quarta-feira, março 27
: Música para os meus ouvidos | You are the reason
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segunda-feira, março 25
: Num ameno dia de primavera.
Agora que a acalmia chegou vejo que tudo naquele dia me conduziu a ti. Não era meu costume ir a pé para casa mas, sem motivo aparente, o autocarro não apareceu. Olhei para o relógio, já meio desgastado. Ainda era cedo e o sol tão depressa não desapareceria. Um vento ameno soprou, como que me dando forças. Como que me dando certezas que deveria ir. Ajeitei a mala nas costas e caminhei. Avancei devagar, admirando tudo ao meu redor. Conhecia aqueles locais desde a minha infância mas parecia estar a vê-los pela primeira vez. Estava imersa nas minhas memórias quando um campo repleto de malmequeres me roubou a atenção. Pequeninas flores preenchiam o jardim praticamente todo. Sorri, relembrando as flores que apanhava em criança para oferecer à minha mãe. Relembrando os jogos de amor que me haviam ensinado. Mal-me-quer. Bem-me-quer. Como se uma pétala tivesse força suficiente para mudar a história. Para alterar aquilo que sentimos. Para nos fazer esquecer aquilo que nos magoa. Mal desconfiava eu que, nesses preciso momento, alguém me observava. Tu. De câmara na mão fotografavas tudo aquilo que te despertava emoções. Foi nesse momento que me viste, contaste-me meses depois. Ali estava eu de costas, de mãos nos bolsos, imersa numa paisagem aparentemente banal com o sol a pousar na minha pele. Houve algo de mágico naquele quadro e não resististe em eternizá-lo através da tua lente. Chamaste-lhe "A menina dos malmequeres". Nesse dia deixaste-me ir, sem uma palavra, desconfiando que nunca mais me encontrarias. Como estavas enganado... Os meses foram passando e vias-me, dia após dia, numa caminhada que se tornou o meu momento preferido do dia. Até que, curioso com a pessoa que todos os dias ficava a admirar o campo de malmequeres, me vieste tocar no ombro. Quando me virei, surpreendida, os nossos olhares cruzaram e não precisei de arrancar pétalas para ter a certeza que tinha ganho o jogo do amor.
#off the records
#histórias de bolso
sábado, março 23
: Uma noite que fica para a vida toda!
Fotografia retirada do instagram pessoal da Carolina Deslandes
Não sigo o trabalho da Carolina Deslandes desde o início. Mas quando ouvi o último álbum dela - Casa - não consegui ficar indiferente ao seu talento. Desde aí que sigo tudo aquilo que ela lança e nunca me desilude. Por isso mesmo, assim que soube que ela iria atuar no Coliseu de Lisboa não hesitei em comprar bilhete. E, fez ontem uma semana, foi a grande noite. Uma noite especial para a Carolina e para todos aqueles que tiveram o prazer de a ver estrear-se num palco que ela própria assume que nunca pensara pisar.
O concerto começou com as músicas mais antigas dela, dos primeiros álbuns. Viajámos, por exemplo, por Heaven até aterrarmos na música que ela lançou com o Agir e com o Diogo Piçarra, Respirar. Qual não é o nosso espanto quando os dois entram em palco, tornando a noite ainda mais especial. Mas eles seriam os primeiros de bastantes convidados.
Após uma introdução única ao álbum Casa em que ela nos convidou a entrar na sua pequena bolha pessoal, eis que da parte superior do palco descem mobílias. Ao longo de todo o concerto foram descendo alguns elementos, dando a sensação de que apesar de estarmos numa grande sala estávamos também em casa. Como se fôssemos todos amigos de longa data.
Foi aí que a magia começou verdadeiramente. Fomos desde a Miúda Gosta, passando por Adeus amor adeus cantado em duo com a Raquel Tavares até chegarmos a Éramos Nós Dois. Quando ela convidou a sua cara metade - Diogo Clemente - para subir ao palco soubemos que vinha de lá momentos especiais. Durante aqueles minutos foram só eles e a guitarra, sentados à beira do palco num ambiente íntimo. Cantaram em dueto a Coisa mais bonita demonstrando a todo o Coliseu o sentimento forte que os une e que é impossível esconder. Numa bela homenagem ao primeiro filho, Santiago, cantou a Nos teus olhos explicando-nos a história que a levou a escrever aquela letra. Ainda ouve espaço para nos apresentar uma das músicas que irá estar no novo álbum. Ouvir a Inquieta deixou-me muito curiosa com todas as músicas que ainda ficaram por conhecer.
