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sexta-feira, agosto 9

: Rumo ao horizonte...


Foi há quatro anos que entrei nesta aventura. Disse, no primeiro texto, que era feita de marés. E sou. Ainda sou. Cada vez mais. Vou e venho conforme os meus sentimentos, conforme as vontades das marés que preenchem o meu ser. Ando ausente, à deriva no oceano. Ando distante de tudo, focada em pormenores que ignorava no passado mas que agora são importantes para mim. A verdade é que tenho muitas coisas que vos poderia escrever mas o tempo é usado para tudo aquilo que mais faz sentido agora. E o blogue ficou inevitavelmente em pausa. A minha faceta de escritora ficou confinada aos cadernos e às histórias que voltei a escrever. Não dá para esconder mais que já não me sinto em casa aqui. Não agora. Foram quatro anos divertidos onde conheci pessoas maravilhosas e onde tive a oportunidade de trocar ideias interessantes. Foram quatro anos que guardarei com bastante carinho. Não duvido que voltarei, no futuro. Num outro formato e com outra maturidade, quando fizer sentido novamente. Até lá vou navegar por outras águas. Obrigada por todo o carinho nestes anos... ♥

Até um dia. ♥♥

segunda-feira, junho 3

: Quando os caminhos não se cruzam.

Fotografia própria, Maio 2019

Poderia dizer-vos que ando mais ausente daqui por falta de tempo mas não estaria a ser totalmente sincera. É verdade que ando com menos tempo e o tempo livre que tenho aproveito para outras coisas. Mas a verdade é que não é só isso. Ando sem vontade de escrever por aqui. Tenho até bastantes textos começados mas ficam a meio e acabam por ser esquecidos. Em contrapartida estou a avançar a passos largos na conclusão do meu segundo livro. Talvez este ano consiga partilhá-lo convosco. Estou a fazer por isso!

Parte de mim sente saudade de ser assídua neste espaço: de escrever e de ler-vos todos os dias. Mas a vida real sobrepõem-se e eu tenho que tomar decisões, por muito que me custem. Pelo menos para já serei uma visita esporádica, quase uma leitora fantasma. Mas estou por aqui. Sempre estarei. Quem me conhece sabe que nunca me conseguiria afastar muito tempo do blogue. Agora há que encontrar o ponto estável onde todos os caminhos da minha vida se possam encontrar. 

domingo, junho 2

: Ainda sobre o dia da criança...

Fotografia própria, Maio 2019

... E sobre a necessidade de brincarem para aprender!

Enquanto educadora confesso que um dos meus defeitos era não conseguir ver a sala de pernas para o ar durante muito tempo. Deixo-os brincar à vontade mas tentava que existisse o mínimo de ordem, até para não gerar confusão. Se com o grupo de pré-escolar conseguia que eles fossem arrumando o que já não queriam é óbvio que em creche - berçário ainda por cima - é uma guerra automaticamente perdida.

Tive que me mentalizar que a sala vai estar sempre desarrumada, pelo menos por agora. E que é nessa desarrumação que eles tanto vão aprender. De cada vez que entram/saiem da piscina de bolas estão a treinar a motricidade grossa, a aprimorar os movimentos que já fazem, a estimular os músculos, a ganhar forças. De cada vez que atiram bolas para fora da piscina - por muito que me chateie - estão a estabelecer ligações com os amigos e a criar jogos simples com os seus pares. Estão a treinar a pontaria. De cada vez que pegam numa colher e fingem que estão a comer - ou a dar-me comida a mim! - estão a trabalhar a motricidade fina enquanto estimulam a criatividade, fundamentais para o seu crescimento saudável. De cada vez que esvaziam uma caixa estão a ter as primeiras noções - muito básicas - de matemática, trabalhando as quantidades de uma forma rudimentar. De cada vez que espalham os bebés e os passeiam, adormecem ou mos dão estão imersos no jogo simbólico e a demonstrar aquilo que aprenderam com os seus adultos de referência. Estão a demonstrar-nos aquilo que absorveram e que para eles é importante. De cada vez que se sentam com os livros todos espalhados estão atentos às imagens e curiosos com aquilo que lhes digo ou mostro.

Até quando caem - muitas vezes por culpa dos brinquedos espalhados - estão subtilmente a aprender a necessidade de organização. Já dei por eles a arrumar as coisas sem ser preciso dizer-lhes nada. E, talvez por isso, os estimulo tanto a serem eles a arrumar a sala sempre que vamos passar a outro momento do dia [almoço, sesta, lanche,...]. Ao contrário do que possam imaginar eles arrumam os brinquedos com todo o ânimo e sabem o local certo das coisas. E o meu peito explode de orgulho por eles. Pelo que eles cresceram.

Enquanto educadora sei os meus defeitos e pontos fracos. Um deles era a questão de arrumação. Mas como adulta que sou pus de parte esses problemas e olhei para o que realmente importava para eles. O que percebi? Uma sala desarrumada é uma sala feliz!

quarta-feira, maio 15

: Onde eu queria sempre estar.

