Quando era miúda estava sempre a dizer que não conseguia fazer as coisas. Há montes de filmagens em que digo que não consigo subir para a bicicleta ou que não consigo beber água nos repuchos que existem nos parques, por exemplo. Os meus pais sempre me incentivaram a enfrentar esses desafios e, talvez por isso, tenha crescido sem grandes medos. Só não gostava de estar perto de cobras ou aranhas muito grandes, o que ainda hoje se mantêm. Veio acrescentar-se, mais tarde, o nojo às baratas. Nem consigo olhar para imagens sem ficar agoniada!
Com a idade veio uma maior perceção da realidade - porque a verdade é que em crianças não temos real noção de todos os perigos - e um medo absurdo das alturas. Lembro-me perfeitamente do dia em que tive o meu primeiro ataque de pânico por causa disso. Dia da criança, 2011. Eu e o David decidimos ir ao Jardim Zoológico, visto que nenhum de nós lá ia há bastante tempo. Passei o tempo todo a chateá-lo para irmos ao teleférico, que sempre tinha sido a minha parte preferida. Entrei no teleférico toda contente e assim que ele abandonou a plataforma eu ia morrendo. Fiquei feita pedra e o meu coração quase saía pela boca. Estava presa a imensos metros no chão e só conseguia pensar que aquilo ia cair. Fiz a viagem toda sentada no chão do teleférico com o David a tentar acalmar-me. A ânsia de sair dali era tão grande que na chegada ia tropeçando ao sair! A partir daí as alturas deixam-me maldisposta. Se eu souber que estou num sítio com uma grande rede de proteção - como, por exemplo, no Cristo Rei - controlo-me bem. Mas ficar à beira de penhascos, subir a escadotes ou andar em muralhas de antigas fortalezas está fora de questão. As minhas pernas tremem e eu não me consigo mexer. O pior... Não percebo o porquê deste medo, visto que nunca nada de mau me acontece nas alturas! Há coisas que não dão mesmo para explicar...
Nem sempre tive este medo - até já andei de avião em miúda!! - mas quando veio atacou em força. Eu vou tentando combatê-lo aos poucos: até já andei novamente de teleférico, desta vez o do Parque das Nações! Mas é difícil e nem imagino como vivem as pessoas com fobias bem mais graves do que esta...
Por aí, também têm alguma medo/fobia que não consigam explicar?