Foi com grande entusiasmo que ela chamou ao palco Irma, Soraia e Diana para apresentarem, pela primeira vez, uma nova experiência que constará no novo álbum. A música terá só as vozes dela e deixou-me boquiaberta com a capacidade delas para harmonizarem na perfeição. Se quiserem ter uma preview da música basta carregarem aqui.
A música Nuvem era - pelo menos para mim - uma das mais esperadas da noite. Ela sempre disse que a iria cantar ao vivo, pela primeira vez, nos Coliseus. Sendo uma música tão especial e tão emotiva eu sabia que iria mexer comigo. A forma como introduziu a música fez-me logo chorar e durante os primeiros versos fui incapaz de cantar. Lembrei-me da minha lua e quando olhei à minha volta soube que não estava sozinha. Muitas pessoas limpavam os olhos e todos cantámos em coro. No fim dessa música a Carolina foi aplaudida de pé, numa demonstração de força para ela que, como era esperado, não conteve as lágrimas de emoção. Não duvido que o seu avô esteja orgulhoso.
Como as surpresas não acabavam por ali continuou a chamar convidados especiais. Dessa vez foi Janeiro para cantarem uma música que gravaram juntos. Dada a diferença de alturas entre os dois houve espaço para brincadeiras e todo o Coliseu riu com ela. Se o ambiente já estava descontraído ficou ainda mais depois desse momento. Claro está que também não poderia falhar o Jimmy P que gravou há pouco tempo com a Carolina o tema Contigo, que interpretaram ao vivo. Confesso que ainda não tinha conseguido ouvir a música e ouvi-la pela primeira vez no Coliseu foi um momento especial.
O concerto terminou, como não poderia deixar de ser, com A vida toda. A música que lhe deu força para avançar com o álbum Casa e que nos conquistou a todos numa primeira audição. Uma música que me diz tanto, mesmo sem ser minha. Uma música que o Coliseu cantou em uníssono deixando-a sem palavras.
Despediu-se de nós, agradecendo, mas ninguém saiu do seu lugar pedindo mais músicas. Ela regressou para mais duas músicas. Circo de Feras, numa bonita homenagem. E, para finalizar, teve o seu "Momento Deslandes" com a música Não é verdade. Uma música antiga que ela contou ter sido a primeira que as pessoas cantavam com ela quando fazia pequenos concertos. Terminou a noite dizendo que só ali, depois daquele concerto, teve noção do quanto as pessoas gostavam das suas músicas. Chamou todos os seus convidados ao palco, chamou os músicos (bastante talentosos e que, muitas vezes, me fizeram olhar para eles) e chamou ainda os seus pais, que não esconderam o orgulho que têm nela. Foi aplaudida de pé por toda a sala, numa ovação mais do que merecida.
Foi com grande entusiasmo que ela chamou ao palco Irma, Soraia e Diana para apresentarem, pela primeira vez, uma nova experiência que constará no novo álbum. A música terá só as vozes dela e deixou-me boquiaberta com a capacidade delas para harmonizarem na perfeição. Se quiserem ter uma preview da música basta carregarem aqui.
A música Nuvem era - pelo menos para mim - uma das mais esperadas da noite. Ela sempre disse que a iria cantar ao vivo, pela primeira vez, nos Coliseus. Sendo uma música tão especial e tão emotiva eu sabia que iria mexer comigo. A forma como introduziu a música fez-me logo chorar e durante os primeiros versos fui incapaz de cantar. Lembrei-me da minha lua e quando olhei à minha volta soube que não estava sozinha. Muitas pessoas limpavam os olhos e todos cantámos em coro. No fim dessa música a Carolina foi aplaudida de pé, numa demonstração de força para ela que, como era esperado, não conteve as lágrimas de emoção. Não duvido que o seu avô esteja orgulhoso.