Fotografia própria. Maio 2019

Que privilégio poder, ano após ano, visitar a Costa Vincentina. Poder, anos após ano, continuar a apaixonar-me por locais que já tão bem conheço. Poder continuar a ver esta paisagem que me corta a respiração: este manto azul abraçado pelo verde forte da esperança. Poder contemplar o mais bonito pôr-do-sol que Portugal alguma vez me ofereceu. Poder descobrir os pequenos paraísos que as dunas habilmente escondem. Sentar-me à beira do rio Mira sentindo a maresia que vem do oceano ali mesmo ao lado. O sol a queimar-me a pele, a água fria a beijar-me, os peixes que nadam aqui tão perto. Ver o rio entrar no oceano. Ficar com a pele salgada e esquecer a rotina. Fechar os olhos e ouvir as ondas. Ler sem olhar para o relógio. Escrever sem limites. Meditar.

Milfontes é o meu retiro espiritual, que preciso visitar todos os anos. Não abdico dela e continuarei a tomá-la como minha. Oh, que belo privilégio tê-la conhecido. Nela sou mais feliz.

: As memórias que a música me traz [2]


Olho para ti, através dos meus óculos já meio desgastados. Sei que me fazes mal mas não te quero deixar ir. Amo-te, penso na minha inocência adolescente. Os teus lábios movem-se mas eu não oiço uma palavra do que tu dizes. Do que importa ouvir-te? Já sei que no final da tarde te vais embora. Para sempre. Que não importa que te peça para ficares. Ficas em silêncio e desvias o olhar, exasperado. Provavelmente percebeste que estavas a falar para o vazio. Eu sou assim, transparente. Levantaste-te perguntando-me se te acompanhava até os nossos caminhos se separarem. Respondi que não, que queria ficar ali. Encolheste os ombros e cuspiste um Tu é que sabes, como se a culpa da nossa separação fosse minha. Como se eu nada tivesse feito para evitá-la. Vi-te ir embora e chorei durante breves segundos. Depressa engoli o choro. Levantei-me, peguei em tudo o que era meu e fui para casa. Com os System of a Down a cantar-me ao ouvido e a achar que nunca mais seria feliz.

Ainda bem que tropecei nesta música. Nesta maravilhosa cover. Revivi o momento em que ouvi a sua versão original a caminho de casa, pensando que a minha vida tinha acabado. Mal eu sabia que, muito pelo contrário, iria começar finalmente. E que sorriria para mim. 

quinta-feira, maio 9

: A Cláudia que quero mesmo ser.

Fotografia própria. Abril 2019.

Não é à toa que dizem que a idade traz sabedoria. Não que eu seja assim tão velha mas o que vivi foi o suficiente para me mostrar de forma clara aquilo com que me devo realmente preocupar. Em tempos - não muito longíquos - vivi cheia de problemas comigo. Não só a nível psicológico mas também físico. Vivia atormentada pelos defeitos que o espelho me mostrava e que, durante bastantes anos, tentei esconder ou disfarçar. Vivia como que em suspenso, em constante espera que alguém reparasse naqueles pormenores que eu via de forma tão clara que era óbvio, apenas na minha cabeça, que todos iriam reparar.

Não gostava de mim apesar de não ter problema algum com terceiros. O problema era mesmo eu. Não me preocupava em olhar para o espelho. Nem sequer tinha gosto em arranjar-me um pouco. Limitava-me a existir e a conviver com pessoas das quais nem gostava propriamente. Os anos passaram. Ganhei peso e com ele veio, por incrível que pareça, uma liberdade. Quase como se fosse uma terapia. Talvez fosse do consolo que a comida dava. Ou então porque simplesmente me deixei de preocupar com a opinião alheia. Aqueles pêlos chatos nos braços deixaram de importar. A coxa larga passou a andar mais vezes de calções. Mas com essa liberdade vieram também consequências... Uma dor constante nos joelhos. E foi aí que tudo mudou. Tinha vinte e seis anos e uma dor constante que dificultava movimentos e que me prejudicava. Nunca parei - não me permiti isso - mas tinha que conviver com dores que não eram normais na minha idade. Pus um travão na escalada e mudei. Comecei por dentro e tem-se estendido ao exterior. As mudanças são ligeiras - quase impercetíveis - mas fundamentais para mim.

Foi preciso passar por todo este processo para olhar realmente para mim. Continuo a preferir andar prática e confortável mas também já ganhei gosto por vestir uma roupa mais arranjada. Continuo a não maquilhar-me mas voltei a experimentar penteados novos. Aprendi que tenho que respeitar o meu corpo como ele é. Ainda estou longe do meu peso ideal mas aos poucos, sem pressas, vou lá chegar. Um passo de cada vez, fazendo alguns desvios pelo caminho. Voltei a gostar de tirar fotos, mesmo que não fiquem perfeitas. Sou eu. E só tenho que aprender a gostar de mim, sem restrições.

terça-feira, maio 7

: Música para os meus ouvidos | GOT Relaxing Soundtrack


Posso não ver a série mas tenho que tirar o chapéu pela belíssima banda sonora que ela tem. Tropecei nesta coletânea e já embalou muitas sessões de escrita ou de trabalho. Sinto-me imediatamente relaxada e tanto que preciso disso!

