Fotografia própria, Maio 2019
Sinopse
Josey Cirrini tem a certeza de apenas três coisas na vida: O Inverno é a sua estação preferida; está perdidamente apaixonada; e um doce sabe muito melhor quando degustado na privacidade do seu esconderijo secreto. Enfrentando uma vida triste, o seu único consolo é a sua pilha de doces e romances a que se entrega todas as noites… Até que descobre que no roupeiro se esconde nada mais nada menos que Della Lee Baker. Fugindo a uma vida de má sorte, Della Lee decide ajudar Josey a mudar de vida. E, em breve, a jovem renunciará às guloseimas e descobrirá que, mesmo sem elas, a vida pode ser doce. Influenciada põe Della Lee, Josey trava amizade com Chloe Finley, uma jovem que é perseguida por livros que surgem inexplicavelmente nos mais variados lugares e com uma resposta para quase tudo. À medida que Josey se atreve a sair da sua casca, descobre um mundo onde a cor vermelha tem um poder surpreendente e o amor pode surgir em qualquer altura. E isso é só o início… Terna e com um toque de magia, esta é uma história encantadora sobre a amizade e o amor - e sobre as surpreendentes e mágicas possibilidades que cada novo dia nos reserva.
Opinião
Este foi um dos muitos livros que adquiri em segunda mão. Fui de imediato cativada pelo título, pela capa, pela sinopse. Já o tinha lá em casa há bastante tempo e achei-o perfeito para me acompanhar nas férias. Não me enganei, de todo. É um romance leve, divertido e bastante meigo. Prometiam-nos magia e foram palavras mágicas que encontrei. O facto de grande parte da narrativa envolver um nevão e a minha estação preferida [inverno] só fez com que me agarrasse ainda mais ao livro. Senti que poderia viver em Bald Slope, junto daquela encosta cheia de neve.
A primeira coisa que me apercebi foi que cada capítulo nos apresentava um doce diferente. Desde sombrinhas de chocolate, algodão doce, smarties, kit kat, (...), passámos por todo um rol de doçaria que me deixou com água na boca. Muitos desses títulos cruzavam-se com a narrativa tornando especiais todas as analogias criadas. As três personagens principais - Josey, Chloe e Della Lee - viveram vidas completamente opostas mas, em determinado momento, cruzam caminhos e encontram umas nas outras o caminho certo a seguir. Todas elas procuram o perdão, a amizade, o amor. Jack, Adam e Julian, os grandes culpados de vários tumultos e de instabilidade emocional serão também as respostas e a luz para o caminho correto. Não são romances clichés com frases feitas e decisões relâmpago. São romances que senti que qualquer um de nós poderia viver. As personagens estão construídas de forma tão genuína que senti que qualquer uma delas se poderia cruzar comigo. Senti que qualquer uma delas poderia ser eu.
Em simultâneo seguimos a história de Margaret - a mãe de Josey - que vive amargurada com um passado que não fora simpático para ela. Que vive presa às aparências e se recusa a admitir que a filha quer abrir as asas e voar, tentando com que esta se sinta culpada. Vive numa angústia constante tentando esconder os segredos de família. Os últimos capítulos trazem-lhe redenção e, em última instância, a felicidade que ela secretamente sempre procurou.
Confesso que o capítulo inicial me assustou, muito por culpa de um acontecimento inusitado mas, ao mesmo tempo, foi esse aspeto que fez aumentar a curiosidade e me fez querer ler sempre mais e mais. O final foi praticamente aquilo que eu tinha imaginado, exceto um pequeno pormenor. Um pormenor que me deixou de boca aberta e com o qual eu não contava. Essa reviravolta deu um novo sentido a toda a narrativa e as peças encaixaram-se na perfeição. Fechei o livro com um sorriso nos lábios.
Deixo-vos o excerto que, para mim, se destacou do restante livro:
«- Os livros podem ser possessivos, não é? Por vezes andamos a vaguear por uma livraria e um determinado livro surge-nos no caminho, como se se tivesse deslocado para ali sozinho, só para chamar a nossa atenção. Por vezes, o que está no seu interior mudará a nossa vida, mas outras vezes nem precisamos de o ler. É simplesmente reconfortante ter o livro por perto. Muitos destes livros quase nem foram abertos. "Porque compram livros que nem sequer lêem?", pergunta-nos a nossa filha. É como perguntar a alguém que vive sozinho porque comprou um gato. Pela companhia, é claro.» [p. 183]
Fotografia própria, Maio 2019





