Como as surpresas não acabavam por ali continuou a chamar convidados especiais. Dessa vez foi Janeiro para cantarem uma música que gravaram juntos. Dada a diferença de alturas entre os dois houve espaço para brincadeiras e todo o Coliseu riu com ela. Se o ambiente já estava descontraído ficou ainda mais depois desse momento. Claro está que também não poderia falhar o Jimmy P que gravou há pouco tempo com a Carolina o tema Contigo, que interpretaram ao vivo. Confesso que ainda não tinha conseguido ouvir a música e ouvi-la pela primeira vez no Coliseu foi um momento especial.
O concerto terminou, como não poderia deixar de ser, com A vida toda. A música que lhe deu força para avançar com o álbum Casa e que nos conquistou a todos numa primeira audição. Uma música que me diz tanto, mesmo sem ser minha. Uma música que o Coliseu cantou em uníssono deixando-a sem palavras.
Despediu-se de nós, agradecendo, mas ninguém saiu do seu lugar pedindo mais músicas. Ela regressou para mais duas músicas. Circo de Feras, numa bonita homenagem. E, para finalizar, teve o seu "Momento Deslandes" com a música Não é verdade. Uma música antiga que ela contou ter sido a primeira que as pessoas cantavam com ela quando fazia pequenos concertos. Terminou a noite dizendo que só ali, depois daquele concerto, teve noção do quanto as pessoas gostavam das suas músicas. Chamou todos os seus convidados ao palco, chamou os músicos (bastante talentosos e que, muitas vezes, me fizeram olhar para eles) e chamou ainda os seus pais, que não esconderam o orgulho que têm nela. Foi aplaudida de pé por toda a sala, numa ovação mais do que merecida.
Ao longo da noite a Carolina não desiludiu em momento algum. A voz dela é mágica, de um poder enorme. A forma como introduzia as músicas, deixando lições de vida, abrindo caminho para sentirmos as suas letras com todo o coração. Se tivesse que resumir este concerto numa só palavra seria emoção. Ri, chorei, senti-me apaixonada. Irei repetir a dose, sem dúvida alguma.
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sexta-feira, março 15
domingo, março 10
: Quanto vale a aparência física?
Não sou muito de ver reality shows mas por acaso comecei a espreitar o Carro do Amor, por ter lá entrado uma pessoa conhecida. Desde aí a curiosidade falou mais alto e começámos a seguir as aventuras dos vários casais. Inicialmente via o programa de forma cética mas agora dou por mim a tomar atenção e a aperceber-me que realmente há sinais que transmitimos sem nos darmos conta. Agora mesmo antes dos encontros acabarem já conseguimos perceber em que pé ficou aquela relação e normalmente antecipamos a escolha que as pessoas vão tomar.
A maioria dos casais fazem um esforço para se conhecerem e mesmo que não queiram continuar a ter encontros ficam amigos. Muitos alegam não ter sentido um clique e desligam-se de imediato de qualquer tentativa. E depois há algumas pessoas que logo após um primeiro olhar demonstram não ter vontade alguma de conhecer a outra pessoa. Este último aspeto aconteceu já algumas vezes e todas elas estavam diretamente relacionadas com o aspeto físico. Tanto da parte de mulheres como da parte de homens. Entram no carro e quando dão de caras com alguém que não faz parte do seu "género" ficam logo na defensiva, matando qualquer oportunidade de conhecer a outra pessoa. O pior é que sente-se a tensão durante toda a viagem e não conseguimos evitar a vontade de acabar com o sofrimento dos dois. Nota-se, a léguas, que há pessoas que entram no programa já com uma ideia na cabeça e quando o match é alguém que não se enquadra nos seus padrões nem sequer dão uma hipótese.
O programa, antecipando estas situações, já fez uma brincadeira engraçada tentando mostrar que a aparência é secundária. Vendou o casal antes de eles terem oportunidade de se verem e eles tiveram bastante tempo a conversar sem saberem como era a aparência um do outro. Na minha cabeça isso iria ajudar a que eles percebessem que o que realmente importa é o íntimo. Mas não. Assim que os dois tiraram a venda não conseguiram esconder a decepção. Claro está que o encontro foi pelo cano abaixo.