domingo, maio 5

: [ Maligna ] de Joanne Harris

Fotografia própria

Sinopse: Algo dentro de mim recorda e não esquecerá... Alice e Joe têm em comum a paixão pela arte - ela é pintora e ele é músico - e, em tempos, estiveram também unidos pelo amor que sentiam um pelo outro. As suas vidas seguiram diferentes rumos, mas o reencontro é inevitável. Joe tem agora uma nova namorada, Ginny, que provoca em Alice uma intensa perturbação. A beleza etérea e singular de Ginny repele-a, e o seu sinistro grupo de amigos atemoriza-a. Os hábitos estranhos da jovem deixam Alice suficientemente inquieta para levar a cabo uma investigação por conta própria. E o que descobre vai mudar tudo. Ginny tem em seu poder um velho diário que conta a trágica história de amor de Daniel Holmes e Rosemary Virginia Ashley, cujo poder de sedução não conhece limites. Só que Rosemary morreu há meio século... mas o seu magnetismo não está certamente extinto. À medida que as histórias se entrelaçam, passado e presente fundem-se; Alice apercebe-se de que o seu ódio instintivo em relação à nova namorada de Joe pode não se dever apenas ao ciúme, já que algo em Ginny a arrasta irremediavelmente para um universo de insondável obsessão, vingança, sedução e sangue...


Já terminei esta obra na semana passada mas senti-me incapaz de dar a minha opinião mais cedo. Não só pela falta de tempo - que também existiu - mas porque tive que digerir por completo aquilo que li. Foi um livro que me fez ficar largos minutos a olhar para o vazio tentando analisar aquilo que tinha acabado de acontecer. Não me interpretem mal... É um bom livro. A Joanne Harris é uma escritora exímia e apesar desta ter sido a sua primeira obra - o que acabamos por denotar no decurso da narrativa - fiquei completamente enredada na história. Se, tal como eu, são leitores que se isolam do mundo exterior quando pegam num livro, então não há como evitar criar imagens daquilo que estamos a ler. E eu criei imagens. Muitas imagens. Imagens vívidas e algumas delas aterrorizantes.

Confesso que não foi um livro que me prendeu logo de início mas sensivelmente a meio da obra fiquei de tal forma embrenhada que queria ler sempre só mais um capítulo. A partir do momento em que se desvendou o mistério central tornou-se uma narrativa previsível mas, ainda assim, chocante. Em certos momentos quase podia jurar que sentia o cheiro a Alfazema que tantas vezes era descrito. Quase via os cabelos ruivos de Ginny. De Rosemary. Senti-me, por diversas vezes, na pele dos narradores - Daniel, do passado; Alice, do presente. Senti que estava a viver a vida deles, a sentir o misto de emoções que os deixavam loucos. Em certos momentos deixei de estar em casa para estar perdida nas ruas de Cambridge; Em Granchester, no cemitério. Por vezes dei por mim presa aos locais que Joanne descrevia e que automaticamente ganhavam vida na minha mente. Quase podia sentir os cheiros que pairavam no ar. Quase podia sentir o terror tomar conta do meu corpo. 

Esta obra remeteu-me muito para as histórias de vampiros, mesmo sem ter vampiros. E tal como a autora descreve na sua nota inicial é "uma história de terror na qual o mundano se torna mais perturbador do que qualquer mitologia". E talvez tenha sido isso mesmo que fez o meu coração palpitar como se tivesse alguém a observar-me nas sombras. São as personagens aparentemente humanas que caminhavam despercebidas entre os demais. Este foi um livro que fez a minha mente fervilhar. Não é, de todo, uma narrativa genial mas foi envolvente o suficiente para me prender até à última palavra. E para desejar saber mais!


"Algo dentro de mim recorda...
Nós recordamos, não recordamos? Sim, o Daniel e o Robert e o Joe e a Alice. Todos recordamos, e conservamos a fé enquanto podemos, sozinhos, como crianças no escuro. Foi o que ela nos fez. A todos nós.

Em Abril, chegará.
Penso que está quase a chegar."

quarta-feira, abril 24

: A mini-saia vermelha.


Tive em tempos uma saia preferida. Eu nem sou muito de saias mas adorava aquela. Era vermelha e combinava na perfeição com os meus ténis estilo all star todos pretos. Eu tinha dezasseis anos e sentia-me no topo do mundo sempre que a usava. Até ao dia em que o simples facto de olhar para aquela saia se tornou difícil. 

Era um dia quente e tinha decidido usar a saia. Estava sentada nas redondezas da minha escola secundária, à espera do meu namorado da época, quando passou um homem por mim. Um homem que tinha idade para ser meu avô. Olhou para mim e disse-me Bom dia. Não vi mal algum na atitude e respondi de igual forma. Vendo que lhe respondi fez-me de imediato uma pergunta que me apanhou desprevenida, até porque eu fui uma adolescente bastante ingénua que não via mal em praticamente nada. Queres vir dar um passeio comigo? perguntou-me ele como se fosse algo normal enquanto me lançava um olhar que demonstrava bem o que queria. Ali, no meio da rua. Em plena luz do dia. Levantei-me de imediato e disse Não, obrigada, vou ter com o meu namorado. E antes que ele pudesse dizer alguma coisa afastei-me, sem sequer olhar para trás. 

