Se primeiro falei do lado menos colorido agora tenho que vos falar do lado arco-íris. Foi este o lado que me fez apaixonar pela Educação de Infância e que, ainda hoje, me enche o coração. Claro que há outras áreas de estudo pela qual sou apaixonada - ainda não desisti de trabalhar numa ludoteca - mas neste momento não me imagino a fazer outra coisa que não esta: ajudar crianças a crescerem felizes.
1. As relações que criamos. A grande parte das crianças passa tanto tempo na escola quanto em casa. É importante, por isso, que ela se sinta bem connosco. Eu tento sempre arranjar um meio termo onde elas percebam que podem contar comigo para tudo sem perder o lado adulto, de pessoa responsável. Estou sempre pronta para brincar com eles mas também quero que saibam que tenho o dever de manter a ordem e de lhes mostrar a diferença entre o certo e o errado. Se isto for feito de maneira consistente conseguimos criar uma relação à prova de bala. Posso dizer-vos que confio no meu grupo e que, juntos, fazemos mil e uma coisas.
2. O carinho. As crianças demonstram o carinho de maneiras diferentes. Há algumas que dão imensos abraços/beijinhos e, pelo contrário, há outras que apenas nos procuram quando precisam de um porto seguro. Seja como for sente-se sempre o carinho. Nos pedidos para empurrarmos o baloiço. Nas brincadeiras que têm connosco. No dar-nos a mão ou quererem sentar-se ao nosso lado no chão. As crianças são seres puros e demonstram todo o amor que sentem por nós.
3. Poder fazer a diferença. Ser educadora não é só ensinar os números/letras/cores... É ensiná-los a amar os outros, o mundo, a eles mesmos. É dar-lhes as ferramentas necessárias para descobrirem o seu caminho em segurança. É dar-lhes espaço para crescerem. É ficar feliz por vê-los adquirir independência. Por vê-los moldar a sua personalidade. Ser educadora é estar presente sem ser impertinente. Adoro responder às perguntas deles mas, na maioria dos casos, dou-lhes ferramentas (imagens, filmes,...) para conseguirem descobrir as respostas ao seu ritmo. E é adorável vê-los alcançar a compreensão. É delicioso vê-los serem curiosos. Quererem aprender sempre mais. Ser educadora é abrir espaço para a curiosidade.
4. Conhecê-los de olhos fechados. Quando fui de férias em Junho deixei dois papéis escritos com todas as informações sobre o meu grupo. Foi nessa altura que percebi que os conhecia como a palma das minhas mãos. Conheço mais do que as mochilas e os bonés. Conheço os gostos, as birras, a melhor forma de lidar com eles. Conheço-lhes o abraço. E isso só acontece quando abrimos o nosso coração e os deixamos entrar. Todas as crianças com as quais trabalhei se tornaram um pedaço de mim. E, por incrível que pareça, há sempre espaço para mais!
5. Ouvi-los chamar o nosso nome. Vá, tenho que ser sincera, há dias em que eles nos chamam demasiadas vezes e parece que nos querem gastar o nome. Mas, por norma, adoro ouvi-los chamarem-me. Porque é sinal que confiam em mim quando precisam de algo. E quando são os mais pequenos - de outras salas - a chamarem-me?! Fazem-me sempre sorrir, pois muitos deles não conseguem dizer o meu nome da maneira certa! Uma coisa tão simples e que me faz tão feliz.
6. As famílias. Se há famílias menos agradáveis também há - muitas - famílias que nos acarinham. Que nos dão palavras de conforto. Que nos dão um abraço. Há famílias que nos agradecem pelo nosso trabalho e que falam abertamente sobre as dúvidas que têm. Quando comecei a trabalhar o meu maior medo eram as famílias. Felizmente aprendi a lidar bem com estas, respeitando os seus desejos e tentando criar, ao máximo, uma ligação casa/escola. Porque a verdade é que a educação das crianças passa por estes dois locais e tem que ser complementar. Há famílias que nos enchem o coração. E são essas que me fazem ter a certeza que estou no lugar certo!