Talvez achem que eu esteja a ser hipócrita e que naquela situação teria a mesma reação. Mas neste aspeto falo com conhecimento de causa... Não sei se alguma vez vos contei mas conheci o David no blogue, através de uma amiga em comum. Começou por ser uma coisa inocente, uma troca de comentários. Ao fim de uns tempos trocámos contactos e começámos a falar no já velhinho msn. A partir daí as conversas foram-se tornando mais íntimas e acabámos por perceber que algo nos unia. Algo maior que uma amizade. Durante todo este tempo nunca sentimos necessidade de pedir fotografias, por exemplo. As que víamos eram as do msn, em ponto pequenino e com uma definição questionável. Sabia mais ou menos como ele era, por descrições de terceiros. E o mesmo aconteceu com ele. Ainda assim não precisámos de ver o físico para gostarmos um do outro. Bastou-nos a forma íntima como nos ligámos, a forma como nos apoiávamos, a forma como construímos uma relação forte baseada nos sentimentos que realmente importam.
É normal que um primeiro impacto conte muito. É normal termos um género que nos atrai mais. Mas é errado pôr de parte tantas outras pessoas só porque são muito magras, muito gordas, muito altas, muito baixas, muito peludas, carecas, ou... Mil e uma coisas que nos fazem recuar sem sequer ter oportunidade de conhecer quem está ali, à nossa frente. Muitas vezes podemos perder boas relações: não só de amor mas também de amizade. Por pura parvoíce e por vaidade.
Muitas pessoas me acharam louca pela forma como iniciei a minha relação com o David. Diziam que não percebiam como não queria ver como ele era. Mas eu vi a parte mais importante dele: a forma como me tratava. E quando o vi fisicamente, pela primeira vez, soube que a aparência nunca iria importar. Quando o vi tive a certeza que o amava. Abracei-o e senti-me em casa. Ainda hoje sinto. Vou sentir sempre.
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quarta-feira, março 6
: Música para os meus ouvidos | Pirates of the Carribean
segunda-feira, março 4
: Olá segunda-feira!
Depois de um fim-de-semana onde foi tomada uma grande decisão é tempo de encarar a nova semana com pensamento positivo. Pode vir chuva. Pode vir frio. Podem vir momentos complicados. Nada importa. Esta é a primeira semana de uma nova vida.
sábado, março 2
: Romper as barreiras da sociedade.
Fotografia própria - Carnaval - 1 de Março de 2019
Quando ficou decidido que o tema deste ano para o Carnaval na creche eram as profissões pus a minha cabeça a pensar. Queria ser diferente. Eis que me lembrei que o meu pai tinha equipamentos completos de futebol. E pensei... Porque não? Tendo em conta que a minha profissão é tipicamente associada às mulheres vestir-me de futebolista seria uma excelente homenagem a todas as mulheres que trilham um caminho brilhante no desporto - seja ele qual for - mostrando que não é um mundo só de homens.
Vesti o equipamento - do melhor clube do mundo, claro - e lá fui eu toda orgulhosa. Calcei as minhas sapatilhas de futsal - a modalidade que me aquece o coração - e roubei muitos sorrisos durante o dia. Mas também serviu para ver o lado feio da sociedade. Saí logo de casa mascarada e passei todo o dia assim. Claro está que fiz virar muitas cabeças. Não porque ia de pernas à mostra mas sim porque estava equipada e infelizmente as pessoas ainda acham que é estranho ver uma mulher assim. Ouvi, da boca de uma mulher que falava com outra pessoa, "Olha que gira aquela máscara". Por acaso até era, sim, mas nem sequer foi posta a hipótese de eu ser efetivamente uma jogadora. Outros olhavam para mim e diziam "Olha, a Cláudia está mascarada de Benfiquista". E eu respondia de imediato. "Não, estou mascarada de futebolista. A nova contratação do meu clube". Durante todo o dia senti que muitos ainda acham que o lugar das mulheres no desporto é como simples adeptas. E nem aí nos ligam muito, como se não soubessemos opinar. Ou como se não tivessemos direito a isso.
Ontem, ainda que apenas por algumas horas, pus-me no lugar de todas as mulheres que tentam impôr-se no mundo do desporto e que ainda são olhadas de lado porque os homens é que são bons nisso. Lembrei-me de imediato das nossas jogadoras de futsal, que há bem pouco tempo brilharam no primeiro campeonato europeu de futsal feminino, organizado cá em Portugal. Lembrei-me das histórias delas e da garra que têm para lutarem pela sua paixão, treinando depois de saírem dos seus trabalhos e sem ganhar nada com o futsal. Não têm nem metade do apoio que o desporto masculino tem mas chegaram à final e conquistaram o segundo lugar. Mostraram que são excelentes no que fazem.
