Fez, no início de Abril, dois anos que trouxemos o Floki connosco para casa. Dois anos... Será cliché dizer que o tempo voa? Há dois anos finalmente cumprimos um dos sonhos enquanto casal e aumentámos a família com um patudo. E a aventura começou logo no carro, com ele a não querer entrar na transportadora o que, olhando para trás, seria só o primeiro de muitos desafios! Neste dois anos mudámos muito: nós e ele também. Cresceu, mas não só fisicamente, tornando-se um cachorro muito mais calmo ainda que com traços do filhote elétrico que foi. Estes dois anos foram marcados por muitos momentos e aprendizagens. Hoje partilho alguns dos aspetos que mais se destacam...
Nunca mais dormi sem ouvir um ressonar. Nestes dois anos só houve uma noite em que não o ouvi ressonar e foi porque ele passou a noite no hospital, depois de ter sido operado ao palato. Confesso que foi uma noite estranha, não só por não o ter lá em casa mas também porque foi uma noite muito silenciosa. Acho que já não sabemos dormir sem o ressonar típico dele.
Ir de férias deixou de ser tão fácil. Pelo menos no nosso caso, visto que nos recusamos a ir de férias sem o levar. Implica portanto arranjar casas onde aceitem cães o que reduz em muito a oferta. E implica também ir de férias fora da época "típica" visto que esta raça não se dá bem com o calor e para ir de férias para ficar fechado em casa mais vale ficarmos pelo nosso lar. Felizmente temos sempre conseguido encontrar dentro das zonas que gostamos em época baixa/média e até ver não tem sido um grande entrave. Ainda assim já chegámos a estar interessados em certas casas e o sonho cair por terra porque não aceitam cães.
Os primeiros meses foram um tormento. Sendo donos de primeira viagem tínhamos dúvidas estúpidas e a mínima borbulha era razão para temermos o pior. Dramatizámos em momentos que, olhando agora trás, não havia razão para drama. Mas ainda bem que assim foi. Levou-nos a amadurecer e tivemos que aprender a descomplicar. Hoje em dia já sabemos como tratar quase tudo e são poucas as coisas que nos tiram o sono.
Paciência passou a ser o nosso nome do meio. Quando são cachorros fazem tantas asneiras que uma pessoa questiona a própria sanidade mental. A pior coisa que o Floki aprontava era esperar que eu pussesse os tapetes acabados de lavar no chão, para ir logo fazer xixi lá. Nesses momentos eu tinha que contar até mil para me limitar a repreendê-lo sem perder a cabeça. Claro que com muita persistência acabámos por levar a melhor e hoje em dia é um cão obediente e bastante asseado. Apesar de teimoso. Mas isso são outros quinhentos.
Nunca tem brinquedos demais. E não me estou a referir só a brinquedos de compra, apesar de também ter muitos desses. Nós gostamos de criar brinquedos para ele. Garrafas de água vazias, por exemplo. Ou um tapete feito por nós que esconda a comida para ele ter que a procurar. Tudo é válido para estimulá-lo e para fazê-lo gastar energias.
Dominou por completo a casa. Em todas as divisões há algo dele, nem que seja um maldito brinquedo que vamos pisar logo pela manhã, enquanto ainda estamos meio adormecidos. Almofadas e mantas? Deixaram de nos pertencer. O que ele apanhar a jeito irá servir para se deitar. São poucas as coisas cá por casa que não cheiram a cão. Vale-me a máquina de lavar que passa o fim-de-semana a trabalhar!
Despertador? O que é isso? Sabem quando querem dormir um pouco mais ao fim-de-semana? Com o Floki podem esquecer. Pouco depois das oito da manhã já está sentado no meu tapete a resmungar que quer ir à rua. E só se cala depois de o levar. Sempre que vamos de férias ele acorda cedíssimo na primeira manhã. E com cedo digo, por exemplo, sete da manhã. Tão bom para quem quer dormir vá... até às nove.
Fazemos planos sempre a pensar nele. Quando nos convidam para alguma coisa a primeira coisa que vemos é se dá para o levarmos. Se não dá então tentamos não estar muitas horas fora de casa. Neste aspeto não tivemos que mudar muito a rotina porque sempre fomos pessoas muito caseiras e gostamos de passear por espaços públicos, portanto podemos sempre levá-lo. Há quem nos critique e ache que estamos a viver muito para o cão mas de que valia tê-lo connosco se depois o estivessemos a deixar constantemente sozinho? Claro que fazemos planos a dois e com amigos mas não todos os dias.
Descobrimos um amor incondicional. Podemos estar uns meros dez minutos fora mas ele vai esperar ansiosamente por nós e ficar feliz por nos ver. Quando estamos deitados no sofá vai aninhar-se a nós, dar-nos lambidelas, ficar derretido com as nossas festas. Estou inclusivamente a escrever-vos isto enquanto a minha perna serve de almofada para ele. Cada vez que olho para ele penso que já não saberia viver sem tê-lo por casa. Já não me lembro do que era esta casa sem um cão. Bem mais vazia. Mais calma, sem dúvida. Mas agora, apesar de tê-la sempre desarrumada e cheia de pêlos, sinto que é um verdadeiro lar. Ele trouxe muito amor. E é muito amor que lhe damos.