independente apesar da idade avançada está doente. A vida é efémera e eu sinto que há tantas coisas que não chegamos a viver. Sinto que ficam tantas palavras por dizer. Não sei o que o futuro lhe reserva mas não pretendo perder tempo em vão. Não pretendo ficar com remorsos. Assim que puder vou aproveitar mais uma tarde de muita conversa com ele, que tanto me ensinou -  muito para além da música. Assim que puder vou agradecer-lhe por tudo o que fez, sem esperar nada em retorno. De outra forma não poderia fazer sentido.

domingo, setembro 3

: Ser Educadora: o lado arco-íris.


Se primeiro falei do lado menos colorido agora tenho que vos falar do lado arco-íris. Foi este o lado que me fez apaixonar pela Educação de Infância e que, ainda hoje, me enche o coração. Claro que há outras áreas de estudo pela qual sou apaixonada - ainda não desisti de trabalhar numa ludoteca - mas neste momento não me imagino a fazer outra coisa que não esta: ajudar crianças a crescerem felizes.

1. As relações que criamos. A grande parte das crianças passa tanto tempo na escola quanto em casa. É importante, por isso, que ela se sinta bem connosco. Eu tento sempre arranjar um meio termo onde elas percebam que podem contar comigo para tudo sem perder o lado adulto, de pessoa responsável. Estou sempre pronta para brincar com eles mas também quero que saibam que tenho o dever de manter a ordem e de lhes mostrar a diferença entre o certo e o errado. Se isto for feito de maneira consistente conseguimos criar uma relação à prova de bala. Posso dizer-vos que confio no meu grupo e que, juntos, fazemos mil e uma coisas.

2. O carinho. As crianças demonstram o carinho de maneiras diferentes. Há algumas que dão imensos abraços/beijinhos e, pelo contrário, há outras que apenas nos procuram quando precisam de um porto seguro. Seja como for sente-se sempre o carinho. Nos pedidos para empurrarmos o baloiço. Nas brincadeiras que têm connosco. No dar-nos a mão ou quererem sentar-se ao nosso lado no chão. As crianças são seres puros e demonstram todo o amor que sentem por nós.

3. Poder fazer a diferença. Ser educadora não é só ensinar os números/letras/cores... É ensiná-los a amar os outros, o mundo, a eles mesmos. É dar-lhes as ferramentas necessárias para descobrirem o seu caminho em segurança. É dar-lhes espaço para crescerem. É ficar feliz por vê-los adquirir independência. Por vê-los moldar a sua personalidade. Ser educadora é estar presente sem ser impertinente. Adoro responder às perguntas deles mas, na maioria dos casos, dou-lhes ferramentas (imagens, filmes,...) para conseguirem descobrir as respostas ao seu ritmo. E é adorável vê-los alcançar a compreensão. É delicioso vê-los serem curiosos. Quererem aprender sempre mais. Ser educadora é abrir espaço para a curiosidade.

4. Conhecê-los de olhos fechados. Quando fui de férias em Junho deixei dois papéis escritos com todas as informações sobre o meu grupo. Foi nessa altura que percebi que os conhecia como a palma das minhas mãos. Conheço mais do que as mochilas e os bonés. Conheço os gostos, as birras, a melhor forma de lidar com eles. Conheço-lhes o abraço. E isso só acontece quando abrimos o nosso coração e os deixamos entrar. Todas as crianças com as quais trabalhei se tornaram um pedaço de mim. E, por incrível que pareça, há sempre espaço para mais!

5. Ouvi-los chamar o nosso nome. Vá, tenho que ser sincera, há dias em que eles nos chamam demasiadas vezes e parece que nos querem gastar o nome. Mas, por norma, adoro ouvi-los chamarem-me. Porque é sinal que confiam em mim quando precisam de algo. E quando são os mais pequenos - de outras salas - a chamarem-me?! Fazem-me sempre sorrir, pois muitos deles não conseguem dizer o meu nome da maneira certa! Uma coisa tão simples e que me faz tão feliz. 

6. As famílias. Se há famílias menos agradáveis também há - muitas - famílias que nos acarinham. Que nos dão palavras de conforto. Que nos dão um abraço. Há famílias que nos agradecem pelo nosso trabalho e que falam abertamente sobre as dúvidas que têm. Quando comecei a trabalhar o meu maior medo eram as famílias. Felizmente aprendi a lidar bem com estas, respeitando os seus desejos e tentando criar, ao máximo, uma ligação casa/escola. Porque a verdade é que a educação das crianças passa por estes dois locais e tem que ser complementar. Há famílias que nos enchem o coração. E são essas que me fazem ter a certeza que estou no lugar certo!

quarta-feira, agosto 30

: Viseu, vejo-te para o ano.

Adenodeiro - Imagem captada em Julho 2016

Este verão foi o primeiro - desde há cinco anos - em que não fomos para Viseu passar uns dias. Foi o primeiro ano em que não fomos para a aldeia absorver a paz que só lá se consegue ter. Foi o primeiro ano em que não fugimos um dia para as piscinas de Lamego e utilizámos a viagem para comprar bôla para toda a família. Não fomos por uma razão muito simples mas, ainda assim, forte: o cachorro ainda é pequeno e mete tudo à boca. Tivemos receio que ele metesse algum tipo de veneno à boca e lá em cima não conhecemos nenhum veterinário que seja perto e esteja 24 horas aberto. Sei que não devemos condicionar desta forma a nossa vida - e que até faria bem ao cachorro aquele ar puro - mas é impossível não tentar antecipar certas coisas. Ele é super curioso e sempre que vamos a casas com quintais é vê-lo a explorar tudo e a trazer na boca desde paus até pequenas laranjas. Daí até meter na boca algo que realmente lhe fizesse mal vai um pequeno passo! 

Para o ano, se tudo correr bem, iremos passar lá uns dias. Ele já vai ter quase dois anos e a segurança já é maior. Até já andámos a estudar os veterinários nas redondezas caso tenhamos algum problema. As nossas únicas preocupações serão ter atenção ao que está no chão - teremos que fazer uma grande limpeza mal chegarmos - e ficarmos por casa nas horas de maior calor. Ainda assim teremos muito tempo para explorar a aldeia com ele; para levá-lo a uma praia fluvial pouco frequentada e onde ele poderá andar mais à vontade. Estou ansiosa por voltar ao Norte. E desta vez iremos super acompanhados!