Isto de ser mulher nem sempre é fácil. Mas aos poucos vamos conquistando tudo o que merecemos. Seja o nosso lugar onde for!
quinta-feira, fevereiro 28
: Tudo o resto pode esperar.
Fotografia própria. Presente no instagram.
Há dias em que parece inevitável vivermos em constante movimento. Ora é aquela máquina de roupa que temos mesmo que meter a lavar. Ora é o jantar que temos que fazer. Ora é a casa por limpar. Ora é a loiça que não gostamos de ver acumulada dentro do lavatório. As tarefas sobrepõem-se e dizemos, muitas vezes, que o dia deveria ter mais horas. Enquanto isso o tempo livre desaparece e quando finalmente nos sentamos no sofá acabamos por adormecer, mortos de cansaço. Aquilo em que não reparamos é que, enquanto estamos imersos em todas essas tarefas "obrigatórias", nos passa ao lado o que realmente importa na vida. Passam os dias e não olhamos com atenção para a nossa família. Para os nossos animais. Para nós próprios. Estamos tão subjugados pelas imposições da sociedade que acabamos por viver a vida que sempre dissemos que não queríamos. E eu cansei-me.
Foi preciso uma simples atividade na creche para eu perceber o quão a leste estava a viver do que realmente preciso para ser feliz. Por ocasião do Dia dos Namorados elaborámos um placar do "Amor à primeira vista". Nele estavam colocadas fotos do olhar de cada um dos bebés. Surpreendeu-me ver que alguns dos pais tinham dificuldade em reconhecer o simples olhar dos seus filhos. Foi aí que parei e pensei quando fora a última vez em que, por exemplo, olhara com atenção para o David. Ou para o Floki. Os dias são tão rápidos e passamos tanto tempo no trabalho que ao final do dia acabamos por não ter tempo para nós, enquanto família. Partilhamos o dia e conversamos mas depressa nos fechamos no nosso casulo, cansados e a precisar de um pouco de silêncio.
Nesse dia cheguei a casa e comprometi-me a parar. A tirar tempo para mim. Para nós. Nesse dia peguei num brinquedo do Floki e fiquei com ele na rua mais tempo, aproveitando o sol que se põe cada vez mais tarde. A partir daí se for preciso ignoro a loiça. Ignoro a roupa que se amontoa. Ignoro a mesa desarrumada. Comecei a dedicar tempo a quem me faz feliz. Um abraço. Uma mensagem. Uma chamada. Recomecei a tirar tempo para fazer aquilo que me completa: o violino, a escrita, a leitura. Desligo-me do telemóvel quando chego a casa e deito-me ao lado do Floki, apertando-o contra mim. Deito a cabeça no peito do David. Vemos séries. Rimos. Ficamos a ver os aquários dele...
A vida passa rápido, é bem verdade. Compete-nos a nós aproveitá-la da melhor forma, para que nunca tenhamos arrependimentos. Para que nunca fiquemos a pensar que deveríamos ter aproveitado algo de melhor forma. Não quero, daqui a uns anos, não reconhecer o olhar daqueles que mais amo. O jantar está atrasado? Paciência. O jantar pode esperar!
terça-feira, fevereiro 26
domingo, fevereiro 24
: Música para os meus ouvidos | The Final Countdown
sexta-feira, fevereiro 22
: Um abraço. Um beijo. Um adeus.
Ontem sonhei contigo. Caminhávamos lado a lado, num qualquer jardim, a dizer tolices. Quem nos visse talvez nos julgasse tolos, sem imaginar o quão completos nos sentíamos na companhia um do outro. Disse-te uma palermice qualquer e tu paraste a olhar para mim, com um sorriso aberto. Esses olhos escuros presos nos meus. E eu soube, ali, que era tua. Sonhei contigo e com os beijos que trocávamos. Sonhei com a forma como tiravas o cabelo da minha cara, colocando-o meticulosamente atrás da minha orelha. Senti novamente o teu toque. Os teus dedos sempre frios, que aquecias entrelaçados nos meus. Acordei com o coração a palpitar. Confusa. O teu cheiro tão presente. Quem diria... Quando te conheci estava longe de imaginar o poder que terias em mim. Começámos por partilhar conversas simples, palavras cordiais de quem mal se conhece. Sorríamos de forma envergonhada e constrangida. Sem dar por isso já falávamos o dia todo e não vivíamos sem ouvir a voz do outro. Um toque na mão. Um abraço de fugida. Um olá carinhoso, de olhos a brilhar. Uma relação que crescia sem que ninguém se apercebesse. Uma paixão que nenhum de nós conseguia controlar. Uma paixão que te assustou. Uma paixão que te levou para parte incerta, incapaz de me enfrentares. E agora aqui fiquei eu. Sozinha no meio de tralhas que te pertenceram. No meio de memórias que, sei agora, nunca foram realmente nossas. Dei-me por completo sem imaginar que o que receberia em troca seria a solidão. Mas ainda bem que te conheci. Ainda bem que me apaixonei por ti. De que outra forma poderia ter sido tão feliz com momentos tão simples?