A partir desse dia usar aquela saia tornou-se difícil e ainda hoje, apesar de não ter acontecido nada, sempre que uso saias ou calções lembro-me desta situação. Continuo a usá-los, porque gosto, mas desde aí não consigo sentir-me totalmente à vontade. Dou por mim a pensar "será demasiado curto"? Dou por mim a tentar passar despercebida para não ter que ouvir comentários. Ou para não ter que lidar com olhares. E é triste porque a verdade é que cada um deveria vestir o que lhe apetece sem ter que pensar no que pode acontecer. Esta será uma luta que a sociedade travará até ao final dos dias pois existirá sempre alguém que se acha no direito de prejudicar terceiros por puro egoísmo. E enquanto isso acontecer não podemos baixar a guarda. Pelo nosso bem.

sábado, abril 20

: A aventura que é ter um cão...

Fotografia própria, presente no instagram

Fez, no início de Abril, dois anos que trouxemos o Floki connosco para casa. Dois anos... Será cliché dizer que o tempo voa? Há dois anos finalmente cumprimos um dos sonhos enquanto casal e aumentámos a família com um patudo. E a aventura começou logo no carro, com ele a não querer entrar na transportadora o que, olhando para trás, seria só o primeiro de muitos desafios! Neste dois anos mudámos muito: nós e ele também. Cresceu, mas não só fisicamente, tornando-se um cachorro muito mais calmo ainda que com traços do filhote elétrico que foi. Estes dois anos foram marcados por muitos momentos e aprendizagens. Hoje partilho alguns dos aspetos que mais se destacam...

Nunca mais dormi sem ouvir um ressonar. Nestes dois anos só houve uma noite em que não o ouvi ressonar e foi porque ele passou a noite no hospital, depois de ter sido operado ao palato. Confesso que foi uma noite estranha, não só por não o ter lá em casa mas também porque foi uma noite muito silenciosa. Acho que já não sabemos dormir sem o ressonar típico dele.

Ir de férias deixou de ser tão fácil. Pelo menos no nosso caso, visto que nos recusamos a ir de férias sem o levar. Implica portanto arranjar casas onde aceitem cães o que reduz em muito a oferta. E implica também ir de férias fora da época "típica" visto que esta raça não se dá bem com o calor e para ir de férias para ficar fechado em casa mais vale ficarmos pelo nosso lar. Felizmente temos sempre conseguido encontrar dentro das zonas que gostamos em época baixa/média e até ver não tem sido um grande entrave. Ainda assim já chegámos a estar interessados em certas casas e o sonho cair por terra porque não aceitam cães. 

Os primeiros meses foram um tormento. Sendo donos de primeira viagem tínhamos dúvidas estúpidas e a mínima borbulha era razão para temermos o pior. Dramatizámos em momentos que, olhando agora trás, não havia razão para drama. Mas ainda bem que assim foi. Levou-nos a amadurecer e tivemos que aprender a descomplicar. Hoje em dia já sabemos como tratar quase tudo e são poucas as coisas que nos tiram o sono.

Paciência passou a ser o nosso nome do meio. Quando são cachorros fazem tantas asneiras que uma pessoa questiona a própria sanidade mental. A pior coisa que o Floki aprontava era esperar que eu pussesse os tapetes acabados de lavar no chão, para ir logo fazer xixi lá. Nesses momentos eu tinha que contar até mil para me limitar a repreendê-lo sem perder a cabeça. Claro que com muita persistência acabámos por levar a melhor e hoje em dia é um cão obediente e bastante asseado. Apesar de teimoso. Mas isso são outros quinhentos.

Nunca tem brinquedos demais. E não me estou a referir só a brinquedos de compra, apesar de também ter muitos desses. Nós gostamos de criar brinquedos para ele. Garrafas de água vazias, por exemplo. Ou um tapete feito por nós que esconda a comida para ele ter que a procurar. Tudo é válido para estimulá-lo e para fazê-lo gastar energias. 

Dominou por completo a casa. Em todas as divisões há algo dele, nem que seja um maldito brinquedo que vamos pisar logo pela manhã, enquanto ainda estamos meio adormecidos. Almofadas e mantas? Deixaram de nos pertencer. O que ele apanhar a jeito irá servir para se deitar. São poucas as coisas cá por casa que não cheiram a cão. Vale-me a máquina de lavar que passa o fim-de-semana a trabalhar!

Despertador? O que é isso? Sabem quando querem dormir um pouco mais ao fim-de-semana? Com o Floki podem esquecer. Pouco depois das oito da manhã já está sentado no meu tapete a resmungar que quer ir à rua. E só se cala depois de o levar. Sempre que vamos de férias ele acorda cedíssimo na primeira manhã. E com cedo digo, por exemplo, sete da manhã. Tão bom para quem quer dormir vá... até às nove.

Fazemos planos sempre a pensar nele. Quando nos convidam para alguma coisa a primeira coisa que vemos é se dá para o levarmos. Se não dá então tentamos não estar muitas horas fora de casa. Neste aspeto não tivemos que mudar muito a rotina porque sempre fomos pessoas muito caseiras e gostamos de passear por espaços públicos, portanto podemos sempre levá-lo. Há quem nos critique e ache que estamos a viver muito para o cão mas de que valia tê-lo connosco se depois o estivessemos a deixar constantemente sozinho? Claro que fazemos planos a dois e com amigos mas não todos os dias.

