segunda-feira, junho 3

: Quando os caminhos não se cruzam.

Fotografia própria, Maio 2019

Poderia dizer-vos que ando mais ausente daqui por falta de tempo mas não estaria a ser totalmente sincera. É verdade que ando com menos tempo e o tempo livre que tenho aproveito para outras coisas. Mas a verdade é que não é só isso. Ando sem vontade de escrever por aqui. Tenho até bastantes textos começados mas ficam a meio e acabam por ser esquecidos. Em contrapartida estou a avançar a passos largos na conclusão do meu segundo livro. Talvez este ano consiga partilhá-lo convosco. Estou a fazer por isso!

Parte de mim sente saudade de ser assídua neste espaço: de escrever e de ler-vos todos os dias. Mas a vida real sobrepõem-se e eu tenho que tomar decisões, por muito que me custem. Pelo menos para já serei uma visita esporádica, quase uma leitora fantasma. Mas estou por aqui. Sempre estarei. Quem me conhece sabe que nunca me conseguiria afastar muito tempo do blogue. Agora há que encontrar o ponto estável onde todos os caminhos da minha vida se possam encontrar. 

domingo, junho 2

: Ainda sobre o dia da criança...

Fotografia própria, Maio 2019

... E sobre a necessidade de brincarem para aprender!

Enquanto educadora confesso que um dos meus defeitos era não conseguir ver a sala de pernas para o ar durante muito tempo. Deixo-os brincar à vontade mas tentava que existisse o mínimo de ordem, até para não gerar confusão. Se com o grupo de pré-escolar conseguia que eles fossem arrumando o que já não queriam é óbvio que em creche - berçário ainda por cima - é uma guerra automaticamente perdida.

Tive que me mentalizar que a sala vai estar sempre desarrumada, pelo menos por agora. E que é nessa desarrumação que eles tanto vão aprender. De cada vez que entram/saiem da piscina de bolas estão a treinar a motricidade grossa, a aprimorar os movimentos que já fazem, a estimular os músculos, a ganhar forças. De cada vez que atiram bolas para fora da piscina - por muito que me chateie - estão a estabelecer ligações com os amigos e a criar jogos simples com os seus pares. Estão a treinar a pontaria. De cada vez que pegam numa colher e fingem que estão a comer - ou a dar-me comida a mim! - estão a trabalhar a motricidade fina enquanto estimulam a criatividade, fundamentais para o seu crescimento saudável. De cada vez que esvaziam uma caixa estão a ter as primeiras noções - muito básicas - de matemática, trabalhando as quantidades de uma forma rudimentar. De cada vez que espalham os bebés e os passeiam, adormecem ou mos dão estão imersos no jogo simbólico e a demonstrar aquilo que aprenderam com os seus adultos de referência. Estão a demonstrar-nos aquilo que absorveram e que para eles é importante. De cada vez que se sentam com os livros todos espalhados estão atentos às imagens e curiosos com aquilo que lhes digo ou mostro.

Até quando caem - muitas vezes por culpa dos brinquedos espalhados - estão subtilmente a aprender a necessidade de organização. Já dei por eles a arrumar as coisas sem ser preciso dizer-lhes nada. E, talvez por isso, os estimulo tanto a serem eles a arrumar a sala sempre que vamos passar a outro momento do dia [almoço, sesta, lanche,...]. Ao contrário do que possam imaginar eles arrumam os brinquedos com todo o ânimo e sabem o local certo das coisas. E o meu peito explode de orgulho por eles. Pelo que eles cresceram.

Enquanto educadora sei os meus defeitos e pontos fracos. Um deles era a questão de arrumação. Mas como adulta que sou pus de parte esses problemas e olhei para o que realmente importava para eles. O que percebi? Uma sala desarrumada é uma sala feliz!