#histórias de bolso
#off the records
quarta-feira, fevereiro 20
: Ser mais eu, sem medos.
Quem me conhece agora é incapaz de imaginar o quão diferente eu era não há muito tempo atrás. Até entrar na faculdade era bastante calada e a menos que tivesse muita confiança dificilmente iria entrar em brincadeiras disparatadas. Se me quisessem encontrar provavelmente teriam que ir ao local mais sossegado da escola ou estaria única e exclusivamente com o meu grupo de amigos. Não me iriam encontrar no meio da confusões e passaria despercebida no meio da multidão. Tudo isso mudou quando cheguei ao ensino superior. As praxes trouxeram ao de cima um lado meu que eu não sabia existir. Saí da minha zona de conforto e descobri que afinal não era assim tão desajeitada socialmente quanto achava. A partir daí descobri aptidões sociais que desconhecia. Claro que ainda sou bastante calada - é um traço meu que gosto de preservar - mas já não fico ansiosa quando sei que vou ter que estar com pessoas que não conheço. Já brinco em situações de stress e alinho em conversas que não lembram a ninguém. Graças a isso já conheci pessoas interessantes, tive conversas hilariantes, já me ri como nunca antes tinha rido. Só posso estar no caminho certo quando, na semana passada, chorei de tanto rir com uma conversa com duas mulheres que alegram sempre o meu dia. Posso ter tido um dia de treta mas sei que quando estiver com elas vou sentir-me renovada. E é nisso que me foco: rodear-me de quem me faz bem. Ainda bem que mudei. Ainda bem que arranjei espaço para esta nova forma de ser. Sinto que posso conquistar o mundo. Um passo de cada vez.
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segunda-feira, fevereiro 18
: Música para os meus ouvidos | The Sound of Silence
Sou uma fã assumida desta música - até já a aprendi no violino - e de todas as covers que têm aparecido dela. Claro está que quando vi que os Pentatonix a tinham cantado tive que a ouvir de imediato. Mais uma vez não desiludiram!
sábado, fevereiro 16
: Relembrando uma noite feliz.
Para verem uma reportagem sobre a preparação do concerto carreguem aqui.
Há exatamente uma semana estava ansiosa por finalmente ter o privilégio de ver ao vivo um filme-concerto do Harry Potter. Os bilhetes haviam sido comprados no verão anterior e a curiosidade era mais do que muita. Já tinha ouvido maravilhas dos concertos anteriores mas, como em tudo, gosto de vivenciar os momentos em primeira mão. E ainda bem que o fiz!
Ainda o filme não tinha começado e eu sabia que ia ser uma boa noite. Bastou entrar o maestro... Apesar de ser britânico falou para nós em português, o que fez rir todos os presentes por ouvirmos palavras tão conhecidas num sotaque diferente. Antes do início do filme fez ainda uma brincadeira e chamou pelas quatro casas de Hogwarts, mostrando que o Altice Arena estava repleto de potterheads. Disse-nos para aplaudirmos os nossos personagens favoritos. Para nos deixarmos levar pela magia. E eu, estranhamente, senti-me em casa. Rodeada de pessoas que partilhavam a mesma paixão que eu. Senti-me em Hogwarts!