Descobrimos um amor incondicional. Podemos estar uns meros dez minutos fora mas ele vai esperar ansiosamente por nós e ficar feliz por nos ver. Quando estamos deitados no sofá vai aninhar-se a nós, dar-nos lambidelas, ficar derretido com as nossas festas. Estou inclusivamente a escrever-vos isto enquanto a minha perna serve de almofada para ele. Cada vez que olho para ele penso que já não saberia viver sem tê-lo por casa. Já não me lembro do que era esta casa sem um cão. Bem mais vazia. Mais calma, sem dúvida. Mas agora, apesar de tê-la sempre desarrumada e cheia de pêlos, sinto que é um verdadeiro lar. Ele trouxe muito amor. E é muito amor que lhe damos.  

quinta-feira, abril 18

: Ainda bem que não gostamos todos de amarelo!

Fotografia própria, presente no instagram

Quando a minha melhor amiga me convidou para ser sua madrinha de casamento eu fiquei reticente. Não por não gostar dela - que isso nem se põe em causa - mas porque sabia que nunca lhe poderia oferecer a típica experiência de madrinha. O que vale é que ela já sabia ao que ia e escolheu-me pela nossa amizade, não por aquilo que lhe poderia eventualmente oferecer. Escolheu-me pela nossa história, pelo facto dos nossos caminhos acabarem sempre por cruzar-se. Escolheu-me pela importância que temos na vida uma da outra. Claro está que a avisei desde logo que não esperasse ver-me super aperaltada no dia do seu casamento. Avisei-a desde logo que não me iria ver maquilhada e que não me iria ver com sapatos altos. Claro que vou caprichar no penteado e no vestido - que já está escolhido e é lindo! - mas vou, por exemplo, com umas sandálias rasas. Esse pequeno aspeto causou estranheza em todos os que me rodeiam. Ai não... A madrinha quer-se com um saltinho, mais composto. Não quando sou eu a madrinha, lamento. Quero algo que seja confortável para aguentar o dia todo de sorriso na cara. Para poder dançar que nem uma louca sem sentir necessidade de me descalçar. Quero conseguir correr caso seja preciso ir buscar algo à última da hora. Quero ser eu, sem qualquer artifício. E ela disse-me, meio a rir, que já estava à espera disso. Ainda bem, pensei eu. Ainda bem que tenho quem me conheça verdadeiramente. Ainda bem que tenho quem goste de mim pelo que sou. Por isso sim, vou ser uma madrinha de sandálias rasas, sem maquilhagem mas com um cabelo lindo cheio de tranças. Serei uma madrinha feliz por ver a sua melhor amiga casar com o homem que ama. Uma madrinha feliz por poder ver a sua melhor amiga feliz. E isso é que realmente importa.

domingo, abril 7

: As memórias que a música me traz [1]


Tenho outra vez quinze anos e estou a viver o meu primeiro amor. Sou novamente a adolescente deslocada, que não se identifica com ninguém que a rodeia. Sou a menina que cresceu depressa para se adaptar a situações sobre as quais nunca quer falar. De repente estou a caminhar por ruas que tão bem conheço, de fones nos ouvidos e coração apertado. A respiração pesada e os sentimentos baralhados. O volume no máximo para entorpecer os pensamentos. A sensação de não conseguir fazer nada para melhorar. A sensação de impotência perante situações que não posso controlar. Fecho os olhos e deixo-me perder na melodia. Na letra.

Sou a mulher que ouve novamente esta música e encontra nela uma espécie de paz: correu tudo bem.

sexta-feira, abril 5

: E se não fizermos tantos planos?

Fotografia própria, presente no instagram.

Normalmente nós, educadoras/es, temos o mesmo problema: planeamos demais. Não digo que seja totalmente culpa nossa... A verdade é que a grande maioria das faculdades perpetua a ideia de que é necessário planear todas as atividades, com intencionalidades pedagógicas fundamentadas, para que consigamos cumprir os objetivos esperados. No meu caso foi preciso chegar ao berçário para perceber o quanto estava enganada. Eu bem planeava tudo ao mais ínfimo pormenor mas na grande maioria das vezes saía tudo ao lado. O motivo? Eles não demonstravam o mínimo interesse naquilo que eu estava para ali a fazer. Nesses momentos tinha que improvisar em cima do joelho e comecei a perceber o que realmente resultava com eles.

Comecei então a fazer o percurso contrário. Estipulo uma mão cheia de objetivos gerais e de objetivos específicos - aqueles que acho fundamentais - e a partir daí deixo que sejam as crianças a guiarem-me. Pouco me importa, por exemplo, de que forma trabalhamos a motricidade fina. Terá realmente de ser numa atividade orientada? Porque não durante uma brincadeira? Porque não enquanto trabalhamos outras áreas em simultâneo? A grande verdade é que as crianças são esponjas e aprendem tudo aquilo que lhe ensinamos, por mais pequenas que sejam. E aprendem melhor em contexto de brincadeira, de forma livre e exploratória. Há quem não concorde mas eu tenho na sala as provas vivas de que sim... as crianças aprendem a brincar!

