sábado, março 23

: Uma noite que fica para a vida toda!

Fotografia retirada do instagram pessoal da Carolina Deslandes

Não sigo o trabalho da Carolina Deslandes desde o início. Mas quando ouvi o último álbum dela - Casa - não consegui ficar indiferente ao seu talento. Desde aí que sigo tudo aquilo que ela lança e nunca me desilude. Por isso mesmo, assim que soube que ela iria atuar no Coliseu de Lisboa não hesitei em comprar bilhete. E, fez ontem uma semana, foi a grande noite. Uma noite especial para a Carolina e para todos aqueles que tiveram o prazer de a ver estrear-se num palco que ela própria assume que nunca pensara pisar.

O concerto começou com as músicas mais antigas dela, dos primeiros álbuns. Viajámos, por exemplo, por Heaven até aterrarmos na música que ela lançou com o Agir e com o Diogo Piçarra, Respirar. Qual não é o nosso espanto quando os dois entram em palco, tornando a noite ainda mais especial. Mas eles seriam os primeiros de bastantes convidados. 

Após uma introdução única ao álbum Casa em que ela nos convidou a entrar na sua pequena bolha pessoal, eis que da parte superior do palco descem mobílias. Ao longo de todo o concerto foram descendo alguns elementos, dando a sensação de que apesar de estarmos numa grande sala estávamos também em casa. Como se fôssemos todos amigos de longa data.

Foi aí que a magia começou verdadeiramente. Fomos desde a Miúda Gosta, passando por Adeus amor adeus cantado em duo com a Raquel Tavares até chegarmos a Éramos Nós Dois. Quando ela convidou a sua cara metade - Diogo Clemente - para subir ao palco soubemos que vinha de lá momentos especiais. Durante aqueles minutos foram só eles e a guitarra, sentados à beira do palco num ambiente íntimo. Cantaram em dueto a Coisa mais bonita demonstrando a todo o Coliseu o sentimento forte que os une e que é impossível esconder. Numa bela homenagem ao primeiro filho, Santiago, cantou a Nos teus olhos explicando-nos a história que a levou a escrever aquela letra. Ainda ouve espaço para nos apresentar uma das músicas que irá estar no novo álbum. Ouvir a Inquieta deixou-me muito curiosa com todas as músicas que ainda ficaram por conhecer.

Foi com grande entusiasmo que ela chamou ao palco Irma, Soraia e Diana para apresentarem, pela primeira vez, uma nova experiência que constará no novo álbum. A música terá só as vozes dela e deixou-me boquiaberta com a capacidade delas para harmonizarem na perfeição. Se quiserem ter uma preview da música basta carregarem aqui

A música Nuvem era - pelo menos para mim - uma das mais esperadas da noite. Ela sempre disse que a iria cantar ao vivo, pela primeira vez, nos Coliseus. Sendo uma música tão especial e tão emotiva eu sabia que iria mexer comigo. A forma como introduziu a música fez-me logo chorar e durante os primeiros versos fui incapaz de cantar. Lembrei-me da minha lua e quando olhei à minha volta soube que não estava sozinha. Muitas pessoas limpavam os olhos e todos cantámos em coro. No fim dessa música a Carolina foi aplaudida de pé, numa demonstração de força para ela que, como era esperado, não conteve as lágrimas de emoção. Não duvido que o seu avô esteja orgulhoso. 

Como as surpresas não acabavam por ali continuou a chamar convidados especiais. Dessa vez foi Janeiro para cantarem uma música que gravaram juntos. Dada a diferença de alturas entre os dois houve espaço para brincadeiras e todo o Coliseu riu com ela. Se o ambiente já estava descontraído ficou ainda mais depois desse momento. Claro está que também não poderia falhar o Jimmy P que gravou há pouco tempo com a Carolina o tema Contigo, que interpretaram ao vivo. Confesso que ainda não tinha conseguido ouvir a música e ouvi-la pela primeira vez no Coliseu foi um momento especial.

O concerto terminou, como não poderia deixar de ser, com A vida toda. A música que lhe deu força para avançar com o álbum Casa e que nos conquistou a todos numa primeira audição. Uma música que me diz tanto, mesmo sem ser minha. Uma música que o Coliseu cantou em uníssono deixando-a sem palavras. 

Despediu-se de nós, agradecendo, mas ninguém saiu do seu lugar pedindo mais músicas. Ela regressou para mais duas músicas. Circo de Feras, numa bonita homenagem. E, para finalizar, teve o seu "Momento Deslandes" com a música Não é verdade. Uma música antiga que ela contou ter sido a primeira que as pessoas cantavam com ela quando fazia pequenos concertos. Terminou a noite dizendo que só ali, depois daquele concerto, teve noção do quanto as pessoas gostavam das suas músicas. Chamou todos os seus convidados ao palco, chamou os músicos (bastante talentosos e que, muitas vezes, me fizeram olhar para eles) e chamou ainda os seus pais, que não esconderam o orgulho que têm nela. Foi aplaudida de pé por toda a sala, numa ovação mais do que merecida.

Ao longo da noite a Carolina não desiludiu em momento algum. A voz dela é mágica, de um poder enorme. A forma como introduzia as músicas, deixando lições de vida, abrindo caminho para sentirmos as suas letras com todo o coração. Se tivesse que resumir este concerto numa só palavra seria emoção. Ri, chorei, senti-me apaixonada. Irei repetir a dose, sem dúvida alguma.

3 comentários:

  1. Depois do teu comentário fiquei à espera ansiosamente por esta publicação. Também limpei lágrimas na "Nuvem" e ri-me no momento do dueto com o Janeiro. Ler-te foi como estar lá outra vez. Obrigada Cláudia.
    Beijinho!

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  2. Deve ter sido mesmo um concerto bonito e muito especial.

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  3. Estou completamente arrepiada! Só de imaginar o momento, através das tuas palavras, já fico com o coração bem reconfortado. Imagino estar lá, a viver cada segundo desta experiência mágica. A Carolina é mesmo uma artista brilhante *-*

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?