Quem me segue no instagram provavelmente ouviu parte do concerto - nos poucos segundos que "perdi" atrás do telemóvel - mas acreditem... não fez jus ao ambiente mágico que se sentiu no decorrer daquelas horas. Apesar da sala não ser uma das que tem melhor acústica esqueci tudo isso assim que ouvi as primeiras notas vindas da Orquestra Filarmonia das Beiras. Que músicos de excelência! Confesso que muitas vezes me esqueci que estava a passar o filme no ecrã gigante e fiquei a olhar para a orquestra. Para o maestro. O meu olhar fugia - sem poder controlar - para o local dos violinos. Por momentos imaginei-me lá sentada, a tocar com eles. Cheguei mesmo a fechar os olhos, envolvida pelas músicas que tão bem conheço e que, ainda hoje, me arrepiam. O filme e a orquestra estavam em perfeita simbiose e foi um privilégio poder ouvi-los. Poder sentir-me envolvida de uma forma que nunca julgara possível. No final todo o Altice Arena explodiu em aplausos, bastante merecidos. Foi uma noite mágica, sem dúvida.
Para o ano quero lá estar novamente!
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quarta-feira, fevereiro 13
: A comédia trágica que é a minha vida.
Uma pessoa tem de andar de metro no final de Dezembro e pega no porta cartões onde tem o passe que usa para ir trabalhar. Sabe que não o vai usar mas leva-o na mesma porque tem preguiça de tirá-lo de lá. No dia anterior a regressar ao trabalho vai à procura do passe e nada dele. Nada do porta cartões. Vira as malas ao contrário. Procura até buracos no forro da mala! Vira todos os bolsos das calcas. No fim leva as mãos à cabeça. Bolas! Toca de ir fazer o passe. Toca de pagar uma segunda via. Toca de esperar praticamente três semanas pelo belo do passe. No meio disto tudo paga-se perto de cem euros durante o mês de Janeiro para carregar cartões e mais cartões. O passe chega e a pessoa respira de alívio. Ahhh, a vida tranquila regressou. Até ao dia em que a pessoa veste o casaco que usou naquela fatídica noite de Dezembro e do qual nunca se lembrou. Mete a mão no bolso. E está lá o maldito passe desaparecido, vindo dos infernos. Palavrões. Muitos palavrões.
Talvez um dia me ria desta historia. Hoje ainda não foi o dia. Ainda estou a fumegar de raiva.
sábado, fevereiro 9
: Música para os meus ouvidos | Só um beijo
quarta-feira, fevereiro 6
: Com a memória me enganas...
Odiei o meu secundário, é provavelmente uma das frases que mais digo sempre que alguém começa a contar histórias dessa altura da sua vida. Lembro-me que assim que entrei na faculdade disse a mim mesma que nunca mais voltaria aquela escola. Que nunca mais iria pôr os pés naquela terra. Enquanto as minhas colegas visitavam as suas antigas escolas e respetivos professores eu apregoava que tinham sido os piores anos da minha vida e que, nem morta, me apanhavam lá de novo.
Tinha, por hábito, relatar tudo o que de mau me aconteceu. A forma como uma professora nos prejudicou de forma bem visível e que saiu impune. Professora essa que me fez duvidar de mim mesma e das minhas capacidades. As péssimas memórias associadas ao meu primeiro relacionamento. O quão deslocada me senti, por nada ter a ver com as pessoas que me rodeavam. Sempre que tinha que ir aquela zona da cidade evitava até olhar para a escola. Tentava ignorar aquela fase da minha vida.
Quis o destino pregar-me uma partida e conduzir-me a uma reviravolta inesperada. No passado fim de semana tive uma amiga lá em casa e decidi fazer-lhe uma pequena visita pela cidade. Já perto da escola comecei a dizer-lhe que não tinha saudades nenhumas daquele sítio e, como sempre, desafiei os meus lamentos sobre aqueles três anos. Até que fiquei frente a frente com os portões.
De repente recuei no tempo e consegui ver-me sentada nas bancadas com a minha turma. Consegui ver-me correr naquele campo. Olhei para as escadas e vi-me a ter uma brilhante aula sobre Fernando Pessoa sentada na rua debaixo de um chorão. As más memórias - aquelas que estavam sempre presentes - esfumaram-se num suspiro e sorri. Relembrei a forma como os meus colegas rapazes me defendiam e me respeitavam. Relembrei as conversas e brincadeiras que tive com alguém que ocupou o meu coração mas ao qual nunca tive coragem de dizer nada. Olhei para a planta da escola, agora pintada numa das paredes da entrada, para confirmar que ainda saberia andar ali de olhos fechados. Relembrei todas as salas. Todos os momentos. Como aquele dia de trovoada e granizo, no décimo ano, que nos assustou a todos. Das aulas de dança. Do rato no pavilhão de ginástica que fez muitas colegas saltarem para o espaldar mas que eu quis salvar.