Tenho, neste momento, crianças com cerca de um ano e meio que me ajudam a contar "um, dois, três". Se foi algo que pensei ensinar-lhes? Claro que não. Surgiu numa brincadeira com eles e quando dei conta ouvia-os a completar a sequência ao mesmo tempo que eu. Se eles entendem a parte matemática e se já aprenderam a contar? Não. Mas já perceberam que depois do três acontece algo: aparece algo de dentro de uma caixa, viramos a página de um livro, atiramos a bola. Outro caso... Tenho um menino que começou a pegar na colher para comer sozinho desde que começou a brincar na sala com colheres e pratos, num claro jogo simbólico e dentro do mundo do faz de contaE são estas aprendizagens que realmente importam e que nunca - pelo menos no meu caso - estavam contempladas nos famosos planeamentos. 

Atenção... Planear não deixa de ser importante. Para nos organizarmos, para haver um fio condutor, para encandearmos as temáticas. Mas é um erro ficarmos presos a suposições escritas em papéis quando o que devemos fazer é olhar para o nosso grupo - com olhos de ver! - e construir o dia com eles. Para eles. Acreditem que assim eles até vão aprender melhor!

quarta-feira, abril 3

: Home Sweet Home #23

Fotografia própria, presente no instagram.

Vivemos uma fase em que as rendas das casas alugadas atingiram valores absurdos e em que comprar casa se tornou ainda mais difícil do que já era. Quando eu e o David decidimos comprar a nossa casa confesso que tive bastantes receios... Principalmente o de, por algum motivo, não conseguir pagar a renda. Hoje olho para trás e vejo que demos o passo no momento certo. Numa fase em que os valores das casas ainda estavam dentro do normal e onde não era preciso vender um rim para fazer um empréstimo. Ou para pagar a entrada numa casa alugada. O que faz com que hoje em dia paguemos uma renda que, ao lado de tantas outras, seja de um valor irrisório. Comprar casa sempre foi algo que quis fazer não só porque um dia será efetivamente minha mas por estar à vontade para fazer renovações sem o medo de ter que abandonar a casa e ficar com o prejuízo. Claro está que no universo que são as ideias de renovações o pinterest é o nosso melhor amigo. Hoje trago-vos um conjunto de DIY's que me deixaram entusiasmada e que talvez ponha em prática cá por casa. São casos a ser estudados!


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segunda-feira, abril 1

: Assim ainda vou à falência.


Nós bem tentamos organizar-nos para fazer as compras todas para o mês de uma só vez, mas parece que há sempre algo que nos escapa e todas as semanas é ver-nos caminhar para comprar sumos, papel de cozinha ou outra coisa qualquer que acabou mais rápido do que julgávamos. Não haveria grande problema não fosse o caso de entrarmos para comprar uma coisa e sairmos quase sempre de lá com um saco cheio. O pior? Não trazemos coisas fúteis. É só mesmo o essencial e, muito de vez em quando, um mimo. Isto só nos acontece a nós ou é mesmo mal geral? Não gosto desta brincadeira de ser adulta...!

quarta-feira, março 27

: Música para os meus ouvidos | You are the reason


Esta música já tem mais de um ano e muito provavelmente a maioria de vocês já a deve conhecer. Mas eu não podia deixar de partilhá-la. Conhecia-a através do David e desde esse momento que está em modo repeat. Pela voz. Pela letra. Pela melodia. Tudo junto é magia. É amor.

sábado, março 23

: Uma noite que fica para a vida toda!

Fotografia retirada do instagram pessoal da Carolina Deslandes

Não sigo o trabalho da Carolina Deslandes desde o início. Mas quando ouvi o último álbum dela - Casa - não consegui ficar indiferente ao seu talento. Desde aí que sigo tudo aquilo que ela lança e nunca me desilude. Por isso mesmo, assim que soube que ela iria atuar no Coliseu de Lisboa não hesitei em comprar bilhete. E, fez ontem uma semana, foi a grande noite. Uma noite especial para a Carolina e para todos aqueles que tiveram o prazer de a ver estrear-se num palco que ela própria assume que nunca pensara pisar.

O concerto começou com as músicas mais antigas dela, dos primeiros álbuns. Viajámos, por exemplo, por Heaven até aterrarmos na música que ela lançou com o Agir e com o Diogo Piçarra, Respirar. Qual não é o nosso espanto quando os dois entram em palco, tornando a noite ainda mais especial. Mas eles seriam os primeiros de bastantes convidados. 

Após uma introdução única ao álbum Casa em que ela nos convidou a entrar na sua pequena bolha pessoal, eis que da parte superior do palco descem mobílias. Ao longo de todo o concerto foram descendo alguns elementos, dando a sensação de que apesar de estarmos numa grande sala estávamos também em casa. Como se fôssemos todos amigos de longa data.

Foi aí que a magia começou verdadeiramente. Fomos desde a Miúda Gosta, passando por Adeus amor adeus cantado em duo com a Raquel Tavares até chegarmos a Éramos Nós Dois. Quando ela convidou a sua cara metade - Diogo Clemente - para subir ao palco soubemos que vinha de lá momentos especiais. Durante aqueles minutos foram só eles e a guitarra, sentados à beira do palco num ambiente íntimo. Cantaram em dueto a Coisa mais bonita demonstrando a todo o Coliseu o sentimento forte que os une e que é impossível esconder. Numa bela homenagem ao primeiro filho, Santiago, cantou a Nos teus olhos explicando-nos a história que a levou a escrever aquela letra. Ainda ouve espaço para nos apresentar uma das músicas que irá estar no novo álbum. Ouvir a Inquieta deixou-me muito curiosa com todas as músicas que ainda ficaram por conhecer.

Foi com grande entusiasmo que ela chamou ao palco Irma, Soraia e Diana para apresentarem, pela primeira vez, uma nova experiência que constará no novo álbum. A música terá só as vozes dela e deixou-me boquiaberta com a capacidade delas para harmonizarem na perfeição. Se quiserem ter uma preview da música basta carregarem aqui

A música Nuvem era - pelo menos para mim - uma das mais esperadas da noite. Ela sempre disse que a iria cantar ao vivo, pela primeira vez, nos Coliseus. Sendo uma música tão especial e tão emotiva eu sabia que iria mexer comigo. A forma como introduziu a música fez-me logo chorar e durante os primeiros versos fui incapaz de cantar. Lembrei-me da minha lua e quando olhei à minha volta soube que não estava sozinha. Muitas pessoas limpavam os olhos e todos cantámos em coro. No fim dessa música a Carolina foi aplaudida de pé, numa demonstração de força para ela que, como era esperado, não conteve as lágrimas de emoção. Não duvido que o seu avô esteja orgulhoso. 

Como as surpresas não acabavam por ali continuou a chamar convidados especiais. Dessa vez foi Janeiro para cantarem uma música que gravaram juntos. Dada a diferença de alturas entre os dois houve espaço para brincadeiras e todo o Coliseu riu com ela. Se o ambiente já estava descontraído ficou ainda mais depois desse momento. Claro está que também não poderia falhar o Jimmy P que gravou há pouco tempo com a Carolina o tema Contigo, que interpretaram ao vivo. Confesso que ainda não tinha conseguido ouvir a música e ouvi-la pela primeira vez no Coliseu foi um momento especial.

O concerto terminou, como não poderia deixar de ser, com A vida toda. A música que lhe deu força para avançar com o álbum Casa e que nos conquistou a todos numa primeira audição. Uma música que me diz tanto, mesmo sem ser minha. Uma música que o Coliseu cantou em uníssono deixando-a sem palavras. 

Despediu-se de nós, agradecendo, mas ninguém saiu do seu lugar pedindo mais músicas. Ela regressou para mais duas músicas. Circo de Feras, numa bonita homenagem. E, para finalizar, teve o seu "Momento Deslandes" com a música Não é verdade. Uma música antiga que ela contou ter sido a primeira que as pessoas cantavam com ela quando fazia pequenos concertos. Terminou a noite dizendo que só ali, depois daquele concerto, teve noção do quanto as pessoas gostavam das suas músicas. Chamou todos os seus convidados ao palco, chamou os músicos (bastante talentosos e que, muitas vezes, me fizeram olhar para eles) e chamou ainda os seus pais, que não esconderam o orgulho que têm nela. Foi aplaudida de pé por toda a sala, numa ovação mais do que merecida.

Ao longo da noite a Carolina não desiludiu em momento algum. A voz dela é mágica, de um poder enorme. A forma como introduzia as músicas, deixando lições de vida, abrindo caminho para sentirmos as suas letras com todo o coração. Se tivesse que resumir este concerto numa só palavra seria emoção. Ri, chorei, senti-me apaixonada. Irei repetir a dose, sem dúvida alguma.

domingo, março 10

: Quanto vale a aparência física?


Não sou muito de ver reality shows mas por acaso comecei a espreitar o Carro do Amor, por ter lá entrado uma pessoa conhecida. Desde aí a curiosidade falou mais alto e começámos a seguir as aventuras dos vários casais. Inicialmente via o programa de forma cética mas agora dou por mim a tomar atenção e a aperceber-me que realmente há sinais que transmitimos sem nos darmos conta. Agora mesmo antes dos encontros acabarem já conseguimos perceber em que pé ficou aquela relação e normalmente antecipamos a escolha que as pessoas vão tomar.

A maioria dos casais fazem um esforço para se conhecerem e mesmo que não queiram continuar a ter encontros ficam amigos. Muitos alegam não ter sentido um clique e desligam-se de imediato de qualquer tentativa. E depois há algumas pessoas que logo após um primeiro olhar demonstram não ter vontade alguma de conhecer a outra pessoa. Este último aspeto aconteceu já algumas vezes e todas elas estavam diretamente relacionadas com o aspeto físico. Tanto da parte de mulheres como da parte de homens. Entram no carro e quando dão de caras com alguém que não faz parte do seu "género" ficam logo na defensiva, matando qualquer oportunidade de conhecer a outra pessoa. O pior é que sente-se a tensão durante toda a viagem e não conseguimos evitar a vontade de acabar com o sofrimento dos dois. Nota-se, a léguas, que há pessoas que entram no programa já com uma ideia na cabeça e quando o match é alguém que não se enquadra nos seus padrões nem sequer dão uma hipótese. 