Ali, a tocar novamente no portão, percebi que aqueles anos realmente não foram perfeitos. Oh não... Muito longe disso! Mas que foram anos importantes. Ali cresci muito e aprendi a afirmar-me. Aprendi a seguir o meu instinto. A não depender de terceiros. A olhar para mim. A respeitar aquilo em que acredito. Ali fiquei preparada para o desafio que se seguiu: a faculdade. E só posso agradecer por tudo o que aprendi.
Tinha, por hábito, relatar tudo o que de mau me aconteceu. A forma como uma professora nos prejudicou de forma bem visível e que saiu impune. Professora essa que me fez duvidar de mim mesma e das minhas capacidades. As péssimas memórias associadas ao meu primeiro relacionamento. O quão deslocada me senti, por nada ter a ver com as pessoas que me rodeavam. Sempre que tinha que ir aquela zona da cidade evitava até olhar para a escola. Tentava ignorar aquela fase da minha vida.
Quis o destino pregar-me uma partida e conduzir-me a uma reviravolta inesperada. No passado fim de semana tive uma amiga lá em casa e decidi fazer-lhe uma pequena visita pela cidade. Já perto da escola comecei a dizer-lhe que não tinha saudades nenhumas daquele sítio e, como sempre, desafiei os meus lamentos sobre aqueles três anos. Até que fiquei frente a frente com os portões.
De repente recuei no tempo e consegui ver-me sentada nas bancadas com a minha turma. Consegui ver-me correr naquele campo. Olhei para as escadas e vi-me a ter uma brilhante aula sobre Fernando Pessoa sentada na rua debaixo de um chorão. As más memórias - aquelas que estavam sempre presentes - esfumaram-se num suspiro e sorri. Relembrei a forma como os meus colegas rapazes me defendiam e me respeitavam. Relembrei as conversas e brincadeiras que tive com alguém que ocupou o meu coração mas ao qual nunca tive coragem de dizer nada. Olhei para a planta da escola, agora pintada numa das paredes da entrada, para confirmar que ainda saberia andar ali de olhos fechados. Relembrei todas as salas. Todos os momentos. Como aquele dia de trovoada e granizo, no décimo ano, que nos assustou a todos. Das aulas de dança. Do rato no pavilhão de ginástica que fez muitas colegas saltarem para o espaldar mas que eu quis salvar.
Ali, a tocar novamente no portão, percebi que aqueles anos realmente não foram perfeitos. Oh não... Muito longe disso! Mas que foram anos importantes. Ali cresci muito e aprendi a afirmar-me. Aprendi a seguir o meu instinto. A não depender de terceiros. A olhar para mim. A respeitar aquilo em que acredito. Ali fiquei preparada para o desafio que se seguiu: a faculdade. E só posso agradecer por tudo o que aprendi.
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sábado, fevereiro 2
: O meu super-poder? Sou Educadora!
Foto presente no instagram
Tenho um beijo mágico, capaz de curar os arranhões e as nódoas negras. Tenho um abraço-casa capaz de os proteger das saudades; das tristezas. Tenho forças para segurar pequenos mundos nas palmas das mãos. Sou um porto seguro, onde ganham coragem para dar novos passos. Cabem todos no meu colo, encaixados no meu coração. Aperto-os contra mim, em momentos únicos de uma afeição que só se pode construir com amor puro. Roubo-lhes sorrisos mesmo quando as lágrimas espreitam. Afago-lhes os cabelos até que adormeçam, desejando-lhes sonhos bons. Conheço-os de olhos fechados, reconhecendo-lhes até o cheiro. Leio os sinais e ajudo-os, a cada segundo do dia. Decoro-lhes as manias, desconstruindo as pequenas pessoas que já são. Desdobro-me em mil para chegar a todos. Para que nada lhes falte. Para que nunca se sintam sós. Ou abandonados.
Sou Educadora. Cada dia melhor, graças a eles.
E tu, qual é o teu super-poder?
quinta-feira, janeiro 31
: Música para os meus ouvidos | Natural (Cover)
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