O programa, antecipando estas situações, já fez uma brincadeira engraçada tentando mostrar que a aparência é secundária. Vendou o casal antes de eles terem oportunidade de se verem e eles tiveram bastante tempo a conversar sem saberem como era a aparência um do outro. Na minha cabeça isso iria ajudar a que eles percebessem que o que realmente importa é o íntimo. Mas não. Assim que os dois tiraram a venda não conseguiram esconder a decepção. Claro está que o encontro foi pelo cano abaixo.

Talvez achem que eu esteja a ser hipócrita e que naquela situação teria a mesma reação. Mas neste aspeto falo com conhecimento de causa... Não sei se alguma vez vos contei mas conheci o David no blogue, através de uma amiga em comum. Começou por ser uma coisa inocente, uma troca de comentários. Ao fim de uns tempos trocámos contactos e começámos a falar no já velhinho msn. A partir daí as conversas foram-se tornando mais íntimas e acabámos por perceber que algo nos unia. Algo maior que uma amizade. Durante todo este tempo nunca sentimos necessidade de pedir fotografias, por exemplo. As que víamos eram as do msn, em ponto pequenino e com uma definição questionável. Sabia mais ou menos como ele era, por descrições de terceiros. E o mesmo aconteceu com ele. Ainda assim não precisámos de ver o físico para gostarmos um do outro. Bastou-nos a forma íntima como nos ligámos, a forma como nos apoiávamos, a forma como construímos uma relação forte baseada nos sentimentos que realmente importam.

É normal que um primeiro impacto conte muito. É normal termos um género que nos atrai mais. Mas é errado pôr de parte tantas outras pessoas só porque são muito magras, muito gordas, muito altas, muito baixas, muito peludas, carecas, ou... Mil e uma coisas que nos fazem recuar sem sequer ter oportunidade de conhecer quem está ali, à nossa frente. Muitas vezes podemos perder boas relações: não só de amor mas também de amizade. Por pura parvoíce e por vaidade.

Muitas pessoas me acharam louca pela forma como iniciei a minha relação com o David. Diziam que não percebiam como não queria ver como ele era. Mas eu vi a parte mais importante dele: a forma como me tratava. E quando o vi fisicamente, pela primeira vez, soube que a aparência nunca iria importar. Quando o vi tive a certeza que o amava. Abracei-o e senti-me em casa. Ainda hoje sinto. Vou sentir sempre.

segunda-feira, março 4

: Olá segunda-feira!


Depois de um fim-de-semana onde foi tomada uma grande decisão é tempo de encarar a nova semana com pensamento positivo. Pode vir chuva. Pode vir frio. Podem vir momentos complicados. Nada importa. Esta é a primeira semana de uma nova vida.

sábado, março 2

: Romper as barreiras da sociedade.

Fotografia própria - Carnaval - 1 de Março de 2019

Quando ficou decidido que o tema deste ano para o Carnaval na creche eram as profissões pus a minha cabeça a pensar. Queria ser diferente. Eis que me lembrei que o meu pai tinha equipamentos completos de futebol. E pensei... Porque não? Tendo em conta que a minha profissão é tipicamente associada às mulheres vestir-me de futebolista seria uma excelente homenagem a todas as mulheres que trilham um caminho brilhante no desporto - seja ele qual for - mostrando que não é um mundo só de homens. 

Vesti o equipamento - do melhor clube do mundo, claro - e lá fui eu toda orgulhosa. Calcei as minhas sapatilhas de futsal - a modalidade que me aquece o coração - e roubei muitos sorrisos durante o dia. Mas também serviu para ver o lado feio da sociedade. Saí logo de casa mascarada e passei todo o dia assim. Claro está que fiz virar muitas cabeças. Não porque ia de pernas à mostra mas sim porque estava equipada e infelizmente as pessoas ainda acham que é estranho ver uma mulher assim. Ouvi, da boca de uma mulher que falava com outra pessoa, "Olha que gira aquela máscara". Por acaso até era, sim, mas nem sequer foi posta a hipótese de eu ser efetivamente uma jogadora. Outros olhavam para mim e diziam "Olha, a Cláudia está mascarada de Benfiquista". E eu respondia de imediato. "Não, estou mascarada de futebolista. A nova contratação do meu clube". Durante todo o dia senti que muitos ainda acham que o lugar das mulheres no desporto é como simples adeptas. E nem aí nos ligam muito, como se não soubessemos opinar. Ou como se não tivessemos direito a isso.

Ontem, ainda que apenas por algumas horas, pus-me no lugar de todas as mulheres que tentam impôr-se no mundo do desporto e que ainda são olhadas de lado porque os homens é que são bons nisso. Lembrei-me de imediato das nossas jogadoras de futsal, que há bem pouco tempo brilharam no primeiro campeonato europeu de futsal feminino, organizado cá em Portugal. Lembrei-me das histórias delas e da garra que têm para lutarem pela sua paixão, treinando depois de saírem dos seus trabalhos e sem ganhar nada com o futsal. Não têm nem metade do apoio que o desporto masculino tem mas chegaram à final e conquistaram o segundo lugar. Mostraram que são excelentes no que fazem.

Isto de ser mulher nem sempre é fácil. Mas aos poucos vamos conquistando tudo o que merecemos. Seja o nosso lugar onde for!